quarta-feira, 26 de julho de 2017

luz

eu te chamei duas vezes

você não me dizia nada

eu senti:
duas vezes você apertou minha mão
duas silenciosas vezes
y uma terceira você
me beijou

eu não sou guardiã,
eu sou gente

mordo
lambo
danço
guardo
escrevo
faço careta
piruetas
y também nada
eu faço muito bem
nada

enquanto aprendo
silenciosa
a literatura das tuas mãos
y parece que estou mesmo a fazer
tudo

quarta-feira, 19 de julho de 2017

fazer amor

a primeira vez que fiz amor
ela meteu a caneta azul
na minha

jugular
é coisa séria

passei três dias
bebendo uma tinta amarga
de poesia
até ela estourar
delicadamente uma tempestade de

era saudade
desejo
lonjuras
era tudo tudo o que não sei

separadas

depois de três dias
ela voltou

lambeu o que escorria
da minha boca
chupou meus dedos mudos
manchados ainda daqueles nadas
de tinta seca

em mim
o amar começou assim
um poema absurdo
que estourou
no meio da vida

quinta-feira, 13 de julho de 2017

perdições

vejo pessoas
felizes sexualmente

ainda bem

ao menos alguma coisa
acontece

tantos sorrisos vazios
por aí

ainda bem que
transam pelo menos

já que a alma
não importa
muito
mais
meste mundo

quarta-feira, 12 de julho de 2017

esquecimento

no fundo
eu já esqueci de buscar tantos amores
onde eu os esqueci..

só me resta partir ao rio
ou ao chile
para ver se o amor
vem de onde
parei..

terça-feira, 11 de julho de 2017

de novo falando de você

acontece que ele tem
a lua em escorpiã

quando eu parei pra pensar em você

o mundo anda tão esquisito

as musas estão soltas
correndo com as lobas
dragões
escorpiãs
y serpentes

os homens falsamente
acompanhados

pelo menos é o que eles acham

eu já acho que eles estão sozinhos. isso é medonho

um peixe imaginário no aquário
pequenininho onde só cabe dois
[medo]

o homem se faz tão grande
por que?
será ainda aquela história do pau?

é por isso que eu sento y rodo
depois vou embora
pulo fora do aquário
preferindo morrer

essa é a unica brincadeira de pra sempre que gosto
pra sempre ir embora dos paus da vida

deus me livre um pau duro
y nada mais

porque eu até gosto de aquário por uma ou duas horas
mas eu gosto mesmo é de
asas

amor

qualquer simetria
é mera poesia

na floresta

escreveu dois poemas de bosta
que se multiplicam
na imagem

um som irritante
no verso

antes fosse embargada
a voz

mas não, não era nada
era só mais um poema morto
falando sobre
o ego de um leão
morrendo
na boca da leoa

o cara do bar

ele tinha um peitoral gostoso
braços largos
fortes
boca macia
cabelos cacheados

mas nunca teve um sorriso eletrizante
nunca teve poesia

sempre foi aquela prosa
onde a gente senta y goza por fora

ele nunca foi de dentro
ideia desconexa
coração só batendo
sem café
sem poema
sem vinhos

ainda bem que tinha drogas

mas ele é um porre drogado
que bosta!

ele é lindo,
mas dura umas horas comigo
é o tipo que a gente mente o telefone

não tenho paciência pra gente bonita

eu gosto mesmo é de quem morde minha garganta
quem mete em mim uns cometas
y me acorda lambendo

ele acordava
lindo
e só
que bosta!

convite de amor

só aceite convites em lugares
onde te ofereçam vinho
& café,
minha filha

eu, que sou filha de Deusa
não escuto isso de beber água
de beber poema
de beber chá
de beber paus ou bocetas

eu bebo é café de manhã,
depois de uma noite de tomar muito vinho

o resto é brincadeira de irmandade..
que gosto também,
mas isso é coisa de se fazer sem precisar de convite

a gente vai y toma isso aquilo
e aquele y outro
se lambuza
numa liquidez de sorrisos momentâneos
[que gosto]

só que eu gosto mais de convites inesperados
que começam a noite y terminam de dia
pode ser também de começar de dia
y terminar a noite
ou seguir em recomeços

vinho y café
café y vinho, sabe como é

requer sempre
um convite de amor

o resto, como disse, são amigxs..
que a gente bebe

mas.. sabe como é, eu já falei,
sou filha de Deusa

y eu já falei que minha mãe tem olhos de uvas?
y que seus cachos me puxam
onde quer que eu esteja..

então..
vinho..
bom dia, y um café preto, por favor.

poema II.2

com os dedos flambados
fez dois giros inteiros
antes de entrar

enlouquecidamente
tremi

até ontem,
6 gaiolas de aquário 
abertas
esperam a nossa volta

eu continuava fora
a queimar
vida
com ele entrando y saindo
como quisesse
era como eu queria

enquanto ele queimava as minhas barbatanas
no Agora
três dedos afogados na argola
das minhas ventanas

ardências,

eu disse uau
ele se derrubou sobre mim

dormimos assim,
todo o peso do corpo de uma asa em mim

nunca acordei tão leve
para dizer tchau
sem pra sempre
ou nunca mais

enquanto ele arrumava o cinto
pra voltar pra casa

poema 7

estive olhando escuros

olhando onde a pedra é pedra
onde a pedra não é mais
onde ela já foi
onde pode ser

estive olhando escuros
no aquário
onde o peixe y sua boca
onde as conchas
onde as serpentes nascem antes de atacar a fome

de todas as fomes, estive olhando os escuros
do escuro olhei o escuro

metálico, líquido,
esquizoventoso

nem bem olhei, já era outro
pedindo nome
] imensidão [

eu estava vestida de um escuro vermelho
um vestido escuro vermelho
escuro vermelha
segurei a barra vermelha [escura]
pedi pra ele entrar

agora só germino

são infinitos esses escuros
no meio das penas

aí eu voei,
porque do escuro eu só quero o escuro,
y tudo que é asa, que é dentro fora
meio
vestido
é só isso que é

escuro é sempre outro

lua aquariana

não consigo escrever em verso o que tenho pra dizer, porque isso é uma conversa com um possível que escorre em linha reta y desemboca em nada, porque quando se fala em amor é sempre escuro demais ou claro demais.. então assim, eu não quero ser profundamente amada. eu já senti o que é ser amada. isso é legal. esse lance do nome y tal. mas assim, eu quero amar. eu quero conseguir amar. amar melhor. amar loucamente. amar pouco ou nada mas ter isso de amar, sabe? A M A R!

P.s: isso é só uma nota. uma importante nota sobre nada sob a lua em aquário..

para ti

se desfez no meu corpo
uns escuros
...poema problematizado
tu, jardineiro de flores mortas
é sua esta corrente elétrica
de escurezas?
raio polarizado nos vulcões do ser
morada d'um céu
roxo
machucado
...chovedura
de invernos
geleiras pontiagudas saltitantes de céu estrelado
nascedura em ocos
deságua no meu corpo
essa tua ideia
monogamias ilustradas de sorrisos a dois
passeia [só você] sobre o meu ventre
cintilante
que te mostro uma passagem que eu vejo do futuro:
portal onde em mim está o seu nome
acrobática,
eu entro
sento
chamo [em chamas]
y anuncio o buraco onde você mora
escuroso, você entra
não senta
atende meu chamado [in ardências]
y vai embora
de silêncio em silêncio
a vida anuncia passagem
é seu este escuro que carrego nas costas?
você sabe o que é passagem?
você foi embora
agora chovo pra dentro,
correntes elétricas
solitárias sob a cama
meus poemas estavam em coma
até você fazer de novo
isso de prender o meu nome ao seu
estes escuros, essas geleiras,
parto
agora meus poemas voltam a si
brancura de um tempo de Fé,
que você se foda,
ou não
tanto faz

segunda-feira, 10 de julho de 2017

poema 8

como pode uma escorpiã na garganta
perfurando o nervo das palavras?

mastigo esse silêncio
que te envenena por dentro

meto a língua no seu em si de me picar
ardo
 y vou embora

como pode uma scorpiã
na garganta do medo?

são tuas essas palavras
escondidas no silêncio?

