sábado, 27 de maio de 2017

corpus

gosto de gente que sabe
que tem corpos
perdidos em
outros planetas

das formas y cores

existe quem quer pertencer
y existe o infinito

eu gosto de pertencer ao infinito

nunca conheci quem vivesse
todos os seus amores
de forma leve

as pessoas são pesadas
não há toque
não há sorrisos sem medo
todos estão na mesma merda de castração afetiva

y eu ando cada vez mais sozinha

só que às vezes coloco alguém
no meio
y às vezes alguém é leve
y vai ficando
entre os voos

sobre um instante y fim

tinha as mãos mais gigantes do mundo

com elas
construiria tudo
que quisesse

imaginei ele construindo um castelo inteiro
sozinha
y um reinado em mim

eu nunca me apaixonei tão rápido por alguém
como me apaixonei por ele com aquelas mãos

foi bem rápido o quando os impulsos me impulsionam a dizer oi..
eu disse oi
depois veio o sorriso.. e putaqueopariu, que sorriso!

tudoissofoimuitorápido

y a namorada dele o abraçou por trás.. queria poder dizer que tudo bem, mas como é que se explica isso de querer escrever sobre as mãos de um desconhecido e continuar vendo o seu sorriso?

a gente perde cada amor pelo caminho.. eu hein!

perdi

transfiguração

tem gente que nos ajuda a transformar nossos venenos em antídotos

como teu sorriso belo
no meu

escorpiã-rainha

nas entrelinhas do meu desejo
está o teu nome
scorpiã
artesã de venenos



parasita

se instalou
lilás
sobre minhas palavras

vagalumeou três dedos
sob minhas pernas

eu não sei onde estou
quando você não está

y parece absurdo te procurar
no que escrevo
quando minhas palavras querem dizer que você se foda

y no fim
me foda também
de novo
y de novo
y de
novo..

porque existe uma história
que não sei porque se insiste em se escrever que meus lábios te esperam

sobre as histórias do IR

a gente nunca sabe quando vão nos plantar
invisíveis

eu te mandei uma carta com um fósforo aceso dentro
não sei se deu tempo de ler
que
antes das chamas
haviam borboletas entre as palavras

y você me falava de sonhos
desenhando no ar as cores
y era lindo porque eu via

eu te desenhei um roteiro abstrato
de solidão y falei "que bom que você não leu"
enquanto me pegava pela cintura
naquela noite nua
y me sussurrava cometas

eu te mandei uma carta
onde nela eu chovia

y você não me respondeu

espero que tenha dado tempo de ler
que nunca fui tão feliz
em uma semana de você

espero que tenha dado tempo
para o tempo

porque alguma coisa aconteceu comigo
enquanto aquelas noites me aconteciam

y eu não posso mais falar de solidão
sem que teu corpo me invada
sem que tuas mãos me soprem aqueles invisíveis

aqueles invisíveis que não sei o nome
mas ousei dizer na carta
que a chama
carrega
pingando

o quando

da lucidez

existe um momento de preocupação no que vejo. como dois arcos se exibindo infinitos.

sombra y luz..

bolhas demoníacas
estourando sob meus olhos
plástico de mãos
fingindo carinho

eu quis dizer também fugindo

meus olhos ardendo
de

um poste
a luz que não existe nele
os afetos afetados

y um desejo enorme de viver medíocre
entre as pequenas luzes que se acendem por não estarmos sós

tão pequenas
quanto a luz que vem sem sombra

porque os sorrisos não são resgatados com pequenas luzes
os sorrisos são das sombras

y tem gente apenas cansada

apesar de ter alguém

formulando
felicidade
em luz sem sombra
luz
inventada

resta apenas dizer que luz
inventada
se desmancha também
numa pequena invenção

onde uma cobra pica
onde as lobas salivam
onde a lua transita imperiosa a noite dos corpos dos amantes
onde a floresta come y chupa os dedos no mais alto de suas árvores
onde o globo ocular amarela, estrelando nomes destinais

ela se desmancha
em verdades
de sombra

onde
o quando..

segunda-feira, 22 de maio de 2017

desintenção

são tantas chuvas
que me queimam

meus trovões - feito um gozo -
estremecem
sob a luz fina do teu nome

tênue é o porto do encontro
onde duas mãos
livres
escolhem dentre tantos mundos
serem duas
[separadas em uma
se enlaçar]

das linhas invisíveis de um poema

eu saltaria o caminho
dos giros do teu batom
se soubesse onde
florescem
os teus vermelhos

te roubaria um beijo
num pouso
ou numa dança marítima
onde o mar cobriria tua boca em pérolas

te beijaria onde o Mar
é a vida
beleza
outono de primaveras

onde suaves y sem medo
os olhos surfariam
estes invisíveis

y num momento
tão qualquer
mesmo nos beijando
você me beijaria

sexta-feira, 19 de maio de 2017

de quando te sonhei poesia

sonhei que eu tinha uma indústria de canetas personalizadas
y você vinha levar
a sua

era azul
a sua

só a sua
escapavam estrelas ..

quinta-feira, 18 de maio de 2017

da tentativa de se iniciar um relato

a primeira parte de uma escultura que se molda é a parte que não é moldada dentro da gente.. a cintura dela.. sempre

 a cintura dela
 a me recusar
 invisíveis

quarta-feira, 17 de maio de 2017

escorpiã

cospe fogo
nas entranhas tem um nome pontiagudo
< destino >

y me sopra o dragão
na pele

absurdos que escrevo
enquanto sua presença ainda

se.me dissolve
enquanto ela me nasce
escorpiã

terça-feira, 16 de maio de 2017

chove no meu quarto o teu nome

ela era uma escorpiã
com asas

lembro da fogueira ardente
sob o ventre negro
onde nasceria uma filha
da magia

me toco sob a lembrança do fogo
nos dedos

queimo a tempestade do
meu nome
no teu: cavidade de onde me nascem
estrelas
y luas minguam


sobre quando o coração voltou a bater louco

se ela dissesse que
nasci de uma escorpiã,
acreditaria

existem muitas formas de não acreditar
no que se acredita

só depois de ir embora
que esculpi os escuros daquele passado:
ela tinha a boca de escorpião

envenenada,
eu ouvia encarnada

enquanto alguns portais se abriam sob a sombra de uma nuvem
nua
a noite se fez bailado

entre os anéis de saturno
que a Era de Aquário trazia
era uma vez 
de novo..

sexta-feira, 12 de maio de 2017

da mitologia que habita

as asas dos sonhos
não são as mesmas asas que cabem no poema

então lanço meus versos
à poesia do sonho
porque sonhar é não saber, mas infinitamente estar
junto
os cosmos,
as tríades do desejo
você
o poema
o amor

nada pode com o amor

no poema eu posso escolher
o sonho não. o sonho faz amor

inteiro promessa, o sonho
é também a linguagem dos deuses

onde a Deusa voa em direção de si
y me sopra
você :este estar mudo
dentro de mim

você em mim, este É
que sonho
y desperto sorrindo

quinta-feira, 11 de maio de 2017

mapeações

"um casamento não te prende. dinheiro não te prende. o amor dos outros não te prende. o seu amor não te prende. nenhum lugar te prende. nenhum ser humano"

eu nunca perguntaria o que me prende..

então fiquei assim, só

com essas divagações.

