terça-feira, 17 de janeiro de 2017

para chover de janelas bem abertas

me demoro no escuro do seu rosto
as mãos soltas
aquela janela encarcerada sob minhas costas
pesadas as cortinas dos meus sonhos
abertos

um surto me suporta,
o escuro
a sombra
o teu ventre derramado sobre o teu corpo ferrado

para onde vão as cicatrizes meu pai?
para onde vão os muros?
y as reticencias dos vestidos
sem encontro?

entrelaço os dedos sob o vento do meu desejo de ser nada
subo
desço
meto a língua pra fora
tomo uma gota
me alimento de lágrimas

de manhã acordo
tomo um café
e escuro é o meu rosto sob a xícara clara

chove no escuro,

molhada, não sei mais olhar
o teu rosto sob as máscaras da vida
tua imagem se parece com uma árvore morta

y o teu nome é escuro
raiz,
que na próxima vida
hei de ver nascer em mim

tal
vez

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