é por isso que me olhas com fome?

como pode uma scorpiã?

y se houvessem palavras,
quais seriam os silêncios
scor'pianicos?

eu escolho ao som
de jazz 

sábado, 8 de julho de 2017

scorpiã - poema 9

é ela
será y é ela
só poderia ser
ela

que germina um escorpião na garganta

venenosa
na língua

é ela
que tem as piscadas mais loucas
y me desfaço em inteira
para me começar de novo

nela..

sexta-feira, 7 de julho de 2017

poema 5

voos rasos
tapam um ou dois
buracos no dente

meu sorriso
inteiro
vai ao rio

ao que me espera
em parati

terça-feira, 4 de julho de 2017

poema 4

o que silenciam os peixes
no aquário?

poemas de julho III

no alto da acrobacia
um silêncio
invade o movimento

onde tua ausência
flutua

poemas de julho II

então afogou dois dedos
no arco dos meus seios

suavemente
enrijeci

até hoje hoje
duas argolas giram
enquanto algas marinhas
sorriem aquários

poemas de julho I

as garras
banhadas de algas marinhas
sangravam 
sob minhas costas

é claro q não se vive muito
tempo depois
de construir um trapézio
embaixo do rio onde nascemos
juntas

não se vive muito tempo
mesmo

então a gente volta
sangra
depois dorme abraçada
sorrindo vermelhos

poesia

terça-feira, 27 de junho de 2017

bioessência

o mundo é líquido
metal pesado
escorrendo
vulcânico sob nossas ideias

a ideia é só ideia

o amor mora fora
da ordem
y é chumbo
em ventania

quem diz VEM
sem também dizer SIM?

é um perfume
cuja essência desconhecida incorpora
toda a luz que não é verde vermelho ou amarelo
dos vaga-lumes

dos infinitos [bobagem]

o mais belo da vida
é ainda poder olhar o amor
y sorrir
com ele
[também faz cócegas o amor]

o resto parece 
bagagem

escura

o teu nome hoje
me lambem
lamparinas

carta a I

I,

toda dor é urgente. unge o nosso passado presente y futuro. pousa sob o ventre de tudo o que nasce do verbo. pousa sob a fala, sangra. a porra da dor não fala nada, ela só fica lá contando os passos enquanto as gotas secam no nosso corpo, corpus diante da dor, as gotas são só faíscas lembrando que estamos a queimar vida.
também toda dor é passagem, é abandono, é asfalto, é caminho, estação, mendigo pedindo visitação. a diferença é que depois pode-se construir muros gigantes aos quais só a gente entra depois.

mas hoje eu resolvi falar. resolvi falar que joguei teu nome no infinito y mandei você embora. bati com força os muros daquela avenida entre meus estados. mandei você se foder. mas se foder gostoso.

não sei o que você pode entender com isso, mas espero que você entenda bem o que é isso pra você.
choveu y eu não trouxe guarda-chuva de você. choveu y eu aceito essa dança a qual você foi embora não de mim, mas de você, mais uma vez, como todas essas dores que a gente não aguenta com um outro a nos olhar, com um outro.

me livrei de ser seu Outro. cuspi na vitamina elétrica dos teus olhos verdes, y verdes são os caminhos das ervas que plantei nas tuas costas com as minhas unhas. eu li teu poema. uma última vez para lembrar que há janelas em todos os muros que a gente constrói y espero que  você não pule sem antes saber das tuas asas. eu te falei na cama, no chuveiro, no sofá, na cozinha, no café, no vermelho do vinho, eu te falei puta santa bêbada, eu te falei de muitas formas que eu te amava. eu rasguei também todos os meus poemas y queimei antes de você chegar. eu mandei lavar as roupas dos meus poemas para que só entrasse essa nudez que era a sua chegada. 14 dias é o tempo da sua nudez. agora essa nudez sem você, fazendo a dor urgente sangrar vermelhos em rituais. agora um guardião segurando a porra do seu nome y me mandando agir. agora essa porra de mensagem que você não manda, essa merda de sorriso que eu grudei no meu y que carrego dos dias que a sua deusa era eu, não essa porra de consciência desajuízada, presa à carne do que você nunca me viu. agora essa borda onde nos desencontramos sem ao menos nos encontrar.. o vermelho levado por rodas surrealistas, onde eu senti a sua morte. 

eu queria dizer que foi a mim que você matou quando foi embora, mas hoje eu recebi um e-mail que não era seu mas falava de você. y ninguém nunca soube que eu te amava como te amo [ainda].. mas o universo sabe porque veio até mim essa verdade. eu chorei. quero que saiba que chorei, y continuo desejando que  você se foda. é urgente a dor, I. é muito urgente. fique vivo. eu sei porque precisei ir. embora não quisesse ainda. y não foi você quem me expulsou. não foi você.

eu recebi um e-mail [ainda bem que não é seu]. ninguém sabe. você está vivo. agora eu sei!

de passagem,
P. Andreza

transmutação

eu te escreveria poemas
se eu te amasse

mas agora só esse desejo
de amassar o teu nome
y jogar na fogueira
y pedir que você me queime

él

y porque cuspiu
nos meus olhos
comeu
duro
os meus sorrisos
bloqueou o meu nome
no seu

eu te odeio
com todo o meu amor

quinta-feira, 22 de junho de 2017

estrangeiro

poema bate a porta
pede pra entrar

abro a janela

ele entra mesmo assim,

descansa tuas asas
passo um café
esfarelo alguns beijos
y ele bica

poema tem medo de amor
y sempre quanso quase
ele vai embora,
só que pela porta

eu agradeço mais um dia de fé
mas não espero
sua volta,
 mesmo ele voltando

o poema sabe
a minha poesia
só não sei porque volta


incendio surrealista

então eu desabo o vinho
tinto
sobre a mesa

mergulho geometricas folhas de nós
principalmente meus desejos em branco em que falei de amor
sob vermelhos
y uns mares de azul (salgado) de você
anzol
trapezistas
janelas abertas de frutos do mar
você: esse furto de mar

espero que dissolva
as palavras em borrados
de nadas
espero que nasçam muitas cores
[não vou ficar aqui na superfície para ver]

mergulho!

quadro exposto de imagem
cubista
onde se pode deixar
uma bela história emoldurada
y ir embora

triangular,
só minhas pontas doem agora,

congelo infinita
sob o cosmos
sem esperar secar..

nota: esse quadro nasceu de um incendio! ou esse incendio nasceu de um quadro
mudo

madrugada II

pássaros sabem o voo
não o voar!

temporal de inverno

porque todas as vezes que falei teamo
na verdade não sei o que é

não se pode amar y continuar escrevendo
 pensamentos

quando escrevo, não é no amor que estou
é na ideia

y escrevo teamo
porque estou te chamando
para o que em mim é amar

em você,
surrealismos
dobras no nariz
sons metálicos
poesia
um ventre desenhadas serpentes
y um dragão cuspindo fogo dos olhos

essa tempestade que só se me anuncia
essas gotas que enchem a boca
do meu desejo de amar
essa alma sensível ao outro
essa alma sensível a si

eu nunca soube o amor
y sinto que posso ser
com você

depois desse temporal de inverno
do desejo


noite longa

inverno,
primeiro despertar
desta noite longa.