Voz

desde ontem
que não paro de te ouvir

em mim

sobre a eterna partida no mapa

me disse tantas vezes "não te prendas". logo eu, que nunca me prendi a nada. que queria mudar isso, fazer história, mesmo não sabendo que nunca seria de mim isso. eu que de tudo voo. até dos amores. disse que não se pode prender ao humano, quando a alma cheia de seres de outros planetas. quando a Deusa chama. hoje a minha tribo tem um nome ida, até o encontro. a minha tribo hoje é o outro. ela disse para dizer adeus. eu que coleciono adeus. que me prendi na poesia para poder alcançar algum encontro que por um momento escrito seja verdade. que sei que por um momento muito sutil dentro de mim também foi. ela disse para eu voltar porque a nossa história nunca vai acabar numa conversa. voltar pra ela, é a unica volta de que se fala. porque nossa história sim não é das palavras. então eu volto. faço o café, beijo sua tatuagem y vou embora. a diferença é que ela sempre soube que eu eu iria embora. mesmo eu mesma indo embora y não sabendo

agora esses versos
líquidos
carregando uma enchente no significado das palavras

agora essa tempestade
que se me
transborda

no fim de um raio
onde Lúcifer me acena
os passos
me esperam
[meus]

desde ontem
que eu floresci meus conceitos
que quero voltar lá

eu disse voo
                    lto

paralelo ao outro

essas guerras
com o outro
.essas guerras de mim.


karma

teu karma é
[de novo]
teu espírito selvagem

mapa

leu,
como nunca antes alguém havia lido,
minhas estrelas

disse que não vou ter casa
nem casamento
e que os amores todos comigo
mas eu com ninguém

disse que não sou gente
disse que aos 28 se pode fazer tudo

y mesmo em pleno voo,
seria preciso voar
mais

porque meu mapa
é inteiro nu

y nunca se sabe onde
é o ponto
g.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

mira

no me olvido
tu sonrisa
tu voz
sus manos 

solo no estoy más con las ventanas llena de palomas
para te volar

mira, 
hay recuerdos que no lo sé más

escucha, no quiero 
fica lembrando de ti enquanto escrevo versos

yo te quiero ahora
donde tu nombre es Otra
y infinita
donde volar es voo

lâmina

duas lâminas coloridas
cortando a madeira
das nossas vidas

madeira roxa

fez um lindo anel
roxo
que escorria feito uva
em meus dedos

órbita

eu nunca disse,
mas agora posso dizer com esse amor que se.me..

[nos olhos dela
se escondem
meus anéis de saturno]

por isso também o meu tempo
passado presente futuro
sagrado é o encontro que a gente se encontra
no tempo do tempo
do agora

desde que ela
chegou
que eu só floresço
mesmo no inverno

porque ela sabe da flor

manhã


também é o nome mais belo que se dá
à coragem humana

dos escuros s'curos

estamos sempre a um passo da escuridão das coisas, S. não se pode medir a escuridão pela distância. a escuridão se mede pela fé. fé não tem distância, S. põe um lápis na garganta  l e n t a m e n t e.. escorrega teus medos com  a intenção que o lápis tem de te fazer engasgar. não engasga. segura. vês? a escuridão do lápis é onde você consegue chegar sabendo que ele está entrando.. entrando lentamente até fazer você perder o controle de segurar o lápis, até que ele esteja por um segundo inteiro dentro de você y tudo desmorone. o lápis fora, você tossindo escuros. vês, S? quanto tempo demora? às vezes é não segurar mais o lápis em direção á boca, S. vês. tudo isso é só uma ideia. não levar ele à boca. ficar assim com os olhos espantados d'ele dentro de você. mas repito, S, tudo isso é Fé. pela primeira vez te digo assim FÉ.

agora pega essa taça de vinho y molha teus escuros. você não vai ficar sozinha por muito tempo, S. dobra o joelho. reza. chora. agora imagina que ele não É. vê que ele não está mais aqui dentro da sua boca y agradece.

às vezes o escuro
está embaixo
da roupa

y se diz
pele

nascido de faz tempo

com os olhos cerrados de nós,
viu a bolha gigante que nunca
que não estourava
nunca

passou duas nuvens
y foi embora
choveu
relampeou
y a bolha lá, onde ele estava dentro
todo
inteiro
calculável,
y ela a contar abstrações

tinha algo amarelo quando

buscando a luz
no fim do
verso
um encontro aconteceu,
mas já era tarde

ou parecia caos
de estrelas
nascidas de faz tempo...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

[a loba que me uiva]

ouço meu nome
de novo

me cresce um grito
y é uivo
sagrado

avanço as matas de mim
 nasço
renasço
Mulher de Agora
guiada pela Lua

minhas mãos transitam meu peito
meu coração
bate

no espelho
a loba
com cabeça de árvore

se abre
se uiva
            y voa

a loba dragonizada
etérea

salta

y eu acordo Ela

bétula

então eu pulei
y era voo

y você também
veio

bétula
bétulah

guirlanda de amor

silfos dourados
se amando no ar

anunciam essa tua
eterna vinda

tua vinda que
sou
Nós
vindo como um silfo
de se amar

sexta-feira, 28 de abril de 2017

el poema azul

me escreveu abismos
numa xícara azul

y eu tomei

¿para donde bailan las gitanas?

porque fora é
dentro demais

ela dançou três poemas
en mi boca
y se fue
palabradura

baila, niña

baila

que aún
te alcanzo en mi

[convite]

andarilho de mim...

