segunda-feira, 25 de setembro de 2017

cartão postal

recebi tua letra,
escritura de saudade

tinta preta
estremecida no fim do verso
o S das tuas costas
me trazendo florestas-
 plurais

amoras
primaveras
equinócios 

a minha saudade
relembra tuas mãos em S
cadênciando coxas
seio
num dizer amor

a minha saudade
se faz verso
calado

distante das tuas manhãs,
só a tinta sabe da tua ausência

tinta que recebo seca,
mancha inexata num papel cartão
duro
seco

que eu insisto em mim
que vou guardar..

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

terça-feira, 19 de setembro de 2017

tu

tua língua:
esse som de trilhos de trem
que percorro
de olhos fechados
silenciosa

y me sei infinita

presença

nem bem falo de ausência
y meu peito infla
da tua presença

é que eu sou romântica demais
para te colocar num aquário

então o mar é aberto y infinito

y eu vou jogar a nossa garrafa
como quem põe,
certa
o nome no incerto infinito

vou jogar, como quem joga confetes

você saltou,
y era a única esperança a qual
eu não poderia viver
sem

liberdade

como alguém
com asas nos olhos?

essa tua mania de me olhar
liberdade

essa tua mania de fome
em partir

eu te escrevi um bilhete
marquei a página secreta do meu livro preferido
ouvi tuas músicas preferidas
li teu poema mais secreto

abri tuas pernas,
como quem abre uma janela que estivesse sempre trancada
y me joguei

essa, de todas as mortes,
a mais feliz
em viver
da tua ausência

beleza

você, metade cobra
metade felina

inspirada,
todas as vidas
a me inspirar
poesia

o seu

eu quero um beijo,
delicado beijo
donde vivem todos los silêncios

eu quero o beijo,
estrondoso beijo,
donde moram todas as muralhas

eu quero o beijo,
de todos os teus olhos fechados

o beijo sonho
o beijo poema metáfora de língua
o beijo amante
o beijo-danza
o beijo café da manhã
o beijo horizonte
alamedas

eu quero o seu beijo,
roubo de versos mudos
eternidade daqueles agoras
que continuo
sentindo

imensidão

miro o sol
atento
aos sentidos das pedras

a morte do que foi
passando de boca em boca
agora
o céu azul

vazios,
essas alturas de encontro

agora vazias
as minhas mãos das tuas

tua pele nua
imitando todo som
me lembrando qualquer
tua pele nua..
feito pedra

tua pele sempre
nua
sobre a minha

sinto por dentro um efeito de alturas
de pétalas de rosas cadentes

onde folheio com a ponta dos dedos
folha por folha
até virar
memória
este poema

onde, cheias,
minhas mãos
te alcançam
imensidão

sábado, 9 de setembro de 2017

la niña con alas

en el amor
cabe tudo

penas
engrenagens
ódio
amor
passagens
travessia
salto
labaredas
chiclé
danza
s'
t'
sorvete
plumas
barragens

mas y se en el amor
couber mesmo
isso de
trilhos?

recibo el amor
com mis ocos
entre las
piernas

terça-feira, 5 de setembro de 2017

confesso

de todos os meus amores,
sempre levei algo
além do amor

calcinhas
colares
pulseiras
aneis
vertigens
palavras
metáforas

me chamam
cleptomaníaca do amor

mas só de você,
me causa esse espanto
de roubar as tintas
de todas as tuas canetas,
ainda mais as vermelhas

já que não posso tocar os gestos
mudos
onde 
calados,
seus versos
me incendeiam

lembra?

chorou

depositou as gotas
na xícara

pegou um cigarro
fumou

disse que era pra gente tomar 
depois de foder muito
até nossos corpos suarem

y que, agora,
tomaríamos numa taça
de brinde "encontro"


reza

existe um templo
no de dentro das tuas saias

onde brotam
maravilhas
que sempre volto pra tomar

cálice-
va
gina

gotas
cadências
fuligem
pólen

iluminuras
que só se encontra com a língua
em reza

ave
...
cheia de asas

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

ponte

eu te olhei de novo

essa travessia
carrega um tornado
entre as entranhas
da ponte

a travessia desse desejo
tua língua cifrada dançando ondas

a espera desesperada

tuas mãos a me escrever
méxicos

uma curva em 
           s
nas tuas costas
me dizendo que no chile
fará sol

o batom vermelho
depositado num poema

teu nome deslizando
)todotempo(
nos meus dias

penso a travessia
como as nuvens dissolvidas
na minha boca,
tuas viagens em mim

meu cabelo molhado
o banho da olívia
tuas mãos com anel
de chiclé

as palavras sem nome
com que busco todos os dias
em mim
o teu nome

travessia travessia,
um lugar nenhum
imensidão
um lugar nenhum
onde você mora
macieira 
morangos
colibris
cascatas

os poemas
essa morada
em 9

a tua eterna voz
nos sons da vida

por que você nunca vem
quando te espero?

vens sempre
terremoto
tornada
invasão

de passagens
compradas

vem toda sendo
esse vulcão que já tenho
há tanto tempo no peito

esse meio
onde eu paro
y não quero saber
nunca mais de início ou fim

uma travessia abandonada,
em amar

.

somente
teu sorriso
me explica de novo
isso de alma


poema-pele

é também na pele
que o poema
respira
aromático, 
o tempo
se estica em infinitos
os pelos
arrepiam
na pulsação
da poeira da paz
é também na pele
que se me escreve
o poema
você
y ele voa
pelos
tateio com o nada
esse meus
seus absurdos
é no poema que a pele
ecoa
tuas mãos
teus dedos
é na pele que a pele
respira

poesia

de quando fui demônia

era noite
tua boca se insistia na minha
teus dedos
tua fantasia
eu pedi pizza
fiz beijinho
dancei pra noite
fiquei nua pra lua
já havia falado que você era noite
sorrindo p'ros
teus olhos de lua
você não se sentiu dentro
foi então que você quebrou ao meio
a minha fantasia,
y se não fosse um poema me tocando
eu não queria
y não quis
naquela mesma noite eu
um par de chifres de búfalo
um corpete preto y vermelho
fez a sinta liga estourar
foi então que um vulcão
te engoliu
y se manifestou

domingo, 3 de setembro de 2017

sob teus olhos de mar

tentei ouvir a mutação fresca
dos teus olhos fechados

ouvi formas
geometrias
lágrimas
ondas y suas sedes
anatomias

ouvi escurosos olhos fechados
desejos
tradução de uma canção antiga de futuro
de beira de rio com flores
de ondas espumosas
de quebranto dos meus versos

vestida na minha nudez de raios
elétrica
eu fugia do céu para tocar
o teu som
enquanto ouvia também o barulho
em que eu me caia de você

sem cor,
ouvi lágrimas circulares
águas girosas pelo salão do
teu rosto
y ouvia mais y mais
o escuro dos teus olhos fechados
tecendo esses indizíveis
(sempre do futuro)

ouvi o som dos pássaros que às vezes parecem as tuas pálpebras
fechadas
[y eu queria que elas
se abrissem ao me ver]

ouvi ouvi y
era inteiro abismo
este som enquanto chegava perto
y mais perto..

tudo o que ressoava
era teu som
tinha a sua infinita
assinatura

[olhar é um voo secreto
que só sabe
quando não se sabe nadar]

ouvi
teus olhos de tambor
infinitas asas
piscando piscando
me puxando
numa dança sem volta

feito o mar
era um som mar
depois de mais uma onda
y
me puxava
pra dentro
pra fora
pra dentro
pra fora

eu até então inteira tempestade
percorrendo a corrente fresca
dos teus olhos fechados