trocou voos com o desejo, passarinha?
chamou-o de aberto
daí fechou os olhos
y abriu as asas pra dentro:
sem amor

mais uma noite em que não se reconhece

mastigou alguns vazios
de libedade
guardou as asas
y dormiu com apenas algumas doses de desejo para comer depois

esse desejo que pinga do corpo
esse desejo suor
carne
espinho
ferradura
arraias de sons miúdos
traqueias furadas
ouvindo o próprio som de quase morte

som sonífero que toca os ouvidos
y só os ouvidos y algumas concretudes do pensamento

que não perfura a própria voz
que não silencia silencios
barulhosos
que não traz sons de galáxias antigas de sorrisos
mas traz o som da vida
pacatos desejos

era isso
 apenas a superfície de gelo
ancorada no desejo (hilda)

y porque não acreditava no amor,
começou acreditar em pássaros
essa ideia
y só ideia
de liberdade

porque a verdadeira liberdade, se existe,
está em algum lugar
de Amar,






domingo, 18 de junho de 2017

espera

lambeu minhas costas
passou a linha colorida
de fios dourados
beijou minha boca

depois limpou os dentes
com a linha
y foi dormir

o bico dos meus seios
flutuam
endurecidos de desejos


efemeridad

também é função do nome
a liberdade da altura

um eu carbonizado
faz amor com o céu
em cinzas

só o amor
nos livra do passado
y da ânsia pelo Todo

meu nome é Poesia
y eu vivo a
Nadar

madrugada I

há um tempo em que
os lábios secam
sob rachaduras de solidão

um tempo onde sorrimos
para espantar o medo de cair de novo
sob o abismo de si mesmo

um tempo de janelas triangulares
a contrair pontas

geometrias da ausência

então há o tempo do amigo,
aquele que chega no tempo de um café feito na hora
que chama teu nome Andreza
alto,

y te puxa

abismo é o nome
em que não sou

é o nome
em que me prendo

presente

se você me visse onde estou,
você me puxaria de volta à margem em que me esqueço?

vou te contar que hoje tive um sonho
vou te contar porque não te puxei
do sonho que você não estava nele
você sumia sobre o teu nome concreto
líquida
y é assim que eu gosto da nossa história

lugar onde você escorre de mim
acena,

eu gosto que você vá embora de mim
eu já fui
quando você começou a contar o tempo dos passos
começou a ponderar desejos
a iludir ideias,

então vou encontrar uma árvore bem grande para
escrever teu nome nela
y fim

aí você pega a máquina de moldar papéis secundários
encontra teu nome,
lamina roxa
afia
enfia na garganta
y faz um colar

vai ficar lindo

bosque encantado

gosto de falar sobre a ponta
dos dedos se tocando

frenesi de borboletas

agudas de liberdade
se amando

dois animais,
apenas
há penas

embora borboletas
se amando
se
amando para ir
embora
amando

tesão

ela tem um sorriso
de alta
tensão

quarta-feira, 14 de junho de 2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

mais uma noite de lua cheia

os poemas que se manifestam em
estrelas cadentes
brincam com o infinito...

ninguém sabe
onde um espaço de céu
y nada

segunda-feira, 12 de junho de 2017

light paiting [aquarianas]

ela disse que existe um poema
possível

poema incandescente
que nasce da lava dos vulcões

invisível

poema espiritual
feminino
repleto de palavra nenhuma

espiral

da carne que se veste a nossa face
dos braços
da cintura
das mãos que invadem o dorso da poesia
das folhas de todas as florestas
das chuvas de todas as nuvens de dentro
y maçãs
onde escorpiã é Rainha

material da vénus
em ascendência
milhões de beijos-luz
caminhando magia

canal precioso de iluminuras:
poema vai surgindo y mete as asas
nos meus seios
explode um arco colorido
y volta para estado de danza

beijafloreando passos,
o poema é o poema
poema
poesia

então me põe um lugar de nuas asas
onde os pássaros descansam
atrás de quatro asas marítimas ou barbatanas amarelas
de mãos
tateando o infinito
em busca do que faz tremer o corpus

em estado do que faz correr o tempo das asas

o lugar que ela fala
só gente voando braços
pernas
cabeça invadindo
o escuro das saias

gente que já é outro
possível de carícias
em abandono delicado
deliciado

um poema-lugar que o poema perfura
a vida
onde o poema só respira

y a orquestra humana se apresenta
voraz

y a dança
leva
y só leva
lava, pó, fogueira,
sorrisos de lá
silêncios
para o estado onde não se pode
mais dizer palavra

aí existe um poema
que não se sabe
y ela vez ou outra ousa
pousar no que se quer ser
madura

ela, sempre inteira
porque em
partida..

ela disse que ela existe possível..
eu acredito

terça-feira, 6 de junho de 2017

da poesia

existe um poema segredado

altar poético de cada poesia

é uma tempestade de asas.
é rio que corre parado.
é um porto de loucuras,
à margem do infinito de cabeças

é uma cena
Poesia-Senha de si
- y eu ia dizer Senhora -

é escuro com susto de estrelas y caos
é fundo y poço
é plano y raso
aço

éter profano
[sagrado]

existe um poema exaltado num depois
poesia...
em que se põe de quatro
y a gente reza dequatro
mete a língua y toma vinho
de segredos

nunca precisa ser no quarto

depois descansa das roupas
espírito
y senta

ora

 ch
ama

troca

ele apertou o parafuso
y me olhou

por um momento muito breve
parecia que era a mim que ele tinha apertado

quase doeu,
mas eu não sei o tempo
dos parafusos
então deixei pra lá

segunda-feira, 5 de junho de 2017

vieste

vieste me encontrar
onde o fio da vida é porto
dum logradouro de abandonos

todas casas desertas
o canto das paredes habitado de loucuras

amor ou outro rondando o amor que é
amar

y porque vieste de novo onde me acenou
um dia
os versos do teu nome se..me escapam

só através do espelho
enlouqueço essa voz que sussurra o espelhar maldito do teu nome

não tem nada mais, lá
entre as janelas
além daqueles eternos invisíveis

bendito seja também o teu nome maldito

voltei onde me acenas
porque nunca fui
y num que fui pássaro - dessas noites em que não se sabe [nadar]
desses dias em que não se sabe
nada
nada
y se voa de Fé

num então de de.novo,
porque vieste tropeçoso entre meus pedregulhos
y ainda assim insistente
me indicou o corrimão
da aurora dos silêncios

acenosa, à margem em que volto
ou vou [não sei]

eu te ofereço parte
do que em mim é margem
em que me esqueço

eu te ofereço
minha partida mais chegada

eu te ofereço uma altura que não sei
de fé

vieste

[com amor, para walmir ayala]

também

sorri ela:
a lua em escorpião

de novo

fechei os olhos..
perguntei
ela disse de novo "novembro"

porque meu amor nasce
escorpiã

ritualistic

algo me acontece
quando me banham
de sorrisos
em noites de fogo

não te beijei ainda,
y sei que teu sorriso tem gosto
de maçã

uma

sob o caldeirão de fogo
eu te beijaria, girando entre teia y saia,
infinitas vezes
mais

transando escorpiã

dos infinitos

y também todo voo
nasce para a tempestade

[por isso vinga]

síndrome da beleza

de novo ela estava lá lambendo o céu
quando eu quase cheguei

mas não fui ainda,
porque tem algo de belo em olhar pássaros
chupando nuvens
enquanto não chovem

se eu escrevesse uma história infinita,
ela seria apenas isso de que a chuva nasce é do voo dos pássaros

por isso quando fazem amor,
as tempestades..

asas em asas
uma fundura
perdição

por isso eu insisto em conhecer amores
em dias de chuva,
para abrir a boca y
tomar o primeiro gozo
batendo
asas
também

gozo de voos
vindo dos céus
em que se voa com pressa
do outro

[y pode ser que já era amor]

promessa de noite de chuva

deito sob o asfalto,
os amarelos pedindo atenção
os faróis todos de cores "pare!"

você me puxou,
durou três segundos y algumas eternidades,
o infinito que me trouxe você.

y porque chovia,
foi se esquecendo, doce, sobre mim...
esqueceu a palma das mãos no meu rosto
esqueceu os dedos nos meus cabelos
esqueceu lascas de unha nas minhas costas
esqueceu  muitos beijos longos

no altar dos nossos corpos
esqueceu minhas pernas enlaçadas sob as tuas
embaixo do manto
esqueceu de ir embora

agora fico aguada,
dentro desses portais
que me floresce
por dentro

vidraça

são tuas ou minhas
essas gotas de suor 
chupando a vidraça do passado?

separadas,

do lado cá - do seu lá
sigo voando três giros pela manhã [sonho liberdade solidão]
três saltos a tarde [desejo - necessidade - amor?]
y três beijos a noite [onde te escrevo poemas, onde te reescrevo poemas, onde te me inscrevo] 
presentes que ficam ainda
                                           estancados sob a janela

enquanto você não chega
essas gotas mudas..