vem na altura dos meus giros
que te preparo um grito
no fim

vem festa y desejo
que te ofereço um caminho
de mim

para que eu te dance
porque eu te ofereço meus ombros
desse meu lugar nenhum

vem, que te dou meu abandono

para que me encontre
para que me chame
para que me encontre

porque eu sou fogo sagrado da dança
sou fogo da tua vinda
eu sou partida

vem,
não vou demorar
mas te deixo um lenço
mas te sopro um vento

porque eu sou
de lá

mas te guardo meus giros
y  com giros y saias
eu vou embora

para te sorrir um recomeço
da porta pra fora
de nós

sábado, 22 de abril de 2017

sense

me fez uma oferta de dor

não fiquei para ouvir muito

pulei a janela da tua vinda,
porque não quero o que não é presença-
sagrada
porque sagrado é o tempo
o encontro
de quem encontra

nua
patrulhei com as lobas
escrevi no uivo um poema
que você nunca ouviu
porque só ouve quem encontra
os uivos
quem come a Lua [uivante]

mas você nunca foi loba demais
para

y a floresta é grande
quando os braços enrolados de silêncio
y caos

minha fome é louca
como a tua

segunda-feira, 17 de abril de 2017

ascendência em Outro

hoje acordei e vi tuas costas
ainda
cada sinal infinito de ser seu
suas curvas

algo me fez ir além..
aquele ataque de tigres
ou a cicatriz das águas

se eu pudesse o tempo das cicatrizes
diria que faz-se o tempo em que se é eterno
é o tempo da madureza
o tempo de ser outro
é o tempo que se lança 
abandono y delicadeza
que se lança em amor
que se lança em outro
por outro
para o outro
que se sangra, põe pra fora o eu
que salta
atravessa
Salva
então vira cicatriz

então o mundo do corpo é sim isso de tatuagens ou cicatrizes

sempre marcas
vivas
inteiras antes de nascer no corpo
muitas vezes invisíveis..
porque há lugares que a gente nunca toca
há lugares em nós que apenas salvam-vidas

o lugar de um beijo de quem se ama,
a morada da língua, as unhas,
a oração dos sexos
 
toda cicatriz é uma febre no corpo y é mistério

aqui, faço uma oração às promessas desta vida,
tuas costas
tua nudez
a mudez dos teus sinais
tua coragem
o mar

como uma oração às tuas costas y às tuas coxas
se pudesse saber o tempo do infinito dessas cicatrizes
eu beijaria 
soprando na língua dos deuses
que teamo
em língua de tigre
em língua de fadas
em língua de chuva
em língua de agora

eu te beijaria
até não entender mais o que é beijo

de nome amor

escrevi poemas em papel de pão
guardanapo
mesa de bar
árvore

seu nome me é
inevitável

invade, escorre,
queima..

que vai fincando..

esqueceu o lenço
esqueceu o sapato
esqueceu o anel
esqueceu o botão que soltou da blusa
esqueceu a blusa

assim não conseguiu esquecer o beijo,
traçou uma lembrança de caminhos
sobre os meus

y por isso sigo voltando...

porque eu esqueço sempre
y a vida a me lembrar
que o amor
é uma promessa invisível mesmo

que vai ficando
colado na bobice invisível
do nosso sorriso

posição piano mudo

é como ouvir o som do piano
mesmo sem ninguém a tocá-lo

quando você me salta
é como não ter pés
é como ser só mãos y bocas
tateando o infinito

é como ser fome
y sem saber
encontrar muitos corpos
até gozar

é como não ter nome
isso de fazer amor na sala
olhar para o piano
dos teus dedos

é como se brotassem asas no chão
um perder-se
de tanto encontro

é como você
em mim..
essa flor
que bica y voa sob minhas peles

domingo, 16 de abril de 2017

posição escuro

artesã de escuros...

meteu no meu dedo um poema
[eu que sempre tive asas afiadas demais para aliança]

meteu no meu dedo o infinito
do teu nome
      pronome

intima sob a noite
girosa ao lado da cama
sopradora de chamas
meteu os teus dedos nos meus
me deu seus escuros

percorreu três ou seis silêncios
talvez nove

no alto, um vibrar de tambores
nosso coração
nossos gemidos entregues à cama
teus dedos / os meus
tamborilam

travessia

íntima, teus dedos claros
sob a entregue escuridão de mim

teus dedos
que me desfaço em inteira

teus dedos-meus
da sua arte de tecer-
me escuros

transcendem

quando chegamos aqui...

daí Ela veio
y me salvou da superfície

me levou pro fundo
do céu

y ainda estamos aqui,
que é lá.

passarinhas

chove no meu quarto
[faz tempo]
agora os teus olhos fechados
nos meus
tuas mãos enlaçadas
nas minhas

esse desejo de te invadir além do corpo
o escuro encontro das nossas asas
sempre abertas
sob a chuva das horas

porque faz tempo que chove no meu quarto
a sua presença

[quando você chegou
a janela já estava aberta
de sol de lua
de colibris]

você pousou
a boca, os olhos os pés-em-asas
os caminhos de céu
desde o primeiro dia que nós...

quando você chegou
eu cheguei
y éramos Toda Lugar
moradas

aí você entrou
fora
eu corri pra fora-
y te vi dentro

y peço que fiques
onde não estou.
onde não estás
onde nós
                sendo...

[voando infinitos]

[do encontro regido pelo infinito]

se soubesse
que do teu beijo
me saltariam estrelas da boca
das costas dos olhos dos dedos do poema
y essa constelação simétrica
no ventre

teria te procurado
nesse encontro..

mas não tem jeito,
quando é Encontro
            Ele É,

antes de você

eu não sabia
que dormir
é encontro

líquidas [duas Luas sob a cama]

você me veio noite
clara
depois de você,
seguidas luas cheias
embebidos sorrisos
[como gosto]

agora esse desejo escorrendo
em minhas pernas

sonhei que fazia amor com o sol
y era luz entrando y saindo
hmmm

o que faço com esse escorrer de luzes branquinhas?

se não era o sol
era você, a minha outra face:
Lua

das flores de nós

ouço um infinito
de que o amor que chegou
veio para amar

terça-feira, 11 de abril de 2017

da bela lua

então eu passo a língua repetidas vezes
sob teu peito

circular é a dança que te quero

traço voltas
y você volta
                    pra cama

percorro o instante
de um doce silêncio dos teus cabelos 

como é que se faz um anel
no seio da vida?

