segunda-feira, 31 de julho de 2017

da última vez que chovi

X dançava no meu corpo
enquanto me dizia aos ouvidos

"você..
tem vento na língua"

eu disse:

 "y água, muita água
no céu de mim"

 fechou os olhos y me beijou
de novo
fechou os olhos como quem dissesse
com esses mesmos olhos fechados

"vamos..."

y eu fui ficando..
indo
y esses seilás lindos
que acontecem
y só acontecem






sexta-feira, 28 de julho de 2017

colagens

às vezes apenas não se sabe
porque se
grita

grito


sonhei uivo,
grito eslástico
moveres
assombração de toda noite que te
me assombram

sonhei gruta
 direção múltipla
raiz ou metáfora

silêncio

um buraco sorriu
seus dentes

sonhei lua
leoa
lampião

só as pedras se formavam a todo
som

pedras y suas fomes
de alturas
fome de tudo

fundo demais
para 

fundo
y elétrico

sonhei piano
uivo

parecia alma

quinta-feira, 27 de julho de 2017

chris cornell - like a stone


él

ele tinha voz de vento falhado
daqueles ventos preciosos
que falham
para serem silêncio
y  infinito

ele tinha voz de vento
a voz que me soprava as melhores histórias
enquanto ele piscava os olhos
de me ver
de novo

a voz que me fazia chover
enquanto

ah, y como eu trovoava
y chovia

agora um risco no céu me faz lembrar
que o seu nome
mora
no silêncio do meu sorriso

um som
lembrança

onde vibra qualquer
movimento
y eu vivo feliz
a sorrir-
nos

fotografia

eu quero a liberdade
dos teus pés
enlaçados
nos meus

codinome borboleta

veio
linguagem y desejo

mãos por debaixo da saia
invadiu boca
seios
girou assim por um tempo

no fundo de algo
corpo
o cristal batendo

o mundo gerando suas cores
as mensagens
a porta do carro batendo
os estados
y as avenidas levando gente
trazendo gente
as mensagens
as mensagens de teamo

só o amor sabe o cristal escondido: ele não se esconde

agora as mensagens apagadas
antes apegadas

[...]

na manhã seguinte não fiz o café
chorei algumas gotas
de liberdade
vesti um sutiã vermelho com blusa mostrando a alça
dele
y fui embora [de novo]

não deu tempo de dizer que
não era no meio das pernas que eu me
molhava

era no meio das
asas

quarta-feira, 26 de julho de 2017

luz

eu te chamei duas vezes

você não me dizia nada

eu senti:
duas vezes você apertou minha mão
duas silenciosas vezes
y uma terceira você
me beijou

eu não sou guardiã,
eu sou gente

mordo
lambo
danço
guardo
escrevo
faço careta
piruetas
y também nada
eu faço muito bem
nada

enquanto aprendo
silenciosa
a literatura das tuas mãos
y parece que estou mesmo a fazer
tudo

quarta-feira, 19 de julho de 2017

fazer amor

a primeira vez que fiz amor
ela meteu a caneta azul
na minha

jugular
é coisa séria

passei três dias
bebendo uma tinta amarga
de poesia
até ela estourar
delicadamente uma tempestade de

era saudade
desejo
lonjuras
era tudo tudo o que não sei

separadas

depois de três dias
ela voltou

lambeu o que escorria
da minha boca
chupou meus dedos mudos
manchados ainda daqueles nadas
de tinta seca

em mim
o amar começou assim
um poema absurdo
que estourou
no meio da vida

quinta-feira, 13 de julho de 2017

perdições

vejo pessoas
felizes sexualmente

ainda bem

ao menos alguma coisa
acontece

tantos sorrisos vazios
por aí

ainda bem que
transam pelo menos

já que a alma
não importa
muito
mais
meste mundo

quarta-feira, 12 de julho de 2017

esquecimento

no fundo
eu já esqueci de buscar tantos amores
onde eu os esqueci..

só me resta partir ao rio
ou ao chile
para ver se o amor
vem de onde
parei..

terça-feira, 11 de julho de 2017

de novo falando de você

acontece que ele tem
a lua em escorpiã

quando eu parei pra pensar em você

o mundo anda tão esquisito

as musas estão soltas
correndo com as lobas
dragões
escorpiãs
y serpentes

os homens falsamente
acompanhados

pelo menos é o que eles acham

eu já acho que eles estão sozinhos. isso é medonho

um peixe imaginário no aquário
pequenininho onde só cabe dois
[medo]

o homem se faz tão grande
por que?
será ainda aquela história do pau?