soprei também três palavras num poema que sempre foi pra você

'teamo
te amo
t e a m o'

suada,
visto a roupa
y o varal

gotejante 
te espero na altura de fora
onde o nosso vento pode chegar
mais y mais naquele passado
embolorado entre as pernas

sigo meus movimentos
y eles querem o lado de lá do meu cá
eles querem você

enquanto você não volta
 traço firme no salão a dança do teu riso
a que tua fome me ensinou

são tuas ou minhas essas gotas
em que floresço ainda?

espero calendulosa
a promessa
em amarelo
                         do seu nome

ella

meu amor tem sete cabeças
três dedos
y  9 bocas

são muitas
asas

rastro

repeti mais três vezes
aquele circulo
em volta do teu sorriso
alado

circuncidado,
meus passos se voltam contra si
tropeço
y caio,

morrer
é apenas questão
de outra parte

desfecho

fecho os olhos
só a poltrona conhece o peso
desses indizíveis

o meu corpo está molhado
dessas securas
um suor que alimenta cada vez mais as loucuras que não digo

corpo pesado
de pensamentos

se pudesse,
conteria a brasa do fogo
de mais um adeus

mas escorro, pequenina
entre os girassóis desenhados no braço
que me acolhe

é uma poltrona irlandesa
amputando
calada
minhas asas

sexta-feira, 2 de junho de 2017

de novo

se você ainda ouvisse a minha voz
eu pediria para passar a língua na tua garganta até te lembrar da tatuagem que fizemos com o
infinito

repetidas vezes, chuparia o teu silêncio
até que deles brotassem os teus desejos
lamberia os retalhos dos teus sonhos até que
você sonhasse com o tempo das mãos juntas
morderia a lembrança dos poemas até
você me recitar, me chupar
até você parir a noite
nua
y gritar louca como te vejo: 'sua..'

aí então eu entraria,
templo sagrado do teu eu
até chegar por dentro da garganta
escarlate
onde me esperas
poesia

onde eu meteria, colorida de ti,
todos os seus/meus movimentos
encarnados

num feixe de sonhos amarelos y desejos azuis
y eu meteria meus silêncios dançantes
de você
meteria alguns poemas errantes
prateados
uns retalhos que tínhamos y ficou comigo
das alturas que fomos juntas
un día

no toco de uma das árvores da floresta de ti
pegaria a maçã dourada
concluindo com o nada que
cheio de retalhos são os invernos
y as flores que se escondem em seus infinitos de não nascença

até que nós duas: labaredas de nós
choveríamos estes escuros claros
Uma-duas
até pousarmos juntas no nosso tempo:
pirotécnicas
templárias

é o tempo do sabor
o templo da boca
é o nosso tempo de amor

sem que possa contar,
como uma prece de lobas,
você me uiva em infinitos
lembro y lambo, repetindo a oração

das noite de ombros calados

[de novo y de novo y de novo]
fazemos o amor

co'as curvas de alguns silêncios
encantados

[encarnados]

onde mora um possível de poemas
y escorregam de novo como se brotassem assim
escorridos das tuas
pernas

no alçar voo de brancuras
me enfiando um arco íris de sorrisos
me enfiando tua linguagem passariciosa
em estado elevado de ausência,
essa presença

algo como líquido
escapando do fundo dos ossos de onde nascem as palavras

como o amor das pétalas em todas as rosas
que não nasceram nunca
ainda
sob uma espera de rosas

numa tatuagem livre
no invisível sutil deste
ou de outro amor
Nosso..

merda

os blogs
os livros
os pássaros
as florestas
os faxineiros
o carteiro
a cartomante
a menina louca
o lobo
a loba
a lua
os punhais
as punhetas
as bocas
as bocetas
os poemas

todos estão a dizer sobre

a m a r

enquanto o amor está lá.. borrado entre os silêncios!

roteiro

eu só
quero passar a língua
nas tuas curvas
y voar

sábado, 27 de maio de 2017

corpus

gosto de gente que sabe
que tem corpos
perdidos em
outros planetas

das formas y cores

existe quem quer pertencer
y existe o infinito

eu gosto de pertencer ao infinito

nunca conheci quem vivesse
todos os seus amores
de forma leve

as pessoas são pesadas
não há toque
não há sorrisos sem medo
todos estão na mesma merda de castração afetiva

y eu ando cada vez mais sozinha

só que às vezes coloco alguém
no meio
y às vezes alguém é leve
y vai ficando
entre os voos

sobre um instante y fim

tinha as mãos mais gigantes do mundo

com elas
construiria tudo
que quisesse

imaginei ele construindo um castelo inteiro
sozinha
y um reinado em mim

eu nunca me apaixonei tão rápido por alguém
como me apaixonei por ele com aquelas mãos

foi bem rápido o quando os impulsos me impulsionam a dizer oi..
eu disse oi
depois veio o sorriso.. e putaqueopariu, que sorriso!

tudoissofoimuitorápido

y a namorada dele o abraçou por trás.. queria poder dizer que tudo bem, mas como é que se explica isso de querer escrever sobre as mãos de um desconhecido e continuar vendo o seu sorriso?

a gente perde cada amor pelo caminho.. eu hein!

perdi

transfiguração

tem gente que nos ajuda a transformar nossos venenos em antídotos

como teu sorriso belo
no meu

escorpiã-rainha

nas entrelinhas do meu desejo
está o teu nome
scorpiã
artesã de venenos



parasita

se instalou
lilás
sobre minhas palavras

vagalumeou três dedos
sob minhas pernas

eu não sei onde estou
quando você não está

y parece absurdo te procurar
no que escrevo
quando minhas palavras querem dizer que você se foda

y no fim
me foda também
de novo
y de novo
y de
novo..

porque existe uma história
que não sei porque se insiste em se escrever que meus lábios te esperam

sobre as histórias do IR

a gente nunca sabe quando vão nos plantar
invisíveis

eu te mandei uma carta com um fósforo aceso dentro
não sei se deu tempo de ler
que
antes das chamas
haviam borboletas entre as palavras

y você me falava de sonhos
desenhando no ar as cores
y era lindo porque eu via

eu te desenhei um roteiro abstrato
de solidão y falei "que bom que você não leu"
enquanto me pegava pela cintura
naquela noite nua
y me sussurrava cometas

eu te mandei uma carta
onde nela eu chovia

y você não me respondeu

espero que tenha dado tempo de ler
que nunca fui tão feliz
em uma semana de você

espero que tenha dado tempo
para o tempo

porque alguma coisa aconteceu comigo
enquanto aquelas noites me aconteciam

y eu não posso mais falar de solidão
sem que teu corpo me invada
sem que tuas mãos me soprem aqueles invisíveis

aqueles invisíveis que não sei o nome
mas ousei dizer na carta
que a chama
carrega
pingando

o quando

da lucidez

existe um momento de preocupação no que vejo. como dois arcos se exibindo infinitos.

sombra y luz..

bolhas demoníacas
estourando sob meus olhos
plástico de mãos
fingindo carinho

eu quis dizer também fugindo

meus olhos ardendo
de

um poste
a luz que não existe nele
os afetos afetados

y um desejo enorme de viver medíocre
entre as pequenas luzes que se acendem por não estarmos sós

tão pequenas
quanto a luz que vem sem sombra

porque os sorrisos não são resgatados com pequenas luzes
os sorrisos são das sombras

y tem gente apenas cansada

apesar de ter alguém

formulando
felicidade
em luz sem sombra
luz
inventada

resta apenas dizer que luz
inventada
se desmancha também
numa pequena invenção

onde uma cobra pica
onde as lobas salivam
onde a lua transita imperiosa a noite dos corpos dos amantes
onde a floresta come y chupa os dedos no mais alto de suas árvores
onde o globo ocular amarela, estrelando nomes destinais

ela se desmancha
em verdades
de sombra

onde
o quando..

