domingo, 16 de abril de 2017

posição escuro

artesã de escuros...

meteu no meu dedo um poema
[eu que sempre tive asas afiadas demais para aliança]

meteu no meu dedo o infinito
do teu nome
      pronome

intima sob a noite
girosa ao lado da cama
sopradora de chamas
meteu os teus dedos nos meus
me deu seus escuros

percorreu três ou seis silêncios
talvez nove

no alto, um vibrar de tambores
nosso coração
nossos gemidos entregues à cama
teus dedos / os meus
tamborilam

travessia

íntima, teus dedos claros
sob a entregue escuridão de mim

teus dedos
que me desfaço em inteira

teus dedos-meus
da sua arte de tecer-
me escuros

transcendem

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