[foi então que soube o que estava ali pra saber: toda tempestade quando cai
já é a
mar]

então de novo os teus olhos.
este demônio nos meus ouvidos

a tempestade escorrendo do som do meu peito
y o que não se pode fugir
mar

então cores y  sons
 outras vidas
sim, outras vidas
futuras
o que não se podia ver
estava bem alí
onde não se podia ver

ouvir o som dessas cores
o som das tuas águas salgadas
ouvir o som Agora
a
mar
mas só se podia ouvir o
que era alma

parada no precipício
de um verso: o teu olhar ainda
fechado
indo
voltando

eu-agora pele
perfeita gota de uma tempestade
puta

a vida que piscava
piscava
piscava
depois fechava a janela
y eu ouvia tão bem esses indizíveis
um som janela
um dom cortina
acrobáticos sons

teus olhos me pescavam

duas vezes o mar dos teus olhos
anunciou minha chegada

num som anzol
de lenços y lencóis

duas vezes o som onde eu
morria

tateando teus abertos
escuros

eu-laroye
som linha tênue de um raio,

tempestuosa,
lembrando apenas o caminho
 sonoro do mar
teus olhos


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

de lá de Longe

se eu disser que não te amo
meu coração acelera
em espanhol
em hebraico
em japonês
em polonês

porque se eu disser que não te amo
eu falo desta
vida

y ela nos separa

continental,
meus pés pisam poças
de agora

enquanto tua blusa
avoa no
varal das nossas vidas

la double vie

tatear
o escuro
y de escuro em escuro
encontrar a luz
escura
tatear a luz
de luz em luz
encontrar a escura
luz

nodo

era ela a mais nua
que havia
tocado
vestia uma capa
invisível
vermelha
por isso a mais difícil
de todas as nudezes
porque invisível
porque vermelha

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

a mulher de olhos germinantes

ela tinha um girassol
nascendo
na íris

toda vez que chorava,
regava

os médicos diziam que
não demoraria muito
até tudo estourar

y seu mundo virar
Flor

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

do quando escorpião

o que faço
com esse escorpião alojado
na garganta?

 te escrevo poemas
sem futuro,

penso montanhas
pomba gira

tua pele nos ferrões
dos meus versos

você nua,
a tecer demônios
sobre mim

implorando que eu pare
enquanto,
escreve mais um poema
onde eu morro
nos teus braços

você debruçada
sobre minha garganta,
chupando
como quem contem meus venenos

 por cima,
chupando
enquanto

louca,
me esqueço


Carta a S.

 S.,

a nossa história não te parece de vidro demais? a tua presença no que sinto, os teus traços, tua voz, tua melancolia.. S, se eu posso desejar algo como desejo, eu quero estar no mágico lugar das tuas pernas. este espaço onde movimenta perna por perna. este espaço onde cantas violeta parra y me dança. esse lugar onde moram os passos do som elétrico do teu sorriso. Sabe, S.' eu sonhei com você y acordei triste. a tua ausência me dói como um livro nunca escrito. a tua ausência me dói como algo feliz nunca vivido. y se fossemos felizes apenas por sentir, então certamente eu seria a mais feliz das histórias de felicidade. mas eu sou apenas alguém com Fé. y lo que más me alimenta hoy es tener fé en tu sonrisa. sei que tus lábios se cortam em outro sei que tuas mãos escriben sobre solidão também. y porque tus manos estan locas de solidão é que te escrevo estas palavras. porque me reconheço em você. hoje quero nos permitir estarmos triste. quero que o sol rasgue y que não queiramos levantar para ver o dia. quero que as flores nasçam bem longe. porque longe me parece o amor. essas vidraças embaçadas da tua janela. a porta fechada. y tudo parece lugar aberto de temporais. então de novo: não te parece de vidro fino os nossos nomes encontrados?
tem algo entre nós que não suporto. algo que não consigo alcançar nas palavras. algo de infinito. saberiamos pensar o inimaginável? as mãos sobre a neve, teus pés afundabdo passos no gelo. vinhos borrando ainda mais o teu sorriso sobre o meu. eu falo de um canto presente. um lugar onde peço o salto.. ou uma fresta para que eu salte.
há pequenos cacos que sabemos onde não pisar y permanecer vivas. você me conhece. traçou poemas sobre meus sonhos. meteu a língua no meu peito..  derrubou minhas armaduras quando sequer sabia que as tinha.. você dançou sob o lenço vermelho y o envolveu sobre teu corpo suado de me dançar. você me convidou.. existe tanto passado que os vidros me confundem em dor. por isso, S., preciso do teu voo futuro, ou a promessa incerta de que não há futuro. mas eu preciso que você me mande parar de te olhar. porque da onde estou
eu não quero
conseguir
parar

da onde Sou,
você é poema
onde cada verso meu,
te danço

com amor,
P.

enquanto você não chega

enquanto você não chega
as chuvas percorrem
o varal do meu corpo

penduradas,
as calcinha de fio
y dentais
vermelhas
amarelas
cor-de-pele de você chegar

enquanto você não chega,
 me banho florais
aromas da tua ausência

enquanto você não chega,
visto o casaco
troco os vestidos
invento vozes para personagens
de livro

me reinvento poema
mudo seu nome
salto o escuro das presenças
para me lembrar da
tua ausência

porque enquanto você
não vem
tudo y todos
eus
estamos de passagem

pingando,
melancólicas vestes
da nudez que se esconde
nos varais

pleno voo

foi a primeira vez
no amor
que não me sentia como num aquário

pássaro de mim que sou,
fui à tua janela
a mesma janela onde
de longe podia se ver

o dourado das tuas asas
nem seca nem molhadas
demais
para viver um encontro

foi a primeira vez que
voei junto de verdade

da sua janela
olhamos para baixo
o molhado das asas
já pesando
y o mundo parecia inteiro
mesmo os voos se desfazendo
em te olhar
em te beijar
em ficar

porque ficar junto
é um eterno molhar-se

então, pingando
eu tinha que ir embora

também é de secura a vida dos
pássaros

encharcado,
o pássaro gira
 em volta do seu cadáver

y essa é uma história feliz
de duas vivas asas
refletidas em outras duas

partindo
de sua morte

deixando feliz
as xícaras abraçadas na janela
enquanto se voa
y talvez volte

sobre o que se passa com aqueles que se encontram

olho pra ela
y é clara
uma memória de
infinitos

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

estação

o corpo é inteiro
trem

partida

do silêncio dos sons

sentada de novo
sob a chuva do meu quarto

o tempo é só o tempo
quando se esticam métricas y métricas
de sonidos líquidos
sobre a cama

meus pés estão encharcados
de chover no meu lençol
a tua
ausência

cerro os olhos,
posso ouvir sorrisos no quartzo
miro os olhos nos quadros do meu quarto
miro as distâncias
y choro

o tempo sabe que não é só de mim
que chovo

a vida tem sons
ressonância de imagem
o som dos olhos do elvis
o som da tesoura do edward
miro a Dama da Justiça
y ouço o som de sua espada
os livros na estante me lembram deus
bocas
abraços
ausências

demora um tempo até
ouvirmos
te amo de novo
sob o silêncio

uma mulher serpente senta sobre si mesma
y começa a se tocar

então o som da chuva
o som molhado da tua ausência
o som poético da tua presença
o som da liberdade
de estarmos separadas

talvez por isso o sol nasce
as flores colorem
os sorrisos acontecem
as mulheres y serpentes

a vida tem tanta promessa
escondida sob os silêncios

cerro os olhos de novo y de novo
para falar de um tempo
Terra
um tempo onde nada acontece,
possível de tudo
um tempo que cobra ligaduras
um tempo que germina imensidões
um tempo que cria infinitos
um tempo que rasga
o que nasce

movimento meus dedos numa dança
secreta
entre marrons que me escapam

chove no meu quarto
este barulho que ouço ao som de silêncio
barulho com que troco
meus silêncios


líquida

ela tinha a lua no peito
y estrelas nos olhos

como não beber
dessas gotas?

presença

não estou


estou sempre
sob a companhia do
vento

promessa

vejo o meu corpo-ilha
estendido sobre a mudez
das horas

se eu disser que ainda
teamo
tu me verias inteira,
sem memória?

que há sobre o reflexo
dos segundos
uma vontade
uma saudade
uma volta

inteira entre um segundo y outro
o teu nome
mesmo sem te precisar

se eu disser que ainda,
o que?

você faria..