segunda-feira, 22 de maio de 2017

desintenção

são tantas chuvas
que me queimam

meus trovões - feito um gozo -
estremecem
sob a luz fina do teu nome

tênue é o porto do encontro
onde duas mãos
livres
escolhem dentre tantos mundos
serem duas
[separadas em uma
se enlaçar]

das linhas invisíveis de um poema

eu saltaria o caminho
dos giros do teu batom
se soubesse onde
florescem
os teus vermelhos

te roubaria um beijo
num pouso
ou numa dança marítima
onde o mar cobriria tua boca em pérolas

te beijaria onde o Mar
é a vida
beleza
outono de primaveras

onde suaves y sem medo
os olhos surfariam
estes invisíveis

y num momento
tão qualquer
mesmo nos beijando
você me beijaria

sexta-feira, 19 de maio de 2017

de quando te sonhei poesia

sonhei que eu tinha uma indústria de canetas personalizadas
y você vinha levar
a sua

era azul
a sua

só a sua
escapavam estrelas ..

quinta-feira, 18 de maio de 2017

da tentativa de se iniciar um relato

a primeira parte de uma escultura que se molda é a parte que não é moldada dentro da gente.. a cintura dela.. sempre

 a cintura dela
 a me recusar
 invisíveis

quarta-feira, 17 de maio de 2017

escorpiã

cospe fogo
nas entranhas tem um nome pontiagudo
< destino >

y me sopra o dragão
na pele

absurdos que escrevo
enquanto sua presença ainda

se.me dissolve
enquanto ela me nasce
escorpiã

terça-feira, 16 de maio de 2017

chove no meu quarto o teu nome

ela era uma escorpiã
com asas

lembro da fogueira ardente
sob o ventre negro
onde nasceria uma filha
da magia

me toco sob a lembrança do fogo
nos dedos

queimo a tempestade do
meu nome
no teu: cavidade de onde me nascem
estrelas
y luas minguam


sobre quando o coração voltou a bater louco

se ela dissesse que
nasci de uma escorpiã,
acreditaria

existem muitas formas de não acreditar
no que se acredita

só depois de ir embora
que esculpi os escuros daquele passado:
ela tinha a boca de escorpião

envenenada,
eu ouvia encarnada

enquanto alguns portais se abriam sob a sombra de uma nuvem
nua
a noite se fez bailado

entre os anéis de saturno
que a Era de Aquário trazia
era uma vez 
de novo..

sexta-feira, 12 de maio de 2017

da mitologia que habita

as asas dos sonhos
não são as mesmas asas que cabem no poema

então lanço meus versos
à poesia do sonho
porque sonhar é não saber, mas infinitamente estar
junto
os cosmos,
as tríades do desejo
você
o poema
o amor

nada pode com o amor

no poema eu posso escolher
o sonho não. o sonho faz amor

inteiro promessa, o sonho
é também a linguagem dos deuses

onde a Deusa voa em direção de si
y me sopra
você :este estar mudo
dentro de mim

você em mim, este É
que sonho
y desperto sorrindo

quinta-feira, 11 de maio de 2017

mapeações

"um casamento não te prende. dinheiro não te prende. o amor dos outros não te prende. o seu amor não te prende. nenhum lugar te prende. nenhum ser humano"

eu nunca perguntaria o que me prende..

então fiquei assim, só

com essas divagações.

Voz

desde ontem
que não paro de te ouvir

em mim

sobre a eterna partida no mapa

me disse tantas vezes "não te prendas". logo eu, que nunca me prendi a nada. que queria mudar isso, fazer história, mesmo não sabendo que nunca seria de mim isso. eu que de tudo voo. até dos amores. disse que não se pode prender ao humano, quando a alma cheia de seres de outros planetas. quando a Deusa chama. hoje a minha tribo tem um nome ida, até o encontro. a minha tribo hoje é o outro. ela disse para dizer adeus. eu que coleciono adeus. que me prendi na poesia para poder alcançar algum encontro que por um momento escrito seja verdade. que sei que por um momento muito sutil dentro de mim também foi. ela disse para eu voltar porque a nossa história nunca vai acabar numa conversa. voltar pra ela, é a unica volta de que se fala. porque nossa história sim não é das palavras. então eu volto. faço o café, beijo sua tatuagem y vou embora. a diferença é que ela sempre soube que eu eu iria embora. mesmo eu mesma indo embora y não sabendo

agora esses versos
líquidos
carregando uma enchente no significado das palavras

agora essa tempestade
que se me
transborda

no fim de um raio
onde Lúcifer me acena
os passos
me esperam
[meus]

desde ontem
que eu floresci meus conceitos
que quero voltar lá

eu disse voo
                    lto

paralelo ao outro

essas guerras
com o outro
.essas guerras de mim.


karma

teu karma é
[de novo]
teu espírito selvagem

mapa

leu,
como nunca antes alguém havia lido,
minhas estrelas

disse que não vou ter casa
nem casamento
e que os amores todos comigo
mas eu com ninguém

disse que não sou gente
disse que aos 28 se pode fazer tudo

y mesmo em pleno voo,
seria preciso voar
mais

porque meu mapa
é inteiro nu

y nunca se sabe onde
é o ponto
g.


segunda-feira, 8 de maio de 2017

mira

no me olvido
tu sonrisa
tu voz
sus manos 

solo no estoy más con las ventanas llena de palomas
para te volar

mira, 
hay recuerdos que no lo sé más

escucha, no quiero 
fica lembrando de ti enquanto escrevo versos

yo te quiero ahora
donde tu nombre es Otra
y infinita
donde volar es voo

lâmina

duas lâminas coloridas
cortando a madeira
das nossas vidas

madeira roxa

fez um lindo anel
roxo
que escorria feito uva
em meus dedos

órbita

eu nunca disse,
mas agora posso dizer com esse amor que se.me..

[nos olhos dela
se escondem
meus anéis de saturno]

por isso também o meu tempo
passado presente futuro
sagrado é o encontro que a gente se encontra
no tempo do tempo
do agora

desde que ela
chegou
que eu só floresço
mesmo no inverno

porque ela sabe da flor

manhã


também é o nome mais belo que se dá
à coragem humana

dos escuros s'curos

estamos sempre a um passo da escuridão das coisas, S. não se pode medir a escuridão pela distância. a escuridão se mede pela fé. fé não tem distância, S. põe um lápis na garganta  l e n t a m e n t e.. escorrega teus medos com  a intenção que o lápis tem de te fazer engasgar. não engasga. segura. vês? a escuridão do lápis é onde você consegue chegar sabendo que ele está entrando.. entrando lentamente até fazer você perder o controle de segurar o lápis, até que ele esteja por um segundo inteiro dentro de você y tudo desmorone. o lápis fora, você tossindo escuros. vês, S? quanto tempo demora? às vezes é não segurar mais o lápis em direção á boca, S. vês. tudo isso é só uma ideia. não levar ele à boca. ficar assim com os olhos espantados d'ele dentro de você. mas repito, S, tudo isso é Fé. pela primeira vez te digo assim FÉ.

agora pega essa taça de vinho y molha teus escuros. você não vai ficar sozinha por muito tempo, S. dobra o joelho. reza. chora. agora imagina que ele não É. vê que ele não está mais aqui dentro da sua boca y agradece.

