quarta-feira, 31 de agosto de 2016

arlequina

giros flashes
ligas
poetas
ingleses

eu quero você
na minha fome

língua latina

dia 22 é um lindo dia para nascer
sem ascendencia em mim
sem destino Eu
rebelde até as pontas do encontro,
                    Meu,


ardencia

esse fogo
que você me é
se afunda em chamas

o fogo da boca

o piercing iluminado dos beijos
sem nome

terça-feira, 30 de agosto de 2016

pedreira

a pineal é um trovão
chovendo estrelas nos olhos

a alma levita
as pedras de vento

giro
piso

e sei onde Sou
guerreira

trevas de luz

talvez o corpo
a voz do deserto que anuncia a passagem

talvez a areia e a vertigem
o atabaque
o vento a tempestade
iansã'xangô
num raio trovoado
me levem de volta
ao útero da terra
que me trouxe aqui

luz
céu

separações
tentando Uma

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

terça-feira, 23 de agosto de 2016

fim de tarde rosada

é estranho como no fundo do que é verdade, há a revelação. e revelar-se é como tirar da verdade o que nela é a verdade. é como se tivéssemos prontos para sangrar de verdades. e um verde claro se anuncia sob as árvores. um surgimento no escuro do verde. mansidão. então é isso que a ficção proporciona também: este estado de. estar sob o que se sente. pôr a mão no coração como o sol se põe no céu e vai embora sem dizer muito, mas revelando isso que se escapa. então era isso. seria isso?
sabia que chegaria um dia, não muito apropriada, mas justo. um dia que os astros acusariam o profanado do profano já revelado. aquilo que se repete e é. e também por isso essa disproporção do oco dos nomes das bocas do corpos. nada me pertence, nem meu corpo mais carnal, pele e pelos. nada pode ser senão o que transporta o espírito. e eis que então a gente vê o outro chegar, transpondo também suas luzes e escuridões dimensionais. o karma estendido sobre a nomenclatura. meu nome é andreza, sobrenome nada. priscila no meio do corpo, da voz. disso que comunica. meu nome-nada aborda as estruturas e faces de dentro. as células, os dentes por dentro do que é dente mordendo ele mesmo para se abrir em dente. os olhos arcos e a flecha que liga ao coração ao desejo ao som que leva ao sorriso que vai levando até o nada. o nada do sobrenome. sobre o nome o nada voando as melodias solitárias de som. melando a boca até o caroço que é garganta. soltando e contraindo a linguagem dos mundos. os planetas e plantas irradiados pela energia. eletricidades no meio das pernas. trovões que se puxam como íman. cidade desertica; nada nada nada.

no fundo a única verdade é estar vivo e falar sobre ela como se a comesse: verdadura. enlaçado ao amor, gota a gota, desaparecendo uns nos outros como um céu. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

boa noite

quero o vento
da tua ausência
para te buscar
em dias de chuva
de nós

ardentes
como o que não pode ser não

presente
como um oco

sala

gosto
desta promessa derramada  sob minha
boca

inferno astral
magma
escorrido no meu chakra inferior

nossas constantes
estelares

superiores abertos
ao infinito
do sem nome
você

juntas

esse vulcão
que você vem
por cima

eu chovo

sem você

subo a lua dos teus olhos
e ainda me parece noite
esta manhã
vazia

nietzsche

asas
de dragão no peito
o fogo por entr'as pernas

me buscas
me contenho,

você trouxe de novo a minha língua muda
fogueiras de desejo enterrados sob os seios

torna-te quem
tu me és
vendedora de sonhos

mar das chuvas do meu fogo
tu: um mar de curvas estelares

sou e sol
sob teu peito e pescoço
sob tua boca os giros ciganos
todos

veio sussurro
uivando para a lua
dos nossos olhos fechados

soltou como um urro
teamo entr'as minhas coxas

toma-me nesse torna-te
quem me
sou

para você

nunca soube bem do mar, porque sempre lá dragão-leoa pássaro-fogo, artesã de vento. acupunturada de amor todos os lados. as chamas todas chamadas em fogo. me nascendo na língua xamânicagiros e giras do sol.

te invoco
com as pernas cheias de
labaredas
salto
por cima
por baixo

tu vens
como quem mar
nado
ju
    ntas

"você é quente".
[e a frebre dos corpos perdidos de atenas.
deusa-xamã inventada]

a fome do fogo em queimar isso que já me foi
vento
cicatriz de ideias
conceitos
corpo-ordem
seu ou dela