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

da poesia

se movia
poema sobre mim

as pernas de galhos frescos
se voando sobre as minhas

os dedos de gota
chuvosos sobre meu ventre

aquela sempre
margarida na boca

y aquele aquario nos olhos?

eu que sempre fui trapezista
demais
para caber em aquário

fui cabendo

me cavou uma liberdade no sorriso
y eu fui cabendo

mesmo que a gente sempre
vá embora

porque é isso que um poema faz
ele vem
mas VEM mesmo
pra ir embora


terça-feira, 15 de agosto de 2017

saturnica

lembrar os espaços da cama
onde um chocolate
ou outro
derretia
antes de ser devorado 
por dois
sorrisos

lembrar o dia que nossos sorrisos
se devoravam um ao outro

lembrar da sua mão sobre o meu corpo
em Fé

lembrar um tempo

um tempo de Fé 

na cama

espumosa,
ela gira entre os lençóis
ao som dos ventres

fico pensando
o que é
Fé..

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

agosto

ontem choveu no meu quarto bem no meio de um incêndio. eu metia meus dedos para conter o fogo y nada de você se afogar. nada de você apagar

choveu porque eu chovia

o fogo
o tempo das chamas

choveu
granizo

chuva daquelas que machucam
enquanto se está nela

choveu

era você em mim,
no que eu nunca mais havia encontrado

foi um sonho
daqueles que se acorda depois do ponto alto
de um trovão

sem saber o nome


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

rouxinol

o que fazer com esse canto que é
o teu sorriso
em nossa vida
de morte?

um poema meio puto

entrego tudo num poema

meus dedos
minha língua
meus joelhos
meus olhos fechados

no poema é possível
encontrar segredos
no depois

algo nunca escrito
ou revelado
[ algo possível de sentir ]
sem pensar,
sem criar

algo de verdade
de antes agora ou depois
depende do poema sem tempo
que vier

nunca quis guardar segredos
no poema
porque se existe mesmo epifanias
ela está logo no
depois de um verso

onde a mudez se instala,
corriqueira,
como se não fosse

é como o amor,
corriqueiro,

ele transcende

enquanto a gente enfia a mão por dentro
da blusa
y busca o bico marro
da vida

domingo, 6 de agosto de 2017

lateral

queixo
jeitos
curvas
peitos volumosos
derramados sobre os meus
também cheios de

uma pinta lateral,
porque não podia ser apenas
então era uma pinta
                                lateral
linda

que eu beijava y beijava y beijava

tinha a fome
tanta fome

fome de dedos
de unhas
de bocas y bocetas

tinha fome de águas
de aquários
de trapézio
de profano
[às vezes de sagrado]

tinha fome de trapezista

y eu já disse que o que me faz te Amar
é o sem tamanho da
fome?

então era um amor lateral,
daqueles de qualquer lateral
de qualquer

sem lugar

era uma amor quase
inventado

poético
alucinado

um amor borda
um amor indo
embora

múltiplo, inteiro

todo ido
embora

era o amor,
lateral de um beijo molhado

o amor feito um choque
o frizzzzz

a luz no seu quando
rasgando escuros

era o amor
com um nome [de novo]
no meio
como aquele Todo que não se sabe
D'le

segunda-feira, 31 de julho de 2017

da última vez que chovi

X dançava no meu corpo
enquanto me dizia aos ouvidos

"você..
tem vento na língua"

eu disse:

 "y água, muita água
no céu de mim"

 fechou os olhos y me beijou
de novo
fechou os olhos como quem dissesse
com esses mesmos olhos fechados

"vamos..."

y eu fui ficando..
indo
y esses seilás lindos
que acontecem
y só acontecem






sexta-feira, 28 de julho de 2017

colagens

às vezes apenas não se sabe
porque se
grita

grito


sonhei uivo,
grito eslástico
moveres
assombração de toda noite que te
me assombram

sonhei gruta
 direção múltipla
raiz ou metáfora

silêncio

um buraco sorriu
seus dentes

sonhei lua
leoa
lampião

só as pedras se formavam a todo
som

pedras y suas fomes
de alturas
fome de tudo

fundo demais
para 

fundo
y elétrico

sonhei piano
uivo

parecia alma

quinta-feira, 27 de julho de 2017

chris cornell - like a stone


él

ele tinha voz de vento falhado
daqueles ventos preciosos
que falham
para serem silêncio
y  infinito

ele tinha voz de vento
a voz que me soprava as melhores histórias
enquanto ele piscava os olhos
de me ver
de novo

a voz que me fazia chover
enquanto

ah, y como eu trovoava
y chovia

agora um risco no céu me faz lembrar
que o seu nome
mora
no silêncio do meu sorriso

um som
lembrança

onde vibra qualquer
movimento
y eu vivo feliz
a sorrir-
nos

fotografia

eu quero a liberdade
dos teus pés
enlaçados
nos meus

codinome borboleta

veio
linguagem y desejo

mãos por debaixo da saia
invadiu boca
seios
girou assim por um tempo

no fundo de algo
corpo
o cristal batendo

o mundo gerando suas cores
as mensagens
a porta do carro batendo
os estados
y as avenidas levando gente
trazendo gente
as mensagens
as mensagens de teamo

só o amor sabe o cristal escondido: ele não se esconde

agora as mensagens apagadas
antes apegadas

[...]

na manhã seguinte não fiz o café
chorei algumas gotas
de liberdade
vesti um sutiã vermelho com blusa mostrando a alça
dele
y fui embora [de novo]

não deu tempo de dizer que
não era no meio das pernas que eu me
molhava

era no meio das
asas

quarta-feira, 26 de julho de 2017

luz

eu te chamei duas vezes

você não me dizia nada

eu senti:
duas vezes você apertou minha mão
duas silenciosas vezes
y uma terceira você
me beijou

eu não sou guardiã,
eu sou gente

mordo
lambo
danço
guardo
escrevo
faço careta
piruetas
y também nada
eu faço muito bem
nada

enquanto aprendo
silenciosa
a literatura das tuas mãos
y parece que estou mesmo a fazer
tudo

quarta-feira, 19 de julho de 2017

fazer amor

a primeira vez que fiz amor
ela meteu a caneta azul
na minha

jugular
é coisa séria

passei três dias
bebendo uma tinta amarga
de poesia
até ela estourar
delicadamente uma tempestade de

era saudade
desejo
lonjuras
era tudo tudo o que não sei

separadas

depois de três dias
ela voltou

lambeu o que escorria
da minha boca
chupou meus dedos mudos
manchados ainda daqueles nadas
de tinta seca

em mim
o amar começou assim
um poema absurdo
que estourou
no meio da vida

quinta-feira, 13 de julho de 2017

perdições

vejo pessoas
felizes sexualmente

ainda bem

ao menos alguma coisa
acontece

tantos sorrisos vazios
por aí

ainda bem que
transam pelo menos

já que a alma
não importa
muito
mais
meste mundo

quarta-feira, 12 de julho de 2017

esquecimento

no fundo
eu já esqueci de buscar tantos amores
onde eu os esqueci..

só me resta partir ao rio
ou ao chile
para ver se o amor
vem de onde
parei..

terça-feira, 11 de julho de 2017

de novo falando de você

acontece que ele tem
a lua em escorpiã

quando eu parei pra pensar em você

o mundo anda tão esquisito

as musas estão soltas
correndo com as lobas
dragões
escorpiãs
y serpentes

os homens falsamente
acompanhados

pelo menos é o que eles acham

eu já acho que eles estão sozinhos. isso é medonho

um peixe imaginário no aquário
pequenininho onde só cabe dois
[medo]

o homem se faz tão grande
por que?
será ainda aquela história do pau?