às vezes o escuro
está embaixo
da roupa

y se diz
pele

nascido de faz tempo

com os olhos cerrados de nós,
viu a bolha gigante que nunca
que não estourava
nunca

passou duas nuvens
y foi embora
choveu
relampeou
y a bolha lá, onde ele estava dentro
todo
inteiro
calculável,
y ela a contar abstrações

tinha algo amarelo quando

buscando a luz
no fim do
verso
um encontro aconteceu,
mas já era tarde

ou parecia caos
de estrelas
nascidas de faz tempo...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

[a loba que me uiva]

ouço meu nome
de novo

me cresce um grito
y é uivo
sagrado

avanço as matas de mim
 nasço
renasço
Mulher de Agora
guiada pela Lua

minhas mãos transitam meu peito
meu coração
bate

no espelho
a loba
com cabeça de árvore

se abre
se uiva
            y voa

a loba dragonizada
etérea

salta

y eu acordo Ela

bétula

então eu pulei
y era voo

y você também
veio

bétula
bétulah

guirlanda de amor

silfos dourados
se amando no ar

anunciam essa tua
eterna vinda

tua vinda que
sou
Nós
vindo como um silfo
de se amar

sexta-feira, 28 de abril de 2017

el poema azul

me escreveu abismos
numa xícara azul

y eu tomei

¿para donde bailan las gitanas?

porque fora é
dentro demais

ela dançou três poemas
en mi boca
y se fue
palabradura

baila, niña

baila

que aún
te alcanzo en mi

[convite]

andarilho de mim...

vem na altura dos meus giros
que te preparo um grito
no fim

vem festa y desejo
que te ofereço um caminho
de mim

para que eu te dance
porque eu te ofereço meus ombros
desse meu lugar nenhum

vem, que te dou meu abandono

para que me encontre
para que me chame
para que me encontre

porque eu sou fogo sagrado da dança
sou fogo da tua vinda
eu sou partida

vem,
não vou demorar
mas te deixo um lenço
mas te sopro um vento

porque eu sou
de lá

mas te guardo meus giros
y  com giros y saias
eu vou embora

para te sorrir um recomeço
da porta pra fora
de nós

sábado, 22 de abril de 2017

sense

me fez uma oferta de dor

não fiquei para ouvir muito

pulei a janela da tua vinda,
porque não quero o que não é presença-
sagrada
porque sagrado é o tempo
o encontro
de quem encontra

nua
patrulhei com as lobas
escrevi no uivo um poema
que você nunca ouviu
porque só ouve quem encontra
os uivos
quem come a Lua [uivante]

mas você nunca foi loba demais
para

y a floresta é grande
quando os braços enrolados de silêncio
y caos

minha fome é louca
como a tua

segunda-feira, 17 de abril de 2017

ascendência em Outro

hoje acordei e vi tuas costas
ainda
cada sinal infinito de ser seu
suas curvas

algo me fez ir além..
aquele ataque de tigres
ou a cicatriz das águas

se eu pudesse o tempo das cicatrizes
diria que faz-se o tempo em que se é eterno
é o tempo da madureza
o tempo de ser outro
é o tempo que se lança 
abandono y delicadeza
que se lança em amor
que se lança em outro
por outro
para o outro
que se sangra, põe pra fora o eu
que salta
atravessa
Salva
então vira cicatriz

então o mundo do corpo é sim isso de tatuagens ou cicatrizes

sempre marcas
vivas
inteiras antes de nascer no corpo
muitas vezes invisíveis..
porque há lugares que a gente nunca toca
há lugares em nós que apenas salvam-vidas

o lugar de um beijo de quem se ama,
a morada da língua, as unhas,
a oração dos sexos
 
toda cicatriz é uma febre no corpo y é mistério

aqui, faço uma oração às promessas desta vida,
tuas costas
tua nudez
a mudez dos teus sinais
tua coragem
o mar

como uma oração às tuas costas y às tuas coxas
se pudesse saber o tempo do infinito dessas cicatrizes
eu beijaria 
soprando na língua dos deuses
que teamo
em língua de tigre
em língua de fadas
em língua de chuva
em língua de agora

eu te beijaria
até não entender mais o que é beijo

de nome amor

escrevi poemas em papel de pão
guardanapo
mesa de bar
árvore

seu nome me é
inevitável

invade, escorre,
queima..

que vai fincando..

esqueceu o lenço
esqueceu o sapato
esqueceu o anel
esqueceu o botão que soltou da blusa
esqueceu a blusa

assim não conseguiu esquecer o beijo,
traçou uma lembrança de caminhos
sobre os meus

y por isso sigo voltando...

porque eu esqueço sempre
y a vida a me lembrar
que o amor
é uma promessa invisível mesmo

que vai ficando
colado na bobice invisível
do nosso sorriso

posição piano mudo

é como ouvir o som do piano
mesmo sem ninguém a tocá-lo

quando você me salta
é como não ter pés
é como ser só mãos y bocas
tateando o infinito

é como ser fome
y sem saber
encontrar muitos corpos
até gozar

é como não ter nome
isso de fazer amor na sala
olhar para o piano
dos teus dedos

é como se brotassem asas no chão
um perder-se
de tanto encontro

é como você
em mim..
essa flor
que bica y voa sob minhas peles

domingo, 16 de abril de 2017

posição escuro

artesã de escuros...

meteu no meu dedo um poema
[eu que sempre tive asas afiadas demais para aliança]

meteu no meu dedo o infinito
do teu nome
      pronome

intima sob a noite
girosa ao lado da cama
sopradora de chamas
meteu os teus dedos nos meus
me deu seus escuros

percorreu três ou seis silêncios
talvez nove

no alto, um vibrar de tambores
nosso coração
nossos gemidos entregues à cama
teus dedos / os meus
tamborilam

travessia

íntima, teus dedos claros
sob a entregue escuridão de mim

teus dedos
que me desfaço em inteira

teus dedos-meus
da sua arte de tecer-
me escuros

transcendem

quando chegamos aqui...

daí Ela veio
y me salvou da superfície

me levou pro fundo
do céu

y ainda estamos aqui,
que é lá.

passarinhas

chove no meu quarto
[faz tempo]
agora os teus olhos fechados
nos meus
tuas mãos enlaçadas
nas minhas

esse desejo de te invadir além do corpo
o escuro encontro das nossas asas
sempre abertas
sob a chuva das horas

porque faz tempo que chove no meu quarto
a sua presença

[quando você chegou
a janela já estava aberta
de sol de lua
de colibris]

você pousou
a boca, os olhos os pés-em-asas
os caminhos de céu
desde o primeiro dia que nós...

quando você chegou
eu cheguei
y éramos Toda Lugar
moradas

aí você entrou
fora
eu corri pra fora-
y te vi dentro

y peço que fiques
onde não estou.
onde não estás
onde nós
                sendo...

[voando infinitos]

[do encontro regido pelo infinito]

se soubesse
que do teu beijo
me saltariam estrelas da boca
das costas dos olhos dos dedos do poema
y essa constelação simétrica
no ventre

teria te procurado
nesse encontro..

mas não tem jeito,
quando é Encontro
            Ele É,

antes de você

eu não sabia
que dormir
é encontro

líquidas [duas Luas sob a cama]

você me veio noite
clara
depois de você,
seguidas luas cheias
embebidos sorrisos
[como gosto]

agora esse desejo escorrendo
em minhas pernas

sonhei que fazia amor com o sol
y era luz entrando y saindo
hmmm

o que faço com esse escorrer de luzes branquinhas?

se não era o sol
era você, a minha outra face:
Lua

das flores de nós

ouço um infinito
de que o amor que chegou
veio para amar

terça-feira, 11 de abril de 2017

da bela lua

então eu passo a língua repetidas vezes
sob teu peito

circular é a dança que te quero

traço voltas
y você volta
                    pra cama

percorro o instante
de um doce silêncio dos teus cabelos 

como é que se faz um anel
no seio da vida?

a tua vida me responde:
ele endurece depois recebe

sempre quando se tenta dizer o que acontece depois,
vem o susto de um estouro na boca
[ninguém nunca fala]

um estouro
do que escorre 
y é caos

onde pequenas constelações
trocam passos
com o amor

dos encontros

esse teu sorriso
que me obriga a ser feliz
 todos os dias

a expansão dos dentes

eu não sei de onde vem
isso de sempre te morder quando me percebe o amor que te amo

um desejo de te arrancar as terras
y só existir o que é raiz
florescimento

um desejo de te arrancar as janelas fechadas
os pesos
um desejo de você aberta

y que ela assista da outra janela
o queimar do seu colchão,
da sua toalha
da sua cortina
do seu lençol
da sua rotina

sob a cama de fogo
libertar do voo
o voar

libertar do fogo
o queimar

libertar da língua esse desejo
essa loucura de linguagens

libertar dos dentes
as formas dessa vontade de te encontrar mais

esse desejo de libertar de nós a nossa liberdade

como um amar sem nome

inteiro pelos cantos.
inteiro
               pelos cantos

feline

então você vira
   de costas
me dá um beijo
y o raio sai de novo do meu peito

o raio laser
azul y vermelho
como nossas histórias
inteiras

promessa

eu te olho
y te olho
y te vejo..