não importa
toma-me, nuvem
eu asa aberta dragonizada
queimante
amante

cruel de suas cinzas
se queima em mim
sobe e desce o meu apagar

a noite

derretidas como areia de corpos
carregando um nome na manhã que segue

em que sorrisos existem

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

encontros

é de costas
que te vejo
inteira

flor vermelha
derramada

na brancura
do seu nome

giro a dança que te trouxe
agora

minha

balada

suave pluma

o seu beijo me traz
pétalas

irrigação de desejo
isso de ir embora
e te encontrar

fleshes azuis

tatuagem de rosa
vermelha 
nos ombros
ainda os meus lábios

este pouco pólen
seu

terça-feira, 16 de agosto de 2016

fogo

esses planetas
girando na minha boca

queimação de saturno na garganta
da vida

alada a mercúrio
mart'rizado o som
das nossas asas

matinal

estrelado
tu brilhas no meu sorriso
eu te brilho

vertigem de inverno
separação
angulos

pouso
piso
teu sexo
mudo

distante como um sonho
perto

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

nada

veio como quem vem com asas
na boca

me entregou voos
sorrisos
mordidas raras de seus leõs deserticos

e me pulsou a fera
ferida antiga de mil e uma posições
diferentes
cama florestal
folhas secas embebidas de nós

veio como quem vem
leoa
maduras asas na boca
e um corpo

eu serpente de asas

por muito tempo
não sabíamos nosso nome animal

e éramos
o que se é quando o amor existe: o escuro claro do sem nome

alinhamentos

como conter o desejo
escorrendo da gruta
da boca
da bica
as águas difusas em si mesmas

labaredas de inverno
                                  saltando
olhares e suores

boca muda
entreaberto o desejo
o escuro da sala
o cinema das nossas vidas

um abraço como um beijo
de novo
lírica,

silencio sonoro
mudez das almas

essa rosa nas tuas costas
cravada em minha espinha
esse vermelho poente
abstrato
misturoso de mim

sou tua
rasgada

título

- gosto da sua boca
- eu também

domingo, 14 de agosto de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

batalhas

rasgo o infinito sobre o peito
e ele parece
ventania

chovida

limpar com o fogo
as águas
da vida

cortar isso que não é

recortar o vento
e fazê-lo mil
e mais
um

somos o que vem

e com o fogo disso que é olho
disso que é mãos sobre
a lava da vida

eu te invoco,
poesia

proximidade inventada
do superior

arma encubada
no seio da morte
vivendo de pequenos
nadas

eu te ofereço meu peito em chamas

asas decoradas de espinhos
fogo xamã
queimando invisíveis

deixando apenas
sua vida
sua vinda

morte

eu cortaria todos os cortes
de novo

cortados nos mais profundos
sangrante

cortes feitos de versos
idos

versos ventaniosos
livres dele mesmos
jorrantes

para que enfim você viesse
Vida

terça-feira, 9 de agosto de 2016

sorriso

"vou trançar seus pés em mim"

e eu respondi: "caminho?"

recomeços

todas as grutas
na garganta
da vida

desabamentos

porque o desejo lá
perdido em mim lençóis

a boca perdida nos dias
o sorriso invadindo confidencias amigáveis

foi assim que me escorreu

e sequer me resta
[hoje]
poesia
para te contar quem você veio

nada

as cores deitadas
sob meus dedos

isso que não vem mais você

e eu te amo como amei todas as flores
amo como ama quem ama
primaveril

sem amar é que te amo

porque você não está mais na dor
não está mais na procura

nos meus sonhos você não está
mais

e te esqueço numa caneca
numa mensagem de celular
nas taças de vinho você não se encontra mais

agora com ele
com ela
eu toda livre

e eu te amo, juro

só que não te amo
mais

força

porque as mãos
desde muito tempo contando
os carinhos as forças
as flechas as guerras
levantadas armas

passado presente futuro
de novo

porque os dedos
tocando o impossível da face
porque os olhos fechados
recebendo

não há amor
sem ternura

não há força nisso
que não vem

e você veio

flores

que bom que
isso que é novo
se rasga
como mil e um girassois
na boca

girando os dedos
da terra


invernal

entre
        aberta

a boca do mundo
me come
por baixo
por cima

pelo meio, giro

enquanto me nasce no peito
colibris
de inverno

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

desejo

gosto disso que me olha
queimando

vestido rendido sob o corpo do meu
chão

em demora
isso que é ela
que veio ar
fogo
terra
água na minha boca

dona da minha ascendencia aquariana
scorpiã 
leoa
libriana
libidinosa

fincada nas garras do meu poema
por baixo
flutuadora de entranhas

surgida
inventada
nova

xamã reencarnada
na roda
nua

cigarro

gosto de trocar fumaças
com teu silêncio de
sorriso

aberto
aberta
cortinas e feixes
disso que se apavora em ser

amor encarnado
amor agora
presença

VIDA

domingo, 7 de agosto de 2016

parte III

eu esqueci o seu nome
na janela

madeira lascada
que não me serve mais
sequer para a dor

parte I de parte alguma

sonhei que te cavalgava.
e cristais caiam da sua boca.

um riacho perdido nos olhos,
isso de te olhar
 e não ver nada.

onde foi que nos perdemos, hamã?
as espadas ainda cortam nosso corpo
 isso que não vem
 isso de.

 onde foi que..