é por isso que eu sento y rodo
depois vou embora
pulo fora do aquário
preferindo morrer

essa é a unica brincadeira de pra sempre que gosto
pra sempre ir embora dos paus da vida

deus me livre um pau duro
y nada mais

porque eu até gosto de aquário por uma ou duas horas
mas eu gosto mesmo é de
asas

amor

qualquer simetria
é mera poesia

na floresta

escreveu dois poemas de bosta
que se multiplicam
na imagem

um som irritante
no verso

antes fosse embargada
a voz

mas não, não era nada
era só mais um poema morto
falando sobre
o ego de um leão
morrendo
na boca da leoa

o cara do bar

ele tinha um peitoral gostoso
braços largos
fortes
boca macia
cabelos cacheados

mas nunca teve um sorriso eletrizante
nunca teve poesia

sempre foi aquela prosa
onde a gente senta y goza por fora

ele nunca foi de dentro
ideia desconexa
coração só batendo
sem café
sem poema
sem vinhos

ainda bem que tinha drogas

mas ele é um porre drogado
que bosta!

ele é lindo,
mas dura umas horas comigo
é o tipo que a gente mente o telefone

não tenho paciência pra gente bonita

eu gosto mesmo é de quem morde minha garganta
quem mete em mim uns cometas
y me acorda lambendo

ele acordava
lindo
e só
que bosta!

convite de amor

só aceite convites em lugares
onde te ofereçam vinho
& café,
minha filha

eu, que sou filha de Deusa
não escuto isso de beber água
de beber poema
de beber chá
de beber paus ou bocetas

eu bebo é café de manhã,
depois de uma noite de tomar muito vinho

o resto é brincadeira de irmandade..
que gosto também,
mas isso é coisa de se fazer sem precisar de convite

a gente vai y toma isso aquilo
e aquele y outro
se lambuza
numa liquidez de sorrisos momentâneos
[que gosto]

só que eu gosto mais de convites inesperados
que começam a noite y terminam de dia
pode ser também de começar de dia
y terminar a noite
ou seguir em recomeços

vinho y café
café y vinho, sabe como é

requer sempre
um convite de amor

o resto, como disse, são amigxs..
que a gente bebe

mas.. sabe como é, eu já falei,
sou filha de Deusa

y eu já falei que minha mãe tem olhos de uvas?
y que seus cachos me puxam
onde quer que eu esteja..

então..
vinho..
bom dia, y um café preto, por favor.

poema II.2

com os dedos flambados
fez dois giros inteiros
antes de entrar

enlouquecidamente
tremi

até ontem,
6 gaiolas de aquário 
abertas
esperam a nossa volta

eu continuava fora
a queimar
vida
com ele entrando y saindo
como quisesse
era como eu queria

enquanto ele queimava as minhas barbatanas
no Agora
três dedos afogados na argola
das minhas ventanas

ardências,

eu disse uau
ele se derrubou sobre mim

dormimos assim,
todo o peso do corpo de uma asa em mim

nunca acordei tão leve
para dizer tchau
sem pra sempre
ou nunca mais

enquanto ele arrumava o cinto
pra voltar pra casa

poema 7

estive olhando escuros

olhando onde a pedra é pedra
onde a pedra não é mais
onde ela já foi
onde pode ser

estive olhando escuros
no aquário
onde o peixe y sua boca
onde as conchas
onde as serpentes nascem antes de atacar a fome

de todas as fomes, estive olhando os escuros
do escuro olhei o escuro

metálico, líquido,
esquizoventoso

nem bem olhei, já era outro
pedindo nome
] imensidão [

eu estava vestida de um escuro vermelho
um vestido escuro vermelho
escuro vermelha
segurei a barra vermelha [escura]
pedi pra ele entrar

agora só germino

são infinitos esses escuros
no meio das penas

aí eu voei,
porque do escuro eu só quero o escuro,
y tudo que é asa, que é dentro fora
meio
vestido
é só isso que é

escuro é sempre outro

lua aquariana

não consigo escrever em verso o que tenho pra dizer, porque isso é uma conversa com um possível que escorre em linha reta y desemboca em nada, porque quando se fala em amor é sempre escuro demais ou claro demais.. então assim, eu não quero ser profundamente amada. eu já senti o que é ser amada. isso é legal. esse lance do nome y tal. mas assim, eu quero amar. eu quero conseguir amar. amar melhor. amar loucamente. amar pouco ou nada mas ter isso de amar, sabe? A M A R!

P.s: isso é só uma nota. uma importante nota sobre nada sob a lua em aquário..

para ti

se desfez no meu corpo
uns escuros
...poema problematizado
tu, jardineiro de flores mortas
é sua esta corrente elétrica
de escurezas?
raio polarizado nos vulcões do ser
morada d'um céu
roxo
machucado
...chovedura
de invernos
geleiras pontiagudas saltitantes de céu estrelado
nascedura em ocos
deságua no meu corpo
essa tua ideia
monogamias ilustradas de sorrisos a dois
passeia [só você] sobre o meu ventre
cintilante
que te mostro uma passagem que eu vejo do futuro:
portal onde em mim está o seu nome
acrobática,
eu entro
sento
chamo [em chamas]
y anuncio o buraco onde você mora
escuroso, você entra
não senta
atende meu chamado [in ardências]
y vai embora
de silêncio em silêncio
a vida anuncia passagem
é seu este escuro que carrego nas costas?
você sabe o que é passagem?
você foi embora
agora chovo pra dentro,
correntes elétricas
solitárias sob a cama
meus poemas estavam em coma
até você fazer de novo
isso de prender o meu nome ao seu
estes escuros, essas geleiras,
parto
agora meus poemas voltam a si
brancura de um tempo de Fé,
que você se foda,
ou não
tanto faz

segunda-feira, 10 de julho de 2017

poema 8

como pode uma escorpiã na garganta
perfurando o nervo das palavras?

mastigo esse silêncio
que te envenena por dentro

meto a língua no seu em si de me picar
ardo
 y vou embora

como pode uma scorpiã
na garganta do medo?

são tuas essas palavras
escondidas no silêncio?

é por isso que me olhas com fome?

como pode uma scorpiã?

y se houvessem palavras,
quais seriam os silêncios
scor'pianicos?

eu escolho ao som
de jazz 

sábado, 8 de julho de 2017

scorpiã - poema 9

é ela
será y é ela
só poderia ser
ela

que germina um escorpião na garganta

venenosa
na língua

é ela
que tem as piscadas mais loucas
y me desfaço em inteira
para me começar de novo

nela..

sexta-feira, 7 de julho de 2017

poema 5

voos rasos
tapam um ou dois
buracos no dente

meu sorriso
inteiro
vai ao rio

ao que me espera
em parati

terça-feira, 4 de julho de 2017

poema 4

o que silenciam os peixes
no aquário?

poemas de julho III

no alto da acrobacia
um silêncio
invade o movimento

onde tua ausência
flutua

poemas de julho II

então afogou dois dedos
no arco dos meus seios

suavemente
enrijeci

até hoje hoje
duas argolas giram
enquanto algas marinhas
sorriem aquários

poemas de julho I

as garras
banhadas de algas marinhas
sangravam 
sob minhas costas

é claro q não se vive muito
tempo depois
de construir um trapézio
embaixo do rio onde nascemos
juntas

não se vive muito tempo
mesmo

então a gente volta
sangra
depois dorme abraçada
sorrindo vermelhos

poesia

terça-feira, 27 de junho de 2017

bioessência

o mundo é líquido
metal pesado
escorrendo
vulcânico sob nossas ideias

a ideia é só ideia

o amor mora fora
da ordem
y é chumbo
em ventania

quem diz VEM
sem também dizer SIM?