y não sei onde você está
sei sem saber,
que você É

não. não sei,
sinto

então sorrio
para a promessa que me veio

artesãs

eu tiro seu colar.

nuas de nós,
as pedras gemem
[também]

cura

corre sob meu peito
amadourado

uma fenda
que só teus dedos
alcançam

das cicatrizes eternas

lembro a noite
que o tigre te atacou

por um segundo
não era o tigre
sob as águas
era um peixe

vivos porque você sabia salvar
y nadar

energia

é como o mistério do percebimento das coisas. quando sinto uma nota vinda do piano quando ela toca y me olha como se estivesse me vendo pela primeira vez. ou quando toco sua mão, quando beijo sua boca. eu diria muitas coisas que acontecem quando te beijo. sobretudo quando te beijo no banco em frente ao piano. são tantas cores y formas. eu diria que um sol entra na sala y que os raios atravessam a nuca dela y das costas (sempre as costas dela) saem um tanto de asas y pássaros y muito do que não sei mas que me encanta. é como não ter pés y imóvel caminhar com outra coisa que nunca o que É. é como não ter olhos. é como um viver de cores aplumadas em si mesmas entrando e saindo de todos os nossos corpos, dimensionando o som numa transa invisível..

é assim quando te vejo ao piano:

as coisas somem
e tudo existe

um absoluto

feito um vermelho excitado
sangrando delicadamente
louco

feito eterno.

                             feito um sopro...

de alguns todos

o tempo
é só o tempo
quando estou com você

 y ele pode ser 
ordem
futuro
momento

porque o tempo, quando estou você

                               ele é Nada
                                 y inteiro

terça-feira, 4 de abril de 2017

do fanstástico mundo das coisas de nós

se a sua cama falasse
ou se contassem os lençóis sobre o mundo dos nossos lençóis

haveria em respirar
uma realidade sobre asas se colando

haveria um dizer da noite em que dos teus seios
me saltaram duas serpentes se enroscando nas minhas coxas

da noite ainda que
os teus olhos me cobriram de uma fênix aguda
fênix-mãe/ não renascida
fênix primeira-filha - n a s c i d a
preparando sua primeira morte
sobre o meu corpo

e se tudo isso se nos contasse
seriam verdades
de uma presença infinita
do infinito que você me causa

sob o pano de fundo de asas de dragão da nossa ausência infinita
de estarmos longe
y Toda
seriam verdades que não sei
se me voam ou se voei..
mas existem
quando te olho
y só te vejo

do quando / em quando

são tantos pássaros
voando ainda das nossas costas
desde que...

foi assim o dia que te encontrei
dois nomes num de voar os voos
y os pássaros se bicando
se querendo
se voando
se beijando

foi então que o tempo descartou o cinema
as horas nos escorreu para o ponto
embriagadas

há um algo de inevitável
em ter te encontrado

um que me colou ao seu beijo
um que me voou de mim
um que não me silenciou os passos
de te voar
voz ar

sinto forte essa prisão
de te vou
               ar

ela

teus dedos me escrevem poemas
de dentro
do que eu nunca soube

escrever é este escuro
indo y vindo
                    a procura de
                              teamo

até logo

se desenho infinitos nas tuas costas
é porque não sei do que existe

sei que tuas costas tem pássaros
que me voam
y eu Voou..


posição tigresa

se te procuro sob tua cama
y solto os meus poemas
é porque não entendo o farejar
y porque infinitos
eles me-te
caçam

então salivo sob tuas costas,
bebo o néctar que...

y não importa o que existe de olhos abertos
é sempre de olhos bem fechados que te encontro

te Escuro y mordo
 y do que é garras,
abraço

é um possível de nascer mudez
grrrr rawn
é um possível de infinito...

você já viu uma tigresa rindo?

ela deixa marcas,
                              mas sorri...

então fecha os olhos
y vem também



quarta-feira, 29 de março de 2017

de quando me roubei de ti a tua boca

sinto tua boca
sob os desertos de mim 

te recebo em dança
sob meus desertos

... há um som em passos de vento...

desejo de tecer esse abandono
a matéria fugidia,
chegar em você
sempre a tua boca a me dizer que a minha boca é linda
que.. ah...

esta solitude..
tu y yo, 

os olhos fechados
um tecer de abandono...

sinto o amor onde existem apenas sua boca y eu-desconhecida.. sua boca que beijo y beijo y beijo y não me canso de..

y eu me banharia no rio do teu sorriso. este mesmo rio que ontem chovi inteira. você me dá um infinito nos olhos. você é isso: um infinito que se instalou. entrou nas minhas manhãs. invadiu o meu transe geométrico com esse mesmo sorriso que ontem eu acordei mordendo.

desde que fizemos amor sob a sua janela, adiando qualquer abandono de morte. 

me sinto dançando sob teus lábios
imagem que não se vai

y eu dançaria
sob teus lábios
a oração que aprendi numa vida passada,

oração da chuva.
ao som de almas.. 

aos giros
alcançaria as notas dos teus dedos 
no corpo
em que piano

então você lê partitura de almas?

y a vida me responde
She

y um eco de sí..

quarta-feira, 22 de março de 2017

dois infinitos y seus lugares

demora um tempo
y a gente aprende
que
Lumiar é também
um dos lugares
do amor

[a nudez da Fé]

sinto meu olhar
um desfolhar de
piscadas exigentes
sem cor

desejo de ver-te além
dos pássaros do poema

verter os sentidos
as muralhas derramadas sob minhas pálpebras fechadas

sem nome
esse revés re.vela.do
[tua vinda queimando a fotografia
das minhas costas enquanto te revivo aos piscares]

miro o desconhecido da sua pele
quanto corpo sob o não-corpo
miro o que não se revela

sua folha nascendo sob meu poema
o papel do teu nome
rasurado na altura do meu desfolhar
a tua boca murmurando o silencio que se instalou 

a vértebra macia que se estica do
invisível
sob meus olhos fechados de tanto 
te olhar

te olhar: essa procura

y como se me coubessem azuis
acreditar no tempo vermelho

este templo sussurrado em estrelas no céu
uma luz seguindo o vazio
y segurando-o em existência imaginária
eu-jupiter-plutão
sem perde-la
a sussurrar nebulosas
enquanto escrevo

esta chuva ainda nos meus olhos
enquanto chove no meu quarto

y ainda que te perca,

soprar mais este
te-amo
entre as galáxias

sob as gotas que se desmancham em 
novo infinito
ainda que te perca,
piscar uma única
      nua
vez

metricamente nada

ainda que o caos me absorva
de novo
y de novo 
desfolhar-te-me

y levar ao infinito
a palavra-lugar
donde vives segredada

infiniteza
é o nome que te tenho nos dedos, escorrida como um banho que me batizo]

promessa: os meus olhos tamborilam
o tempo
como se te perdesse para te encontrar

ainda que te procure entre as pedras y folhas y fomes
peço
que não venhas nunca,
para que eu te encontre
no céu de alguma 
de alguém
de  

segunda-feira, 20 de março de 2017

despidas de inferno

asfixiada,
você procura o escuro
no meu rosto

aquele antes
do meu nome

y você pergunta se vai passar essa luz
que percorre seu infinito

y se eu disser que
depois dos meus dentes
existe uma mordida
y que teu nome está gravado nela?

dentro: iluminuras, cais, caos, asas
um pedaço do seu vestido azul
endereçando as rodas que fizemos

se eu disser que quando você me olha
é o escuro que me acendo

um sol em áries alucinado
enquanto
a marca dos teus dentes
transcendem também
sob minha pele
nua

y se eu disser que quando me olhas
é a mim que te olho
y queimo..
?

segunda-feira, 13 de março de 2017

lua

porque há
sempre uma nova história
para ser contada

num novo bordado de vestido
ou numa flor debaixo
das pernas

há sempre um lua cheio
para minguar na
boca

y hoje eu sou
ela

domingo, 12 de março de 2017

fotografia vampira

quanto tempo dura o delírio?

as costas nuas
tuas lentes me fazendo contato
os dedos vivos
os dedos atravessados sob
o tempo da carícia