a tua vida me responde:
ele endurece depois recebe

sempre quando se tenta dizer o que acontece depois,
vem o susto de um estouro na boca
[ninguém nunca fala]

um estouro
do que escorre 
y é caos

onde pequenas constelações
trocam passos
com o amor

dos encontros

esse teu sorriso
que me obriga a ser feliz
 todos os dias

a expansão dos dentes

eu não sei de onde vem
isso de sempre te morder quando me percebe o amor que te amo

um desejo de te arrancar as terras
y só existir o que é raiz
florescimento

um desejo de te arrancar as janelas fechadas
os pesos
um desejo de você aberta

y que ela assista da outra janela
o queimar do seu colchão,
da sua toalha
da sua cortina
do seu lençol
da sua rotina

sob a cama de fogo
libertar do voo
o voar

libertar do fogo
o queimar

libertar da língua esse desejo
essa loucura de linguagens

libertar dos dentes
as formas dessa vontade de te encontrar mais

esse desejo de libertar de nós a nossa liberdade

como um amar sem nome

inteiro pelos cantos.
inteiro
               pelos cantos

feline

então você vira
   de costas
me dá um beijo
y o raio sai de novo do meu peito

o raio laser
azul y vermelho
como nossas histórias
inteiras

promessa

eu te olho
y te olho
y te vejo..

y não sei onde você está
sei sem saber,
que você É

não. não sei,
sinto

então sorrio
para a promessa que me veio

artesãs

eu tiro seu colar.

nuas de nós,
as pedras gemem
[também]

cura

corre sob meu peito
amadourado

uma fenda
que só teus dedos
alcançam

das cicatrizes eternas

lembro a noite
que o tigre te atacou

por um segundo
não era o tigre
sob as águas
era um peixe

vivos porque você sabia salvar
y nadar

energia

é como o mistério do percebimento das coisas. quando sinto uma nota vinda do piano quando ela toca y me olha como se estivesse me vendo pela primeira vez. ou quando toco sua mão, quando beijo sua boca. eu diria muitas coisas que acontecem quando te beijo. sobretudo quando te beijo no banco em frente ao piano. são tantas cores y formas. eu diria que um sol entra na sala y que os raios atravessam a nuca dela y das costas (sempre as costas dela) saem um tanto de asas y pássaros y muito do que não sei mas que me encanta. é como não ter pés y imóvel caminhar com outra coisa que nunca o que É. é como não ter olhos. é como um viver de cores aplumadas em si mesmas entrando e saindo de todos os nossos corpos, dimensionando o som numa transa invisível..

é assim quando te vejo ao piano:

as coisas somem
e tudo existe

um absoluto

feito um vermelho excitado
sangrando delicadamente
louco

feito eterno.

                             feito um sopro...

de alguns todos

o tempo
é só o tempo
quando estou com você

 y ele pode ser 
ordem
futuro
momento

porque o tempo, quando estou você

                               ele é Nada
                                 y inteiro

terça-feira, 4 de abril de 2017

do fanstástico mundo das coisas de nós

se a sua cama falasse
ou se contassem os lençóis sobre o mundo dos nossos lençóis

haveria em respirar
uma realidade sobre asas se colando

haveria um dizer da noite em que dos teus seios
me saltaram duas serpentes se enroscando nas minhas coxas

da noite ainda que
os teus olhos me cobriram de uma fênix aguda
fênix-mãe/ não renascida
fênix primeira-filha - n a s c i d a
preparando sua primeira morte
sobre o meu corpo

e se tudo isso se nos contasse
seriam verdades
de uma presença infinita
do infinito que você me causa

sob o pano de fundo de asas de dragão da nossa ausência infinita
de estarmos longe
y Toda
seriam verdades que não sei
se me voam ou se voei..
mas existem
quando te olho
y só te vejo

do quando / em quando

são tantos pássaros
voando ainda das nossas costas
desde que...

foi assim o dia que te encontrei
dois nomes num de voar os voos
y os pássaros se bicando
se querendo
se voando
se beijando

foi então que o tempo descartou o cinema
as horas nos escorreu para o ponto
embriagadas

há um algo de inevitável
em ter te encontrado

um que me colou ao seu beijo
um que me voou de mim
um que não me silenciou os passos
de te voar
voz ar

sinto forte essa prisão
de te vou
               ar

ela

teus dedos me escrevem poemas
de dentro
do que eu nunca soube

escrever é este escuro
indo y vindo
                    a procura de
                              teamo

até logo

se desenho infinitos nas tuas costas
é porque não sei do que existe

sei que tuas costas tem pássaros
que me voam
y eu Voou..


posição tigresa

se te procuro sob tua cama
y solto os meus poemas
é porque não entendo o farejar
y porque infinitos
eles me-te
caçam

então salivo sob tuas costas,
bebo o néctar que...

y não importa o que existe de olhos abertos
é sempre de olhos bem fechados que te encontro

te Escuro y mordo
 y do que é garras,
abraço

é um possível de nascer mudez
grrrr rawn
é um possível de infinito...

você já viu uma tigresa rindo?

ela deixa marcas,
                              mas sorri...

então fecha os olhos
y vem também



quarta-feira, 29 de março de 2017

de quando me roubei de ti a tua boca

sinto tua boca
sob os desertos de mim 

te recebo em dança
sob meus desertos

... há um som em passos de vento...

desejo de tecer esse abandono
a matéria fugidia,
chegar em você
sempre a tua boca a me dizer que a minha boca é linda
que.. ah...

esta solitude..
tu y yo, 

os olhos fechados
um tecer de abandono...

sinto o amor onde existem apenas sua boca y eu-desconhecida.. sua boca que beijo y beijo y beijo y não me canso de..

y eu me banharia no rio do teu sorriso. este mesmo rio que ontem chovi inteira. você me dá um infinito nos olhos. você é isso: um infinito que se instalou. entrou nas minhas manhãs. invadiu o meu transe geométrico com esse mesmo sorriso que ontem eu acordei mordendo.

desde que fizemos amor sob a sua janela, adiando qualquer abandono de morte. 

me sinto dançando sob teus lábios
imagem que não se vai

y eu dançaria
sob teus lábios
a oração que aprendi numa vida passada,

oração da chuva.
ao som de almas.. 

aos giros
alcançaria as notas dos teus dedos 
no corpo
em que piano

então você lê partitura de almas?

y a vida me responde
She

y um eco de sí..