é um perfume
cuja essência desconhecida incorpora
toda a luz que não é verde vermelho ou amarelo
dos vaga-lumes

dos infinitos [bobagem]

o mais belo da vida
é ainda poder olhar o amor
y sorrir
com ele
[também faz cócegas o amor]

o resto parece 
bagagem

escura

o teu nome hoje
me lambem
lamparinas

carta a I

I,

toda dor é urgente. unge o nosso passado presente y futuro. pousa sob o ventre de tudo o que nasce do verbo. pousa sob a fala, sangra. a porra da dor não fala nada, ela só fica lá contando os passos enquanto as gotas secam no nosso corpo, corpus diante da dor, as gotas são só faíscas lembrando que estamos a queimar vida.
também toda dor é passagem, é abandono, é asfalto, é caminho, estação, mendigo pedindo visitação. a diferença é que depois pode-se construir muros gigantes aos quais só a gente entra depois.

mas hoje eu resolvi falar. resolvi falar que joguei teu nome no infinito y mandei você embora. bati com força os muros daquela avenida entre meus estados. mandei você se foder. mas se foder gostoso.

não sei o que você pode entender com isso, mas espero que você entenda bem o que é isso pra você.
choveu y eu não trouxe guarda-chuva de você. choveu y eu aceito essa dança a qual você foi embora não de mim, mas de você, mais uma vez, como todas essas dores que a gente não aguenta com um outro a nos olhar, com um outro.

me livrei de ser seu Outro. cuspi na vitamina elétrica dos teus olhos verdes, y verdes são os caminhos das ervas que plantei nas tuas costas com as minhas unhas. eu li teu poema. uma última vez para lembrar que há janelas em todos os muros que a gente constrói y espero que  você não pule sem antes saber das tuas asas. eu te falei na cama, no chuveiro, no sofá, na cozinha, no café, no vermelho do vinho, eu te falei puta santa bêbada, eu te falei de muitas formas que eu te amava. eu rasguei também todos os meus poemas y queimei antes de você chegar. eu mandei lavar as roupas dos meus poemas para que só entrasse essa nudez que era a sua chegada. 14 dias é o tempo da sua nudez. agora essa nudez sem você, fazendo a dor urgente sangrar vermelhos em rituais. agora um guardião segurando a porra do seu nome y me mandando agir. agora essa porra de mensagem que você não manda, essa merda de sorriso que eu grudei no meu y que carrego dos dias que a sua deusa era eu, não essa porra de consciência desajuízada, presa à carne do que você nunca me viu. agora essa borda onde nos desencontramos sem ao menos nos encontrar.. o vermelho levado por rodas surrealistas, onde eu senti a sua morte. 

eu queria dizer que foi a mim que você matou quando foi embora, mas hoje eu recebi um e-mail que não era seu mas falava de você. y ninguém nunca soube que eu te amava como te amo [ainda].. mas o universo sabe porque veio até mim essa verdade. eu chorei. quero que saiba que chorei, y continuo desejando que  você se foda. é urgente a dor, I. é muito urgente. fique vivo. eu sei porque precisei ir. embora não quisesse ainda. y não foi você quem me expulsou. não foi você.

eu recebi um e-mail [ainda bem que não é seu]. ninguém sabe. você está vivo. agora eu sei!

de passagem,
P. Andreza

transmutação

eu te escreveria poemas
se eu te amasse

mas agora só esse desejo
de amassar o teu nome
y jogar na fogueira
y pedir que você me queime

él

y porque cuspiu
nos meus olhos
comeu
duro
os meus sorrisos
bloqueou o meu nome
no seu

eu te odeio
com todo o meu amor

quinta-feira, 22 de junho de 2017

estrangeiro

poema bate a porta
pede pra entrar

abro a janela

ele entra mesmo assim,

descansa tuas asas
passo um café
esfarelo alguns beijos
y ele bica

poema tem medo de amor
y sempre quanso quase
ele vai embora,
só que pela porta

eu agradeço mais um dia de fé
mas não espero
sua volta,
 mesmo ele voltando

o poema sabe
a minha poesia
só não sei porque volta


incendio surrealista

então eu desabo o vinho
tinto
sobre a mesa

mergulho geometricas folhas de nós
principalmente meus desejos em branco em que falei de amor
sob vermelhos
y uns mares de azul (salgado) de você
anzol
trapezistas
janelas abertas de frutos do mar
você: esse furto de mar

espero que dissolva
as palavras em borrados
de nadas
espero que nasçam muitas cores
[não vou ficar aqui na superfície para ver]

mergulho!

quadro exposto de imagem
cubista
onde se pode deixar
uma bela história emoldurada
y ir embora

triangular,
só minhas pontas doem agora,

congelo infinita
sob o cosmos
sem esperar secar..

nota: esse quadro nasceu de um incendio! ou esse incendio nasceu de um quadro
mudo

madrugada II

pássaros sabem o voo
não o voar!

temporal de inverno

porque todas as vezes que falei teamo
na verdade não sei o que é

não se pode amar y continuar escrevendo
 pensamentos

quando escrevo, não é no amor que estou
é na ideia

y escrevo teamo
porque estou te chamando
para o que em mim é amar

em você,
surrealismos
dobras no nariz
sons metálicos
poesia
um ventre desenhadas serpentes
y um dragão cuspindo fogo dos olhos

essa tempestade que só se me anuncia
essas gotas que enchem a boca
do meu desejo de amar
essa alma sensível ao outro
essa alma sensível a si

eu nunca soube o amor
y sinto que posso ser
com você

depois desse temporal de inverno
do desejo


noite longa

inverno,
primeiro despertar
desta noite longa.

trocou voos com o desejo, passarinha?
chamou-o de aberto
daí fechou os olhos
y abriu as asas pra dentro:
sem amor

mais uma noite em que não se reconhece

mastigou alguns vazios
de libedade
guardou as asas
y dormiu com apenas algumas doses de desejo para comer depois

esse desejo que pinga do corpo
esse desejo suor
carne
espinho
ferradura
arraias de sons miúdos
traqueias furadas
ouvindo o próprio som de quase morte

som sonífero que toca os ouvidos
y só os ouvidos y algumas concretudes do pensamento

que não perfura a própria voz
que não silencia silencios
barulhosos
que não traz sons de galáxias antigas de sorrisos
mas traz o som da vida
pacatos desejos

era isso
 apenas a superfície de gelo
ancorada no desejo (hilda)

y porque não acreditava no amor,
começou acreditar em pássaros
essa ideia
y só ideia
de liberdade

porque a verdadeira liberdade, se existe,
está em algum lugar
de Amar,






domingo, 18 de junho de 2017

espera

lambeu minhas costas
passou a linha colorida
de fios dourados
beijou minha boca

depois limpou os dentes
com a linha
y foi dormir

o bico dos meus seios
flutuam
endurecidos de desejos


efemeridad

também é função do nome
a liberdade da altura

um eu carbonizado
faz amor com o céu
em cinzas

só o amor
nos livra do passado
y da ânsia pelo Todo

meu nome é Poesia
y eu vivo a
Nadar

madrugada I

há um tempo em que
os lábios secam
sob rachaduras de solidão

um tempo onde sorrimos
para espantar o medo de cair de novo
sob o abismo de si mesmo

um tempo de janelas triangulares
a contrair pontas

geometrias da ausência

então há o tempo do amigo,
aquele que chega no tempo de um café feito na hora
que chama teu nome Andreza
alto,

y te puxa

abismo é o nome
em que não sou

é o nome
em que me prendo

presente

se você me visse onde estou,
você me puxaria de volta à margem em que me esqueço?