é por isso que eu sento y rodo
depois vou embora
pulo fora do aquário
preferindo morrer

essa é a unica brincadeira de pra sempre que gosto
pra sempre ir embora dos paus da vida

deus me livre um pau duro
y nada mais

porque eu até gosto de aquário por uma ou duas horas
mas eu gosto mesmo é de
asas

amor

qualquer simetria
é mera poesia

na floresta

escreveu dois poemas de bosta
que se multiplicam
na imagem

um som irritante
no verso

antes fosse embargada
a voz

mas não, não era nada
era só mais um poema morto
falando sobre
o ego de um leão
morrendo
na boca da leoa

o cara do bar

ele tinha um peitoral gostoso
braços largos
fortes
boca macia
cabelos cacheados

mas nunca teve um sorriso eletrizante
nunca teve poesia

sempre foi aquela prosa
onde a gente senta y goza por fora

ele nunca foi de dentro
ideia desconexa
coração só batendo
sem café
sem poema
sem vinhos

ainda bem que tinha drogas

mas ele é um porre drogado
que bosta!

ele é lindo,
mas dura umas horas comigo
é o tipo que a gente mente o telefone

não tenho paciência pra gente bonita

eu gosto mesmo é de quem morde minha garganta
quem mete em mim uns cometas
y me acorda lambendo

ele acordava
lindo
e só
que bosta!

convite de amor

só aceite convites em lugares
onde te ofereçam vinho
& café,
minha filha

eu, que sou filha de Deusa
não escuto isso de beber água
de beber poema
de beber chá
de beber paus ou bocetas

eu bebo é café de manhã,
depois de uma noite de tomar muito vinho

o resto é brincadeira de irmandade..
que gosto também,
mas isso é coisa de se fazer sem precisar de convite

a gente vai y toma isso aquilo
e aquele y outro
se lambuza
numa liquidez de sorrisos momentâneos
[que gosto]

só que eu gosto mais de convites inesperados
que começam a noite y terminam de dia
pode ser também de começar de dia
y terminar a noite
ou seguir em recomeços

vinho y café
café y vinho, sabe como é

requer sempre
um convite de amor

o resto, como disse, são amigxs..
que a gente bebe

mas.. sabe como é, eu já falei,
sou filha de Deusa

y eu já falei que minha mãe tem olhos de uvas?
y que seus cachos me puxam
onde quer que eu esteja..

então..
vinho..
bom dia, y um café preto, por favor.

poema II.2

com os dedos flambados
fez dois giros inteiros
antes de entrar

enlouquecidamente
tremi

até ontem,
6 gaiolas de aquário 
abertas
esperam a nossa volta

eu continuava fora
a queimar
vida
com ele entrando y saindo
como quisesse
era como eu queria

enquanto ele queimava as minhas barbatanas
no Agora
três dedos afogados na argola
das minhas ventanas

ardências,

eu disse uau
ele se derrubou sobre mim

dormimos assim,
todo o peso do corpo de uma asa em mim

nunca acordei tão leve
para dizer tchau
sem pra sempre
ou nunca mais

enquanto ele arrumava o cinto
pra voltar pra casa

poema 7

estive olhando escuros

olhando onde a pedra é pedra
onde a pedra não é mais
onde ela já foi
onde pode ser

estive olhando escuros
no aquário
onde o peixe y sua boca
onde as conchas
onde as serpentes nascem antes de atacar a fome