[caminante de curvas]
que curvas da estrada de nós nos levou pra Longe?

ainda me
chove por teus dedos?

aqui, essa inundação..
minhas pernas em porto
meus vestidos sempre chovendo das costas
molhada
à espera
dos teus sempre dedos a me perpetuar tempestades

essa demora
da tua boca na minha
essa demora,

antes na foto p&b
alma acesa em vermelho de você
pulso ardendo
minhas chuvas todas se chovendo

corrente elétrica
metricamente fotografada

costas nuas

meus olhos baixos
sem você

num cenário imaginário
em que ainda chovemos
enquanto a marca dos teus dentes
                                                         me some

quinta-feira, 9 de março de 2017

espalhadas

as pulseiras
que se enroscam
transmutam o mundo
das miçangas
solitárias

y quebram
porque tem uma ordem
de ser
juntas

quarta-feira, 1 de março de 2017

meus passos embaralhados de
arco-íris

tua presença
céu.em.cor

teu nome de cor
no meu sobrenome poético

escorrido sob a lua
que cai na boca
do rio
y integra magicamente
os componentes
insólitos
do meu silêncio

teu nome, girosas vezes
cigana,
compondo um beijo
no meu desejo

um beijo que vem
do tempo
esse em que não nos tocamos
ainda




o caminho sul do teu beijo

existe o rio
que começa na sua boca

y bica

até a minha

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

encontro

um porão
me habita

eu que não habito o porão faz tempo
que conto estórias de fora
que planto flores nos olhos dela
que me plantou um sorriso

ela que me lançou duas ondas
y uma terceira no céu
da boca

elétricas, minhas mãos vão pr'lá
pr'cá
como se fossem dela

enquanto me borda infinitos,
o meu ventre transborda
poesia

ela que teceu cores, sabores
y meu escuro se abriu em...

ela que traçou a rota tecno
xamânica dos colibris

voo entre as estrelas do seu nome,
o caos que mais não sei
e quero olhar

sábado, 18 de fevereiro de 2017

da lembrança..

eu que tenho um frevo
no peito

y revelo
essa dança não é sua,
é dela

das fases

a primeira vez que vi um morto
ele estava vivo

terapia

depositou duas pedras
no meu chacra inferior
y soprou

ali nasceu uma história
que se me
escreve

da tentativa de conter um buraco que..

há um buraco em tudo o que vejo. um buraco que não é solidão ou morte e faz mover. há um buraco, y mesmo que eu esteja triste, ele continua lá onde eu não acesso. difícil respeitar essas regras de linguagem, quando o peito infla a falta. porque existe nesse buraco que há um tudo, uma falta. falta esta que não sei e nunca se soube onde começaria. nunca ninguém disse onde se começa uma falta. seria como dizer onde se começa uma foda, porque a gente sabe que nunca se sabe e já está lá fodendo. depois a gente se fode e tal. mas é sempre essa falta no meio que dá num buraco que é como um orgasmo em tudo quanto existe Nome.

acendi uma vela, respirei algum tempo.não sei o que respirei vela.. uma chama se acendeu no meu peito, e não era ela. o buraco se faz presente.. escorre sobre as chamas do meu corpo que está molhado porque eu na verdade acabei de sair do banho e ainda estou molhada com a cena de sense8. eu não sei, mas parece que quanto mais a gente vai entrando, entrando entrando, mas a gente vai saindo disso que é nada. é como sair e querer estar limpo ou com alguma coisa que dizer disso tudo. então é um fluxo pesado onde não se tem narrador ou mesmo eu lírico, então as palavras se tornam elas mesmas o que deveriam ser no tempo de uma foda em prosa como se estivesse rasgando essa tela em mil e um pedaços de incompreensões que nada se parece com vazio ou nada, porque na verdade está se fazendo corrente infinita de ilusões e que na verdade se fosse mesmo uma ilusão ela nem teria sido seguida de uma verdade que nem é minha ou da minha voz. porque por mais que a gente fale da porra do buraco, o buraco nem é porra. ele é flor germinada de caos que quando nasce nem nasce, morre e vira estrela que no fundo bem no fundo não é estrela nem flor nem da terra nem do ar y nem morre. esse buraco é da aflição do sem nome, é de um não sei inexplicável que mora nele mesmo. então que ele é isso. é isso mesmo.. y vai continuar sendo.. ele, absoluto que pode ser um tanto dele mesmo: absorto. mudo. quando ela, majestosa ou apenas Vida.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

do profundo céu

magia pra mim,
é o que você é capaz de falar,
não de si,
mas do outro

e se o outro for um cometa verde
y tiver estrelas no meio,

é esta magia que quero buscar,
rodeada de um dourado absoluto de escadas

porque eu não acredito muito na racionalidade inteira
ela sempre escorrega
para  a Fé

e é só a Fé
que me rasga o ventre das ideias
o ventre das cores
y o ventre
y fecunda minha poesia

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

chove no meu silêncio [infinito]

escuro é o porto
onde entrego o pico
de mi locura

sei que estão verdes
as nossas manhãs

sei que colher 
é o fruto do sorriso
isso que não se busca
[isso que acontece, y acontece]

então espero
numa chamada de vídeo
a tua vinda

o nosso despertar

recife aberto
para decifrar os desejos do toque
o toque íntimo
das gotas que me caem
enquanto te escrevo

do desejo

desejo de bailar
mis lluvias
sob teus girassóis

corpo dourado, sorriso marcado de
sol

desejo de tecer
sob as horas
um destino-você

tecer sob minhas mãos
os teus dedos

atacar os destinos
una vez más

hay en mi,
pedaços eternos
de ti
                                 cómo gotas
                                 partidas de tu intero
de teamo

cómo gotas
por gotas
en gota

para ti [chove no meu vestido]

existe um fluido do tipo loucura ascendenciando o teu corpo metastasiado. corpo cometa, de estrelas vermelhas adicionado ao meu aquário. y eu poderia te chamar zebra, mas das listras todas, nada acompanharia o teu nome. o teu sorriso sempre colado à loucura do que vejo desde..

tomo um susto,
sua mão me aquece sob a taça de vinho

eu não estou aí,
mas e esse estar permanente nas coisas que vejo?

2 horas de distância do meu tempo
no seu
do seu no meu

é espaço suficiente para vivermos histórias
juntas
no tempo sagrado da nossa ficção

então tiro os sapatos
aparelho o Zoom dos teus olhos nos meus
entrego a chave do meu quarto

y você a brincar de mim

[não estou mais sozinha, é certo]

existe você em tudo que vejo,
desde as 2 horas até chegar na tua
os astros as tempestades as magias o vidro do carro
as sopas os quadros com tuas cores escolhidas

se lisboa fosse aqui,
choveria na minha boca
o tempo de duas horas
tu, romeu
y yo mexicana

meu vestido molhado tem o nosso tempo
reverso

chega e tira de mim este peso
eu te entregaria o porto
mesmo sabendo que ele é
daí

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

você

tem na boca
a aldeia
da minha vida
futura

él

volto a arder sob teu corpo. corpo-fosso
que não vejo

corpo metáfora
aberto às cicatrizes do tempo

volto a me debruçar sobre o corpo.
ele, calado, me transita como seu me fosse,
eu dobrada sobre a carta-corpo

escritura silenciosa
morena

arrepios me cobrem e não sei dizer se sou isso que
se diz corpo

só sei dizer que
ele é

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

amor

hoje li sua dissertação. você me sangrou. foi a febre da minha vida. encontrar com tua história nas margens "hay que no tener miedo".. eu passaria todos os dias colada à tua voz naquela porta. todos os meus infinitos contígo.

recebo teu abraço. rasguei o cartão postal que só chegou 42 dias depois de.  mas hoje eu sinto uma ternura por você. eu vou colocar aquele vestido preto y vermelho da tua presença. aquele que você gosta quando eu giro sobre você.

y eu entraria en puebla.
rasgaria teu asfalto
bagunçaria teus cabelos escuros sobre mim

até que você ceda essa magia
essa magia que você aterrou voos
nas minhas pontas

onde tudo tudo tudo se faz desejo