vou te contar que hoje tive um sonho
vou te contar porque não te puxei
do sonho que você não estava nele
você sumia sobre o teu nome concreto
líquida
y é assim que eu gosto da nossa história

lugar onde você escorre de mim
acena,

eu gosto que você vá embora de mim
eu já fui
quando você começou a contar o tempo dos passos
começou a ponderar desejos
a iludir ideias,

então vou encontrar uma árvore bem grande para
escrever teu nome nela
y fim

aí você pega a máquina de moldar papéis secundários
encontra teu nome,
lamina roxa
afia
enfia na garganta
y faz um colar

vai ficar lindo

bosque encantado

gosto de falar sobre a ponta
dos dedos se tocando

frenesi de borboletas

agudas de liberdade
se amando

dois animais,
apenas
há penas

embora borboletas
se amando
se
amando para ir
embora
amando

tesão

ela tem um sorriso
de alta
tensão

quarta-feira, 14 de junho de 2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

mais uma noite de lua cheia

os poemas que se manifestam em
estrelas cadentes
brincam com o infinito...

ninguém sabe
onde um espaço de céu
y nada

segunda-feira, 12 de junho de 2017

light paiting [aquarianas]

ela disse que existe um poema
possível

poema incandescente
que nasce da lava dos vulcões

invisível

poema espiritual
feminino
repleto de palavra nenhuma

espiral

da carne que se veste a nossa face
dos braços
da cintura
das mãos que invadem o dorso da poesia
das folhas de todas as florestas
das chuvas de todas as nuvens de dentro
y maçãs
onde escorpiã é Rainha

material da vénus
em ascendência
milhões de beijos-luz
caminhando magia

canal precioso de iluminuras:
poema vai surgindo y mete as asas
nos meus seios
explode um arco colorido
y volta para estado de danza

beijafloreando passos,
o poema é o poema
poema
poesia

então me põe um lugar de nuas asas
onde os pássaros descansam
atrás de quatro asas marítimas ou barbatanas amarelas
de mãos
tateando o infinito
em busca do que faz tremer o corpus

em estado do que faz correr o tempo das asas

o lugar que ela fala
só gente voando braços
pernas
cabeça invadindo
o escuro das saias

gente que já é outro
possível de carícias
em abandono delicado
deliciado

um poema-lugar que o poema perfura
a vida
onde o poema só respira

y a orquestra humana se apresenta
voraz

y a dança
leva
y só leva
lava, pó, fogueira,
sorrisos de lá
silêncios
para o estado onde não se pode
mais dizer palavra

aí existe um poema
que não se sabe
y ela vez ou outra ousa
pousar no que se quer ser
madura

ela, sempre inteira
porque em
partida..

ela disse que ela existe possível..
eu acredito

terça-feira, 6 de junho de 2017

da poesia

existe um poema segredado

altar poético de cada poesia

é uma tempestade de asas.
é rio que corre parado.
é um porto de loucuras,
à margem do infinito de cabeças

é uma cena
Poesia-Senha de si
- y eu ia dizer Senhora -

é escuro com susto de estrelas y caos
é fundo y poço
é plano y raso
aço

éter profano
[sagrado]

existe um poema exaltado num depois
poesia...
em que se põe de quatro
y a gente reza dequatro
mete a língua y toma vinho
de segredos

nunca precisa ser no quarto

depois descansa das roupas
espírito
y senta

ora

 ch
ama

troca

ele apertou o parafuso
y me olhou

por um momento muito breve
parecia que era a mim que ele tinha apertado

quase doeu,
mas eu não sei o tempo
dos parafusos
então deixei pra lá

segunda-feira, 5 de junho de 2017

vieste

vieste me encontrar
onde o fio da vida é porto
dum logradouro de abandonos

todas casas desertas
o canto das paredes habitado de loucuras

amor ou outro rondando o amor que é
amar

y porque vieste de novo onde me acenou
um dia
os versos do teu nome se..me escapam

só através do espelho
enlouqueço essa voz que sussurra o espelhar maldito do teu nome

não tem nada mais, lá
entre as janelas
além daqueles eternos invisíveis

bendito seja também o teu nome maldito

voltei onde me acenas
porque nunca fui
y num que fui pássaro - dessas noites em que não se sabe [nadar]
desses dias em que não se sabe
nada
nada
y se voa de Fé

num então de de.novo,
porque vieste tropeçoso entre meus pedregulhos
y ainda assim insistente
me indicou o corrimão
da aurora dos silêncios

acenosa, à margem em que volto
ou vou [não sei]

eu te ofereço parte
do que em mim é margem
em que me esqueço

eu te ofereço
minha partida mais chegada

eu te ofereço uma altura que não sei
de fé

vieste

[com amor, para walmir ayala]

também

sorri ela:
a lua em escorpião

de novo

fechei os olhos..
perguntei
ela disse de novo "novembro"

porque meu amor nasce
escorpiã

ritualistic

algo me acontece
quando me banham
de sorrisos
em noites de fogo

não te beijei ainda,
y sei que teu sorriso tem gosto
de maçã

uma

sob o caldeirão de fogo
eu te beijaria, girando entre teia y saia,
infinitas vezes
mais

transando escorpiã

dos infinitos

y também todo voo
nasce para a tempestade

[por isso vinga]

síndrome da beleza

de novo ela estava lá lambendo o céu
quando eu quase cheguei

mas não fui ainda,
porque tem algo de belo em olhar pássaros
chupando nuvens
enquanto não chovem

se eu escrevesse uma história infinita,
ela seria apenas isso de que a chuva nasce é do voo dos pássaros

por isso quando fazem amor,
as tempestades..

asas em asas
uma fundura
perdição

por isso eu insisto em conhecer amores
em dias de chuva,
para abrir a boca y
tomar o primeiro gozo
batendo
asas
também

gozo de voos
vindo dos céus
em que se voa com pressa
do outro

[y pode ser que já era amor]

promessa de noite de chuva

deito sob o asfalto,
os amarelos pedindo atenção
os faróis todos de cores "pare!"

você me puxou,
durou três segundos y algumas eternidades,
o infinito que me trouxe você.

y porque chovia,
foi se esquecendo, doce, sobre mim...
esqueceu a palma das mãos no meu rosto
esqueceu os dedos nos meus cabelos
esqueceu lascas de unha nas minhas costas
esqueceu  muitos beijos longos

no altar dos nossos corpos
esqueceu minhas pernas enlaçadas sob as tuas
embaixo do manto
esqueceu de ir embora

agora fico aguada,
dentro desses portais
que me floresce
por dentro

vidraça

são tuas ou minhas
essas gotas de suor 
chupando a vidraça do passado?

separadas,

do lado cá - do seu lá
sigo voando três giros pela manhã [sonho liberdade solidão]
três saltos a tarde [desejo - necessidade - amor?]
y três beijos a noite [onde te escrevo poemas, onde te reescrevo poemas, onde te me inscrevo] 
presentes que ficam ainda
                                           estancados sob a janela

enquanto você não chega
essas gotas mudas..

soprei também três palavras num poema que sempre foi pra você

'teamo
te amo
t e a m o'

suada,
visto a roupa
y o varal

gotejante 
te espero na altura de fora
onde o nosso vento pode chegar
mais y mais naquele passado
embolorado entre as pernas

sigo meus movimentos
y eles querem o lado de lá do meu cá
eles querem você

enquanto você não volta
 traço firme no salão a dança do teu riso
a que tua fome me ensinou

são tuas ou minhas essas gotas
em que floresço ainda?

espero calendulosa
a promessa
em amarelo
                         do seu nome

ella

meu amor tem sete cabeças
três dedos
y  9 bocas

são muitas
asas

rastro

repeti mais três vezes
aquele circulo
em volta do teu sorriso
alado

circuncidado,
meus passos se voltam contra si
tropeço
y caio,

morrer
é apenas questão
de outra parte

desfecho

fecho os olhos
só a poltrona conhece o peso
desses indizíveis

o meu corpo está molhado
dessas securas
um suor que alimenta cada vez mais as loucuras que não digo

corpo pesado
de pensamentos

se pudesse,
conteria a brasa do fogo
de mais um adeus

mas escorro, pequenina
entre os girassóis desenhados no braço
que me acolhe

é uma poltrona irlandesa
amputando
calada
minhas asas

sexta-feira, 2 de junho de 2017

de novo

se você ainda ouvisse a minha voz
eu pediria para passar a língua na tua garganta até te lembrar da tatuagem que fizemos com o
infinito

repetidas vezes, chuparia o teu silêncio
até que deles brotassem os teus desejos
lamberia os retalhos dos teus sonhos até que
você sonhasse com o tempo das mãos juntas
morderia a lembrança dos poemas até
você me recitar, me chupar
até você parir a noite
nua
y gritar louca como te vejo: 'sua..'