de todas as fomes, estive olhando os escuros
do escuro olhei o escuro

metálico, líquido,
esquizoventoso

nem bem olhei, já era outro
pedindo nome
] imensidão [

eu estava vestida de um escuro vermelho
um vestido escuro vermelho
escuro vermelha
segurei a barra vermelha [escura]
pedi pra ele entrar

agora só germino

são infinitos esses escuros
no meio das penas

aí eu voei,
porque do escuro eu só quero o escuro,
y tudo que é asa, que é dentro fora
meio
vestido
é só isso que é

escuro é sempre outro

lua aquariana

não consigo escrever em verso o que tenho pra dizer, porque isso é uma conversa com um possível que escorre em linha reta y desemboca em nada, porque quando se fala em amor é sempre escuro demais ou claro demais.. então assim, eu não quero ser profundamente amada. eu já senti o que é ser amada. isso é legal. esse lance do nome y tal. mas assim, eu quero amar. eu quero conseguir amar. amar melhor. amar loucamente. amar pouco ou nada mas ter isso de amar, sabe? A M A R!

P.s: isso é só uma nota. uma importante nota sobre nada sob a lua em aquário..

para ti

se desfez no meu corpo
uns escuros
...poema problematizado
tu, jardineiro de flores mortas
é sua esta corrente elétrica
de escurezas?
raio polarizado nos vulcões do ser
morada d'um céu
roxo
machucado
...chovedura
de invernos
geleiras pontiagudas saltitantes de céu estrelado
nascedura em ocos
deságua no meu corpo
essa tua ideia
monogamias ilustradas de sorrisos a dois
passeia [só você] sobre o meu ventre
cintilante
que te mostro uma passagem que eu vejo do futuro:
portal onde em mim está o seu nome
acrobática,
eu entro
sento
chamo [em chamas]
y anuncio o buraco onde você mora
escuroso, você entra
não senta
atende meu chamado [in ardências]
y vai embora
de silêncio em silêncio
a vida anuncia passagem
é seu este escuro que carrego nas costas?
você sabe o que é passagem?
você foi embora
agora chovo pra dentro,
correntes elétricas
solitárias sob a cama
meus poemas estavam em coma
até você fazer de novo
isso de prender o meu nome ao seu
estes escuros, essas geleiras,
parto
agora meus poemas voltam a si
brancura de um tempo de Fé,
que você se foda,
ou não
tanto faz

segunda-feira, 10 de julho de 2017

poema 8

como pode uma escorpiã na garganta
perfurando o nervo das palavras?

mastigo esse silêncio
que te envenena por dentro

meto a língua no seu em si de me picar
ardo
 y vou embora

como pode uma scorpiã
na garganta do medo?

são tuas essas palavras
escondidas no silêncio?

é por isso que me olhas com fome?

como pode uma scorpiã?

y se houvessem palavras,
quais seriam os silêncios
scor'pianicos?

eu escolho ao som
de jazz 

sábado, 8 de julho de 2017

scorpiã - poema 9

é ela
será y é ela
só poderia ser
ela

que germina um escorpião na garganta

venenosa
na língua

é ela
que tem as piscadas mais loucas
y me desfaço em inteira
para me começar de novo

nela..

sexta-feira, 7 de julho de 2017

poema 5

voos rasos
tapam um ou dois
buracos no dente

meu sorriso
inteiro
vai ao rio

ao que me espera
em parati

terça-feira, 4 de julho de 2017

poema 4

o que silenciam os peixes
no aquário?

poemas de julho III

no alto da acrobacia
um silêncio
invade o movimento

onde tua ausência
flutua

poemas de julho II

então afogou dois dedos
no arco dos meus seios

suavemente
enrijeci

até hoje hoje
duas argolas giram
enquanto algas marinhas
sorriem aquários

poemas de julho I

as garras
banhadas de algas marinhas
sangravam 
sob minhas costas

é claro q não se vive muito
tempo depois
de construir um trapézio
embaixo do rio onde nascemos
juntas

não se vive muito tempo
mesmo

então a gente volta
sangra
depois dorme abraçada
sorrindo vermelhos

poesia