quarta-feira, 22 de março de 2017

dois infinitos y seus lugares

demora um tempo
y a gente aprende
que
Lumiar é também
um dos lugares
do amor

[a nudez da Fé]

sinto meu olhar
um desfolhar de
piscadas exigentes
sem cor

desejo de ver-te além
dos pássaros do poema

verter os sentidos
as muralhas derramadas sob minhas pálpebras fechadas

sem nome
esse revés re.vela.do
[tua vinda queimando a fotografia
das minhas costas enquanto te revivo aos piscares]

miro o desconhecido da sua pele
quanto corpo sob o não-corpo
miro o que não se revela

sua folha nascendo sob meu poema
o papel do teu nome
rasurado na altura do meu desfolhar
a tua boca murmurando o silencio que se instalou 

a vértebra macia que se estica do
invisível
sob meus olhos fechados de tanto 
te olhar

te olhar: essa procura

y como se me coubessem azuis
acreditar no tempo vermelho

este templo sussurrado em estrelas no céu
uma luz seguindo o vazio
y segurando-o em existência imaginária
eu-jupiter-plutão
sem perde-la
a sussurrar nebulosas
enquanto escrevo

esta chuva ainda nos meus olhos
enquanto chove no meu quarto

y ainda que te perca,

soprar mais este
te-amo
entre as galáxias

sob as gotas que se desmancham em 
novo infinito
ainda que te perca,
piscar uma única
      nua
vez

metricamente nada

ainda que o caos me absorva
de novo
y de novo 
desfolhar-te-me

y levar ao infinito
a palavra-lugar
donde vives segredada

infiniteza
é o nome que te tenho nos dedos, escorrida como um banho que me batizo]

promessa: os meus olhos tamborilam
o tempo
como se te perdesse para te encontrar

ainda que te procure entre as pedras y folhas y fomes
peço
que não venhas nunca,
para que eu te encontre
no céu de alguma 
de alguém
de  

segunda-feira, 20 de março de 2017

despidas de inferno

asfixiada,
você procura o escuro
no meu rosto

aquele antes
do meu nome

y você pergunta se vai passar essa luz
que percorre seu infinito

y se eu disser que
depois dos meus dentes
existe uma mordida
y que teu nome está gravado nela?

dentro: iluminuras, cais, caos, asas
um pedaço do seu vestido azul
endereçando as rodas que fizemos

se eu disser que quando você me olha
é o escuro que me acendo

um sol em áries alucinado
enquanto
a marca dos teus dentes
transcendem também
sob minha pele
nua

y se eu disser que quando me olhas
é a mim que te olho
y queimo..
?

segunda-feira, 13 de março de 2017

lua

porque há
sempre uma nova história
para ser contada

num novo bordado de vestido
ou numa flor debaixo
das pernas

há sempre um lua cheio
para minguar na
boca

y hoje eu sou
ela

domingo, 12 de março de 2017

fotografia vampira

quanto tempo dura o delírio?

as costas nuas
tuas lentes me fazendo contato
os dedos vivos
os dedos atravessados sob
o tempo da carícia

[caminante de curvas]
que curvas da estrada de nós nos levou pra Longe?

ainda me
chove por teus dedos?

aqui, essa inundação..
minhas pernas em porto
meus vestidos sempre chovendo das costas
molhada
à espera
dos teus sempre dedos a me perpetuar tempestades

essa demora
da tua boca na minha
essa demora,

antes na foto p&b
alma acesa em vermelho de você
pulso ardendo
minhas chuvas todas se chovendo

corrente elétrica
metricamente fotografada

costas nuas

meus olhos baixos
sem você

num cenário imaginário
em que ainda chovemos
enquanto a marca dos teus dentes
                                                         me some

quinta-feira, 9 de março de 2017

espalhadas

as pulseiras
que se enroscam
transmutam o mundo
das miçangas
solitárias

y quebram
porque tem uma ordem
de ser
juntas

quarta-feira, 1 de março de 2017

meus passos embaralhados de
arco-íris

tua presença
céu.em.cor

teu nome de cor
no meu sobrenome poético

escorrido sob a lua
que cai na boca
do rio
y integra magicamente
os componentes
insólitos
do meu silêncio

teu nome, girosas vezes
cigana,
compondo um beijo
no meu desejo

um beijo que vem
do tempo
esse em que não nos tocamos
ainda




o caminho sul do teu beijo

existe o rio
que começa na sua boca

y bica

até a minha

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

encontro

um porão
me habita

eu que não habito o porão faz tempo
que conto estórias de fora
que planto flores nos olhos dela
que me plantou um sorriso

ela que me lançou duas ondas
y uma terceira no céu
da boca

elétricas, minhas mãos vão pr'lá
pr'cá
como se fossem dela

enquanto me borda infinitos,
o meu ventre transborda
poesia

ela que teceu cores, sabores
y meu escuro se abriu em...

ela que traçou a rota tecno
xamânica dos colibris

voo entre as estrelas do seu nome,
o caos que mais não sei
e quero olhar

sábado, 18 de fevereiro de 2017

da lembrança..

eu que tenho um frevo
no peito

y revelo
essa dança não é sua,
é dela

das fases

a primeira vez que vi um morto
ele estava vivo

terapia

depositou duas pedras
no meu chacra inferior
y soprou

ali nasceu uma história
que se me
escreve

da tentativa de conter um buraco que..

há um buraco em tudo o que vejo. um buraco que não é solidão ou morte e faz mover. há um buraco, y mesmo que eu esteja triste, ele continua lá onde eu não acesso. difícil respeitar essas regras de linguagem, quando o peito infla a falta. porque existe nesse buraco que há um tudo, uma falta. falta esta que não sei e nunca se soube onde começaria. nunca ninguém disse onde se começa uma falta. seria como dizer onde se começa uma foda, porque a gente sabe que nunca se sabe e já está lá fodendo. depois a gente se fode e tal. mas é sempre essa falta no meio que dá num buraco que é como um orgasmo em tudo quanto existe Nome.