aí então eu entraria,
templo sagrado do teu eu
até chegar por dentro da garganta
escarlate
onde me esperas
poesia

onde eu meteria, colorida de ti,
todos os seus/meus movimentos
encarnados

num feixe de sonhos amarelos y desejos azuis
y eu meteria meus silêncios dançantes
de você
meteria alguns poemas errantes
prateados
uns retalhos que tínhamos y ficou comigo
das alturas que fomos juntas
un día

no toco de uma das árvores da floresta de ti
pegaria a maçã dourada
concluindo com o nada que
cheio de retalhos são os invernos
y as flores que se escondem em seus infinitos de não nascença

até que nós duas: labaredas de nós
choveríamos estes escuros claros
Uma-duas
até pousarmos juntas no nosso tempo:
pirotécnicas
templárias

é o tempo do sabor
o templo da boca
é o nosso tempo de amor

sem que possa contar,
como uma prece de lobas,
você me uiva em infinitos
lembro y lambo, repetindo a oração

das noite de ombros calados

[de novo y de novo y de novo]
fazemos o amor

co'as curvas de alguns silêncios
encantados

[encarnados]

onde mora um possível de poemas
y escorregam de novo como se brotassem assim
escorridos das tuas
pernas

no alçar voo de brancuras
me enfiando um arco íris de sorrisos
me enfiando tua linguagem passariciosa
em estado elevado de ausência,
essa presença

algo como líquido
escapando do fundo dos ossos de onde nascem as palavras

como o amor das pétalas em todas as rosas
que não nasceram nunca
ainda
sob uma espera de rosas

numa tatuagem livre
no invisível sutil deste
ou de outro amor
Nosso..

merda

os blogs
os livros
os pássaros
as florestas
os faxineiros
o carteiro
a cartomante
a menina louca
o lobo
a loba
a lua
os punhais
as punhetas
as bocas
as bocetas
os poemas

todos estão a dizer sobre

a m a r

enquanto o amor está lá.. borrado entre os silêncios!

roteiro

eu só
quero passar a língua
nas tuas curvas
y voar

sábado, 27 de maio de 2017

corpus

gosto de gente que sabe
que tem corpos
perdidos em
outros planetas

das formas y cores

existe quem quer pertencer
y existe o infinito

eu gosto de pertencer ao infinito

nunca conheci quem vivesse
todos os seus amores
de forma leve

as pessoas são pesadas
não há toque
não há sorrisos sem medo
todos estão na mesma merda de castração afetiva

y eu ando cada vez mais sozinha

só que às vezes coloco alguém
no meio
y às vezes alguém é leve
y vai ficando
entre os voos

sobre um instante y fim

tinha as mãos mais gigantes do mundo

com elas
construiria tudo
que quisesse

imaginei ele construindo um castelo inteiro
sozinha
y um reinado em mim

eu nunca me apaixonei tão rápido por alguém
como me apaixonei por ele com aquelas mãos

foi bem rápido o quando os impulsos me impulsionam a dizer oi..
eu disse oi
depois veio o sorriso.. e putaqueopariu, que sorriso!

tudoissofoimuitorápido

y a namorada dele o abraçou por trás.. queria poder dizer que tudo bem, mas como é que se explica isso de querer escrever sobre as mãos de um desconhecido e continuar vendo o seu sorriso?

a gente perde cada amor pelo caminho.. eu hein!

perdi

transfiguração

tem gente que nos ajuda a transformar nossos venenos em antídotos

como teu sorriso belo
no meu

escorpiã-rainha

nas entrelinhas do meu desejo
está o teu nome
scorpiã
artesã de venenos



parasita

se instalou
lilás
sobre minhas palavras

vagalumeou três dedos
sob minhas pernas

eu não sei onde estou
quando você não está

y parece absurdo te procurar
no que escrevo
quando minhas palavras querem dizer que você se foda

y no fim
me foda também
de novo
y de novo
y de
novo..

porque existe uma história
que não sei porque se insiste em se escrever que meus lábios te esperam

sobre as histórias do IR

a gente nunca sabe quando vão nos plantar
invisíveis

eu te mandei uma carta com um fósforo aceso dentro
não sei se deu tempo de ler
que
antes das chamas
haviam borboletas entre as palavras

y você me falava de sonhos
desenhando no ar as cores
y era lindo porque eu via

eu te desenhei um roteiro abstrato
de solidão y falei "que bom que você não leu"
enquanto me pegava pela cintura
naquela noite nua
y me sussurrava cometas

eu te mandei uma carta
onde nela eu chovia

y você não me respondeu

espero que tenha dado tempo de ler
que nunca fui tão feliz
em uma semana de você

espero que tenha dado tempo
para o tempo

porque alguma coisa aconteceu comigo
enquanto aquelas noites me aconteciam

y eu não posso mais falar de solidão
sem que teu corpo me invada
sem que tuas mãos me soprem aqueles invisíveis

aqueles invisíveis que não sei o nome
mas ousei dizer na carta
que a chama
carrega
pingando

o quando

da lucidez

existe um momento de preocupação no que vejo. como dois arcos se exibindo infinitos.

sombra y luz..

bolhas demoníacas
estourando sob meus olhos
plástico de mãos
fingindo carinho

eu quis dizer também fugindo

meus olhos ardendo
de

um poste
a luz que não existe nele
os afetos afetados

y um desejo enorme de viver medíocre
entre as pequenas luzes que se acendem por não estarmos sós

tão pequenas
quanto a luz que vem sem sombra

porque os sorrisos não são resgatados com pequenas luzes
os sorrisos são das sombras

y tem gente apenas cansada

apesar de ter alguém

formulando
felicidade
em luz sem sombra
luz
inventada

resta apenas dizer que luz
inventada
se desmancha também
numa pequena invenção

onde uma cobra pica
onde as lobas salivam
onde a lua transita imperiosa a noite dos corpos dos amantes
onde a floresta come y chupa os dedos no mais alto de suas árvores
onde o globo ocular amarela, estrelando nomes destinais

ela se desmancha
em verdades
de sombra

onde
o quando..

segunda-feira, 22 de maio de 2017

desintenção

são tantas chuvas
que me queimam

meus trovões - feito um gozo -
estremecem
sob a luz fina do teu nome

tênue é o porto do encontro
onde duas mãos
livres
escolhem dentre tantos mundos
serem duas
[separadas em uma
se enlaçar]

das linhas invisíveis de um poema

eu saltaria o caminho
dos giros do teu batom
se soubesse onde
florescem
os teus vermelhos

te roubaria um beijo
num pouso
ou numa dança marítima
onde o mar cobriria tua boca em pérolas

te beijaria onde o Mar
é a vida
beleza
outono de primaveras

onde suaves y sem medo
os olhos surfariam
estes invisíveis

y num momento
tão qualquer
mesmo nos beijando
você me beijaria

sexta-feira, 19 de maio de 2017

de quando te sonhei poesia

sonhei que eu tinha uma indústria de canetas personalizadas
y você vinha levar
a sua

era azul
a sua

só a sua
escapavam estrelas ..

quinta-feira, 18 de maio de 2017

da tentativa de se iniciar um relato

a primeira parte de uma escultura que se molda é a parte que não é moldada dentro da gente.. a cintura dela.. sempre

 a cintura dela
 a me recusar
 invisíveis

quarta-feira, 17 de maio de 2017

escorpiã

cospe fogo
nas entranhas tem um nome pontiagudo
< destino >

y me sopra o dragão
na pele

absurdos que escrevo
enquanto sua presença ainda

se.me dissolve
enquanto ela me nasce
escorpiã

terça-feira, 16 de maio de 2017

chove no meu quarto o teu nome

ela era uma escorpiã
com asas

lembro da fogueira ardente
sob o ventre negro
onde nasceria uma filha
da magia

me toco sob a lembrança do fogo
nos dedos

queimo a tempestade do
meu nome
no teu: cavidade de onde me nascem
estrelas
y luas minguam


sobre quando o coração voltou a bater louco

se ela dissesse que
nasci de uma escorpiã,
acreditaria

existem muitas formas de não acreditar
no que se acredita

só depois de ir embora
que esculpi os escuros daquele passado:
ela tinha a boca de escorpião

envenenada,
eu ouvia encarnada

enquanto alguns portais se abriam sob a sombra de uma nuvem
nua
a noite se fez bailado

entre os anéis de saturno
que a Era de Aquário trazia
era uma vez 
de novo..

sexta-feira, 12 de maio de 2017

da mitologia que habita

as asas dos sonhos
não são as mesmas asas que cabem no poema

então lanço meus versos
à poesia do sonho
porque sonhar é não saber, mas infinitamente estar
junto
os cosmos,
as tríades do desejo
você
o poema
o amor

nada pode com o amor

no poema eu posso escolher
o sonho não. o sonho faz amor

inteiro promessa, o sonho
é também a linguagem dos deuses

onde a Deusa voa em direção de si
y me sopra
você :este estar mudo
dentro de mim

você em mim, este É
que sonho
y desperto sorrindo

quinta-feira, 11 de maio de 2017

mapeações

"um casamento não te prende. dinheiro não te prende. o amor dos outros não te prende. o seu amor não te prende. nenhum lugar te prende. nenhum ser humano"

eu nunca perguntaria o que me prende..

então fiquei assim, só

com essas divagações.

Voz

desde ontem
que não paro de te ouvir

em mim

sobre a eterna partida no mapa

me disse tantas vezes "não te prendas". logo eu, que nunca me prendi a nada. que queria mudar isso, fazer história, mesmo não sabendo que nunca seria de mim isso. eu que de tudo voo. até dos amores. disse que não se pode prender ao humano, quando a alma cheia de seres de outros planetas. quando a Deusa chama. hoje a minha tribo tem um nome ida, até o encontro. a minha tribo hoje é o outro. ela disse para dizer adeus. eu que coleciono adeus. que me prendi na poesia para poder alcançar algum encontro que por um momento escrito seja verdade. que sei que por um momento muito sutil dentro de mim também foi. ela disse para eu voltar porque a nossa história nunca vai acabar numa conversa. voltar pra ela, é a unica volta de que se fala. porque nossa história sim não é das palavras. então eu volto. faço o café, beijo sua tatuagem y vou embora. a diferença é que ela sempre soube que eu eu iria embora. mesmo eu mesma indo embora y não sabendo

agora esses versos
líquidos
carregando uma enchente no significado das palavras

agora essa tempestade
que se me
transborda

no fim de um raio
onde Lúcifer me acena
os passos
me esperam
[meus]

desde ontem
que eu floresci meus conceitos
que quero voltar lá

eu disse voo
                    lto

paralelo ao outro

essas guerras
com o outro
.essas guerras de mim.


karma

teu karma é
[de novo]
teu espírito selvagem

mapa

leu,
como nunca antes alguém havia lido,
minhas estrelas

disse que não vou ter casa
nem casamento
e que os amores todos comigo
mas eu com ninguém

disse que não sou gente
disse que aos 28 se pode fazer tudo

y mesmo em pleno voo,
seria preciso voar
mais

porque meu mapa
é inteiro nu

y nunca se sabe onde
é o ponto
g.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

mira

no me olvido
tu sonrisa
tu voz
sus manos 

solo no estoy más con las ventanas llena de palomas
para te volar

mira, 
hay recuerdos que no lo sé más

escucha, no quiero 
fica lembrando de ti enquanto escrevo versos

yo te quiero ahora
donde tu nombre es Otra
y infinita
donde volar es voo

lâmina

duas lâminas coloridas
cortando a madeira
das nossas vidas

madeira roxa

fez um lindo anel
roxo
que escorria feito uva
em meus dedos

órbita

eu nunca disse,
mas agora posso dizer com esse amor que se.me..

[nos olhos dela
se escondem
meus anéis de saturno]

por isso também o meu tempo
passado presente futuro
sagrado é o encontro que a gente se encontra
no tempo do tempo
do agora

desde que ela
chegou
que eu só floresço
mesmo no inverno

porque ela sabe da flor

manhã


também é o nome mais belo que se dá
à coragem humana

dos escuros s'curos

estamos sempre a um passo da escuridão das coisas, S. não se pode medir a escuridão pela distância. a escuridão se mede pela fé. fé não tem distância, S. põe um lápis na garganta  l e n t a m e n t e.. escorrega teus medos com  a intenção que o lápis tem de te fazer engasgar. não engasga. segura. vês? a escuridão do lápis é onde você consegue chegar sabendo que ele está entrando.. entrando lentamente até fazer você perder o controle de segurar o lápis, até que ele esteja por um segundo inteiro dentro de você y tudo desmorone. o lápis fora, você tossindo escuros. vês, S? quanto tempo demora? às vezes é não segurar mais o lápis em direção á boca, S. vês. tudo isso é só uma ideia. não levar ele à boca. ficar assim com os olhos espantados d'ele dentro de você. mas repito, S, tudo isso é Fé. pela primeira vez te digo assim FÉ.

agora pega essa taça de vinho y molha teus escuros. você não vai ficar sozinha por muito tempo, S. dobra o joelho. reza. chora. agora imagina que ele não É. vê que ele não está mais aqui dentro da sua boca y agradece.

às vezes o escuro
está embaixo
da roupa

y se diz
pele

nascido de faz tempo

com os olhos cerrados de nós,
viu a bolha gigante que nunca
que não estourava
nunca

passou duas nuvens
y foi embora
choveu
relampeou
y a bolha lá, onde ele estava dentro
todo
inteiro
calculável,
y ela a contar abstrações

tinha algo amarelo quando

buscando a luz
no fim do
verso
um encontro aconteceu,
mas já era tarde

ou parecia caos
de estrelas
nascidas de faz tempo...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

[a loba que me uiva]

ouço meu nome
de novo

me cresce um grito
y é uivo
sagrado

avanço as matas de mim
 nasço
renasço
Mulher de Agora
guiada pela Lua

minhas mãos transitam meu peito
meu coração
bate

no espelho
a loba
com cabeça de árvore

se abre
se uiva
            y voa

a loba dragonizada
etérea

salta

y eu acordo Ela

bétula

então eu pulei
y era voo

y você também
veio

bétula
bétulah

guirlanda de amor

silfos dourados
se amando no ar

anunciam essa tua
eterna vinda

tua vinda que
sou
Nós
vindo como um silfo
de se amar

sexta-feira, 28 de abril de 2017

el poema azul

me escreveu abismos
numa xícara azul

y eu tomei

¿para donde bailan las gitanas?

porque fora é
dentro demais

ela dançou três poemas
en mi boca
y se fue
palabradura

baila, niña

baila

que aún
te alcanzo en mi

[convite]

andarilho de mim...

vem na altura dos meus giros
que te preparo um grito
no fim

vem festa y desejo
que te ofereço um caminho
de mim

para que eu te dance
porque eu te ofereço meus ombros
desse meu lugar nenhum

vem, que te dou meu abandono

para que me encontre
para que me chame
para que me encontre

porque eu sou fogo sagrado da dança
sou fogo da tua vinda
eu sou partida

vem,
não vou demorar
mas te deixo um lenço
mas te sopro um vento

porque eu sou
de lá

mas te guardo meus giros
y  com giros y saias
eu vou embora

para te sorrir um recomeço
da porta pra fora
de nós