acendi uma vela, respirei algum tempo.não sei o que respirei vela.. uma chama se acendeu no meu peito, e não era ela. o buraco se faz presente.. escorre sobre as chamas do meu corpo que está molhado porque eu na verdade acabei de sair do banho e ainda estou molhada com a cena de sense8. eu não sei, mas parece que quanto mais a gente vai entrando, entrando entrando, mas a gente vai saindo disso que é nada. é como sair e querer estar limpo ou com alguma coisa que dizer disso tudo. então é um fluxo pesado onde não se tem narrador ou mesmo eu lírico, então as palavras se tornam elas mesmas o que deveriam ser no tempo de uma foda em prosa como se estivesse rasgando essa tela em mil e um pedaços de incompreensões que nada se parece com vazio ou nada, porque na verdade está se fazendo corrente infinita de ilusões e que na verdade se fosse mesmo uma ilusão ela nem teria sido seguida de uma verdade que nem é minha ou da minha voz. porque por mais que a gente fale da porra do buraco, o buraco nem é porra. ele é flor germinada de caos que quando nasce nem nasce, morre e vira estrela que no fundo bem no fundo não é estrela nem flor nem da terra nem do ar y nem morre. esse buraco é da aflição do sem nome, é de um não sei inexplicável que mora nele mesmo. então que ele é isso. é isso mesmo.. y vai continuar sendo.. ele, absoluto que pode ser um tanto dele mesmo: absorto. mudo. quando ela, majestosa ou apenas Vida.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

do profundo céu

magia pra mim,
é o que você é capaz de falar,
não de si,
mas do outro

e se o outro for um cometa verde
y tiver estrelas no meio,

é esta magia que quero buscar,
rodeada de um dourado absoluto de escadas

porque eu não acredito muito na racionalidade inteira
ela sempre escorrega
para  a Fé

e é só a Fé
que me rasga o ventre das ideias
o ventre das cores
y o ventre
y fecunda minha poesia

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

chove no meu silêncio [infinito]

escuro é o porto
onde entrego o pico
de mi locura

sei que estão verdes
as nossas manhãs

sei que colher 
é o fruto do sorriso
isso que não se busca
[isso que acontece, y acontece]

então espero
numa chamada de vídeo
a tua vinda

o nosso despertar

recife aberto
para decifrar os desejos do toque
o toque íntimo
das gotas que me caem
enquanto te escrevo

do desejo

desejo de bailar
mis lluvias
sob teus girassóis

corpo dourado, sorriso marcado de
sol

desejo de tecer
sob as horas
um destino-você

tecer sob minhas mãos
os teus dedos

atacar os destinos
una vez más

hay en mi,
pedaços eternos
de ti
                                 cómo gotas
                                 partidas de tu intero
de teamo

cómo gotas
por gotas
en gota

para ti [chove no meu vestido]

existe um fluido do tipo loucura ascendenciando o teu corpo metastasiado. corpo cometa, de estrelas vermelhas adicionado ao meu aquário. y eu poderia te chamar zebra, mas das listras todas, nada acompanharia o teu nome. o teu sorriso sempre colado à loucura do que vejo desde..

tomo um susto,
sua mão me aquece sob a taça de vinho

eu não estou aí,
mas e esse estar permanente nas coisas que vejo?

2 horas de distância do meu tempo
no seu
do seu no meu

é espaço suficiente para vivermos histórias
juntas
no tempo sagrado da nossa ficção

então tiro os sapatos
aparelho o Zoom dos teus olhos nos meus
entrego a chave do meu quarto

y você a brincar de mim

[não estou mais sozinha, é certo]

existe você em tudo que vejo,
desde as 2 horas até chegar na tua
os astros as tempestades as magias o vidro do carro
as sopas os quadros com tuas cores escolhidas

se lisboa fosse aqui,
choveria na minha boca
o tempo de duas horas
tu, romeu
y yo mexicana

meu vestido molhado tem o nosso tempo
reverso

chega e tira de mim este peso
eu te entregaria o porto
mesmo sabendo que ele é
daí

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

você

tem na boca
a aldeia
da minha vida
futura

él

volto a arder sob teu corpo. corpo-fosso
que não vejo

corpo metáfora
aberto às cicatrizes do tempo

volto a me debruçar sobre o corpo.
ele, calado, me transita como seu me fosse,
eu dobrada sobre a carta-corpo

escritura silenciosa
morena

arrepios me cobrem e não sei dizer se sou isso que
se diz corpo

só sei dizer que
ele é

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

amor

hoje li sua dissertação. você me sangrou. foi a febre da minha vida. encontrar com tua história nas margens "hay que no tener miedo".. eu passaria todos os dias colada à tua voz naquela porta. todos os meus infinitos contígo.

recebo teu abraço. rasguei o cartão postal que só chegou 42 dias depois de.  mas hoje eu sinto uma ternura por você. eu vou colocar aquele vestido preto y vermelho da tua presença. aquele que você gosta quando eu giro sobre você.

y eu entraria en puebla.
rasgaria teu asfalto
bagunçaria teus cabelos escuros sobre mim

até que você ceda essa magia
essa magia que você aterrou voos
nas minhas pontas

onde tudo tudo tudo se faz desejo

pecado



segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

sábado, 4 de fevereiro de 2017

posição Fé

ela,
sempre em posição Fé,

sussurrava teamo
só para me ver gozar sob teus dedos entrelaçados
en mis siléncios

dentro, pescou dois
ou três pedaços de céu
y chupou

disse que tinha gosto de trovoada de riscos brancos
y relâmpago

coisas que logo que lembro, esqueço
porque é tudo muito rápido quando se ama

parecia a minha morte:
linha tênue, rabiscado de um florido imaginário de teamo no meio
[era talvez a minha morte dela, de novo]

sussurrava teamo
morte y tempo para  a morte tínhamos também
sussurrava
sem parar, sussurrava umas securas e depois me molhava

só para me ver gozar sob teus dedos entrelaçados no meu desejo

ela se fazia mar

meu corpo tremia
          em oração
                         sempre em posição Fé

essa em que nos esquecemos em outro..

do desejo

a língua que saliva
a fome

é a língua que me mata
o beijo

sem demanda

caminante,
soltava o barbante sem nós

soltava, e ele se misturava
a ele mesmo

nossa história livre de nós


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

chove na minha boca

apagaram-me as labaredas do teu nome

chove na minha boca
y gozo suave
sob o lençol vermelho

também chove na minha janela

ela escorre os cabelos sob meu rosto

é o único escuro que não
tenho medo



chove no meu quarto_ abertura cósmica

chove no meu quarto

a maçaneta parada
sem nenhum ruído que girar

o teu nome mudo
horas que se apresentam
de porta trancada,

passos invisíveis
teu nome de novo
apenas na minha memória sem som

chove no meu quarto,
y sei que
a tempestade sou eu

chove e está tudo seco
bambuzal de raios nas minhas pernas

me cumpro,
sei que chove no meu quarto..
enquanto durmo

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

chove no meu quarto _ II

chove no meu quarto,

o teu sorriso nu
me puxa para um beijo

é o tempo da nossa felicidade

fora de casa,
a onça me observa
entre as manchas no pulmão do meu poema

a espera de um ataque
poético

ela sopra uns versos

eu rio

chove no meu quarto,
y agora é você que me come
o riso

invasores

foi então que meteu dois dedos 
sujos de poesia
      en mis ojos

pisquei três vezes, [quantidade exata para expelir metáforas

entrou apenas a verdade das unhas:
arranhoso sincero
travessia de lágrimas que nunca vieram..

transitou chuvas
desertos,
              encontrou no pico duas nuvens enraizadas

na altura da tempestade,
um sorriso
depositou um poema mudo: teamo
em azul
foi então que viu que dentro
não me era dentro]

me escorria um méxico
[enquanto isso]
voo escandalizado de giros:
                                        pérolas desencarnadas em vermelho.
bailado de niña
no esconderijo bordô
volando acerca de mis heridas
girando girando girando..

inexatas,
me mora aún la niña
que tiene de mi todos mis de dentro

tiene las rojuras
[herida y cura]

não esperou muito..
puxou os dedos de volta,
sem nada que poder levar,
chupou os próprios dedos:
                                      minha ausência
                                    esta presença em tua
vida

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

a primeira vez que choveu no meu quarto [ou quando o seu sorriso invadiu o meu sonho]

a primeira vez que te vi, você não tinha vindo ainda. era noite e a estrela tinha algo com o seu nome, mas não era morte. era noite, e eu dormi. foi num sonho. a chuva correndo sobre o meu quarto sem flores.. teu sorriso florescendo até amanhecer comigo.

quanto tempo mais
até o recife
dos teus lábios?

eu te mandei um buquê
de imaginações

você me respondeu o banheiro branco,
seu batom vermelho
a câmera escorregando junto à toalha branca

quente a água do desejo
que me banho

y tua chama se prende ao meu café
e acompanha o dia
enquanto te escrevo

a primeira vez que te vi,
eu não te vi
y foi eterno

chove na minha janela

chego a imaginar
quanto em cada pingo
tem da tua ausência

a janela manchada
as gotas sempre indo embora,
secando

como um de você
na nossa história
dizendo que não vai,
não vai 
não vai

mas Vem

miro a janela,
e não existe lá fora

há um como
de você dentro
que não seca

meu corpo é só tempestade
em anúncio de fé

chove nos meus dedos

chove nos meus dedos

y é você
con el deseo que se me

escorre..

chove na minha varanda_

deixei de colocar migalhas de pão,

chove na minha varanda,
estico meu corpo e deito em oferenda

não quero teu regar,
espero suas bicadas

chove no meu quarto_ [y eu lembro]

foram dois
os tropeços
antes de chegar à sua boca

agora essa constante chuva no meu quarto
e o seu sorriso
que não me deixa esquecer
porque você veio

derramada,
como um beijo em minha boca

banheiro branco

a toalha
caindo sob o chão

lembro o segundo
que te trouxe

inteira.

chove no meu quarto_

chove no meu quarto..
é meia-noite

sinto um bailado
de vento sob meus lábios entreabertos

[es el cielo de mi,
este poema]

vejo as memórias balançando no varal
secura de sueños
metricamente esticados
sobre el tiempo
o meu contratempo

y me perguntas: cual es
el tiempo ahora de cair retilínea sobre tua boca calada?

te convido
destinada,

giro
y tu me giravas como quem sente as minhas danças

de olhos fechados,
nossas mãos se esticam sob o varal
[del cuerpo.. siempre de mi cuerpo,
tus manos de esmalte gasto]

 de olhos fechados
tenho entre as unhas
 gotas do teu suor

a fantasia faz morada
onde você não está

sendo nada,
[desejo de ser chuva
este nada]

por uma vez más
derramada em mim sua poesia
eu me debruço
sob teus nadas

te nomeio cálida carícia
de mis oscuros

como calidas escorre-me
a saliva

vulcânicas,
esperando passagem

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

armadura

metal raro
facilmente diluido
por poesia
y ideias

[desconstrução do mundo chato]

tua boca
tua língua
teu ventre

abertos
sob o toque raro
do poema
porque só o meu poema é a alma
que teu corpo respira

farejo,

sinto o gosto do gozo
en espacios de infinitos que trocamos

por la noche, niña
es que te voy a escuchar siléncios

[en la noche, siempre.. - amanhecidas-
y nada más]

lindas

depois de você,
tantas histórias

que vale a pena quedarme
sem as
tuas

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

sem peso [do indizível]

traçou rotas
no que era vão

mãos de descobrir teamo
nas costas

nas minhas,
encontrou a braçadeira
grande relógio branco esticado em touch
líquido sob o vão também das asas
tic tac

dali,
deu dois beijos e foi embora
ordem dos ponteiros íntimos de mim

piso com cuidado
esses traços
invisíveis

de onde eu vejo o mundo,
as raízes do nome se escreve nas costas

não gosto que fiquem muito,
só o tempo exato do que é o tempo
do beijo em beijo

da noite sem lua

nada contem a força
de dois olhos fechados
infinitos

                  se atacando

acidente

disse tubarão,
isso de esconder embarcação
nos dedos

eu disse que
ainda estava sem mar
o vão entre os dedos
da vida

y pode ser que um
viveremos
o naufrágio

deliciosamente
separados
porque assim inteiros

inconsciente

pode ser que eu te chame
num poema

onde você não está

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

dois lagos escuros sobre a caixa voadora

foi então que a caixa começou a falar comigo

abriu uma
dua
três asas

suspensa,
a quarta segurava duas rolhas
com um pinto no meio

ela lambia gostoso,
o resto de vinho da nossa embarcação

mas me olhava

[eu fora]

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

melodia do abismo

o abismo sim canta..

sinto o gosto de um abismo entre nós
como uma travessia de infinito
no meio dos nossos olhos calados

sua boca muda
seu vestido gasto de poeira
das nossas areias que ainda não se foram
porque os dias sempre seguram os nomes e as vindas

suas mãos tocando o piano
seu cabelo sempre em fogo
lembrando junhos sob meus ombros

sinto que o abismo se estica
o silêncio,
as horas
as músicas amarelas

temos ainda tempo?
no abismo tem sol?

não sabemos

aqui,
jaz a vida cheia de nadas acumulando nossos absurdos,

não te ouvir, não te falar bom dia
não te saber

morrer é viver o absurdo

o abismo traga esses indizíveis,
o abismo que não é morte e canta

mas pode ser que o inferno seja mesmo isso
de te ler,
e não te cantar;

como arder o seu nome todos os dias,
sem nenhum bom dia

la niña

te amava,
mesmo te odiando tanto,
te amava

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

mordiduras

nunca encontrei amor assim:

que se apaixonasse
por minhas fomes

poema vermelho

] reverso ]

há que voar de ser nada
sob teus próprios
nadas

para tecer na pele do sem nome
o cacto pólen de

tudo

àquela que VEM

mas me reconheceu
sob a fúria chuvosa
de uns sorrisos

kiirtan

lluvia
sonrisa
poesía

encuentro
de dos cuerpos
[tríade]
eternos

tempo


a língua segue
as curvas do tempo

molhado o corpo da palavra,
é o tempo da chuva
ensurdecedora os passos
língua girante,
o beijo que não se vai
que morde
espera

diz que é tempo de ficar,
y secar
las securas

diz que é tempo de lamber
as feridas

promessa

eu limpei teu nome
do meu peito com uma pedra
branca

três dias no meu altar,
mandei que te levassem para o mar
para o céu, para a terra

para o momento nada
de sua mais linda chegada

acendi vela
repeti 3 vezes que você é dali
de onde começaremos de novo
a reconhecer magia

dormi
acordei molhada
pés ensanguentados
pedra esparramada em todo canto do meu quarto
perfurada em toda ferida
EU
vermelha
VOCÊ
coberta de sangue,

você-eu
eu-você..

e não importou o que eu tivesse dito,
existe o que a alma escreve no lugar
do teu nome

y existe esse desejo que
eu quero que você se foda-
me

porque o nome
escreve FICA.




para chover de janelas bem abertas

me demoro no escuro do seu rosto
as mãos soltas
aquela janela encarcerada sob minhas costas
pesadas as cortinas dos meus sonhos
abertos

um surto me suporta,
o escuro
a sombra
o teu ventre derramado sobre o teu corpo ferrado

para onde vão as cicatrizes meu pai?
para onde vão os muros?
y as reticencias dos vestidos
sem encontro?

entrelaço os dedos sob o vento do meu desejo de ser nada
subo
desço
meto a língua pra fora
tomo uma gota
me alimento de lágrimas

de manhã acordo
tomo um café
e escuro é o meu rosto sob a xícara clara

chove no escuro,

molhada, não sei mais olhar
o teu rosto sob as máscaras da vida
tua imagem se parece com uma árvore morta

y o teu nome é escuro
raiz,
que na próxima vida
hei de ver nascer em mim

tal
vez

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

ficção

você é um efeito muito grave

sem vaidade ou realidade
sem jeito ou vazios
sem escrita ou pintura

porque você é um orgasmo

nasceu
morto entre os dentes

y eu te cravei minhas unhas
sem esmalte
mas vermelhas..

para sentir se
é também um possível
de real entre o amor

molhada, escrevo esse poema
seco

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

desencontros eternos

é o teu corpo
pintando em mim o teu suor
que eu quero

os ares disso que não vejo
registro de gotas
sobre a pele muda

um risco não é só 
um
      risco do teu sorriso

y eu quero te amar
com esses traços eternos
no meio

rabisco itinerante
presença do nada
que você ainda
é

estar

tua boca,
minha memória

escodidos,
os pássaros anunciam retidão

não há céu
onde o céu está,
porque o céu
não tem

nome

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

mortes

para além dos silêncios, um presente
escritura de palavras inexistentes
sonidos de mudez alcançáveis

inóspito,
el cuerpo
responde en lágrimas

o peito enrijece

coração tranfusado no canto dos olhos
fantasia
memória
solidão
vida
pisca-se e também se morre

para onde vão os trilhos?

a estação morta
habita meu pensamento
a luz fotografada no momento exato de um nada

o trem diz
que é O tempo da travessia

nua, choro circular
entregando à vida meus avessos

domingo, 1 de janeiro de 2017

tempo

se tivesse eu
                    o tempo das garras
sondaria métricas de escuros
entre os ossos

diria que a vida é açúcar
cristal de estrelas
mel y abelhas
entre os nadas

diria que o sol cabe melhor
nos olhos fechados
y no calor dos corpos
diria que é no corpo do outro
que se amanhece

sobre as pernas do outro,
eu atravessaria minha língua
a procura do nada que o habita
idas e voltas,
porque é assim que se fica
pra sempre

eu sondaria milímetros de mortes
até que enfim um sussurrante ah...
de vida

porque se eu tivesse o tempo das garras
ele não seria meu...
ele seria todo meus olhos sob teu universo
reconhecido,
porque nunca se encontra o Eu em si

é sempre no outro
que se realiza o amor

porque é sempre o Outro,
              Eu

então se eu pudesse o tempo das garras,
elas seriam silfos ou fadas,
porque o tempo é só o tempo
que cabe no espaço da minha língua no pescoço da poesia

porque as garras são só dedos
y unhas do desejo que nunca soube falar

porque lá fora [dentro demais para que eu o reconheça]
há sempre uma estação nova
anunciando travessia

...

como dizer que
eu não estou criando
que dor não é ficção
que
você se foi
mas antes se fez feixe de luz no meu quarto
e nós brincamos de
encontro de novo

você escrevendo no ar um adeus
um abraço,
y pétalas caindo sobre tua cabeça..

como explicar
amorte?

para minha Tia [com amor y desejo de Paz]

os braços abertos
as chaves no sofá
a almofada de gato
o chão vermelho antigo
sem cera

teus braços sempre abertos
meu allstar de colocar moedas
tuas mãos abertas
teus dedos me prendendo na vida

não pode correr na rua
não pode pular daí
você vai cair
daí pode pular
voa, pequenina...

teu sorriso aberto
tudo bem, pequena
teu coração aberto, 
vamos para lá, depois voltamos

as facas ensanguentadas
os furos na parede
a minha cama desarrumada
meus sapatos perdidos

que horas são, tia?
já chegou?

teus passos ainda correndo para o meu abraço
as férias,
as feiras de bonecas de pano

você dizia "pequenina"
como se eu ainda fosse aquela gigante
você disse sentir orgulho de quem eu me tornei

y tudo o que houve é que eu não pude mais errar os sapatos para você consertar
eu não pude mais correr na rua atrás de bola, para você me chamar
eu não pude cair, sem ter essa boneca enfeitada que sou a me distanciar..

porque não pude ser mais aquela criança,
e talvez eu tenha perdido o dom de te ver assim
também

então voa passarinha,
voa para os braços do céu
voa para os traços das ruas, atrás das bolas coloridas
arruma aqui perto também os teus sapatos
que todo o Seu amor É Seu...
Meu
Nosso

eu te amo, 

y só cabe agora
essas duas desarrumadas que somos - pequeninas - 
só que agora entre o Céu
y a terra