e eu te tocaria mil vezes mais
sem sentir nada
e é também por isso que não te toco o nome
não te chamo

absorvo a candura disso que some
disso que não é mais
nada

antes um pulsar glorioso
 a pele do que foi gozo
uns arrepios

olhos molhados de te ver

agora este nada
o escuro claro

que escorre até a última gota
do meu deserto de você

proteção da vida

sabe quanta pólvora arranquei
da minha garganta
para que enfim você viesse,
Vida?

rasguei o fogo
a vertiginosa camada que duplica a chama
completei os acertos
me sucumbi em erros
para que enfim você viesse

engasguei o pó
salivei
me perdi

e agora que te encontro, vida
altiva. morta. muda.
completando meus nadas
 em alegrias
   tristes
em tristes alegrias

idas
vindas
pernas abertas
te escolho
passado presente futuro

solidão é tempo Vivo
e não importa se a mão do outro não está sob a minha..
a mão da vida está

suadas me entranho
ela me estranha
mas entra-me

e é só isso que quero
que me queime

esse ir e vir nas costas
unha dos ventos
cravando sexuais girassóis de sorriso

essa vida que restaura o nome a poesia os encontros as lacunas

esta vida que
Vida




[com hilda ] por hilda. para hilda. com amor...



foi em 2010 ou 2011 que li pela primeira vez aquilo que me rasga até hoje: tu não te moves de ti. e foi como um abraço e um rasgo. foi algo como um não sei se perdendo e se prendendo dentro de mim. então que a partir daí o nome Hilda. vasculhei cada centímetro disso que é obra, disso que é túmulo e vida. disso que É. e foi também quando escolhi deixar de lado machado de assis e nossos ídolos, na faculdade. não deixar de estudar, mas deixar de dar atenção àqueles mortos. porque a Hilda desde sempre vivíssima a cada leitura. desde sempre consumindo tudo quanto tinha de mais profano e sagrado como leitora. como crítica. como humana. e a cada novo livro, um despertar. lágrimas. pensamentos. decisões. rupturas. desertos.
então que eu resolvi assumir Hilda. fui até sua casa em 2013, quando a obra ainda não me bastava como agora essa frase que foi me nascendo no decorrer de.
e eu nem percebi como e quando foi que ela mais veio, como ela está sempre vindo. então que por isso no pulso, por isso nessa geografia onde não cabe eu ou ela ou nós, onde cabe mais de 4 e o infinito trazido ao pé dos pés das
vidas..
lá na casa do sol, embaixo da figueira fiz meu pedido. como todo pedido meu, não é nada objetivo. não foi nada fácil sequer saber que o meu desejo sempre esteve. porque o meu desejo É. então que foi isso de desejar que eu desejei. e depois eu encontrei com isso que é desejo. cintilâncias.  profanei. curei. descumpri. chorei. rasguei mais. rompi com a ordem.
então rasguei mais de 1000 poemas, agora meus, troquei amores por dor e poesia. fiquei melhor amiga da senhora D, frequentei como nunca vãos de escadas. e nunca quis estar ali ou aqui. eu só sentia e estava.
depois de algum tempo alguns amarelos absurdos no meu peito insistiram-se em girassóis.
então eu só vim agradecer a essa vinda. esta frase. este pensamento profundo percorrendo aos voos, os meus nadas. e eu gostando. eu agradeço e agradeceria na língua dos deuses a essa grande obra que é "tu não te moves de ti" minando cada epifania que tenho toda vez que a leio. tu não te moves de ti. tu não te moves de ti. para onde vão os trens meu pai?...e trilharia o caminho do infinito por um beijo. um beijo que também percorrido de infinito te chegasse. grato. inteiro. como um sopro. como um encontro. como juntas.

[tatuei no meu pulso
a nudez
que é dele

e me veio
você]


teamo,

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

liberdade ou solidão

livre, era o que ela mais queria ser
livre, pra ir e vir e ser o que quiser
quando quiser e se quiser

mas só o tempo só pra descobrir
se a liberdade é só solidão
e só o tempo só pra descobrir
o que é ser

livre, se já não faz sentido
ou nunca fez
livre, pra encontrar motivo outra vez
mais uma vez ou de uma vez

e só o tempo só pra descobrir
se a liberdade é só solidão
e só o tempo só pra descobrir
o que é pra ser

livre, pra rir do que é ruim
então chorar de feliz
livre, não por acaso, acaso não condiz
quando condiz com o que se quis

e só o tempo só pra descobrir
se a liberdade é só solidão
e só o tempo só pra descobrir
o que vai ser

e só o tempo só pra descobrir
se a liberdade é só solidão
e só o tempo só o tempo pra descobrir
o que é viver

[música-poema fantástics, de TIAGO IORC]

terça-feira, 2 de agosto de 2016

16h59

só marca
o tempo que não é
mais

teamo outro

é Hoje
que te chamo

doçuras

sorriso é o que há de mais tempestuoso num encontro. porque ele gruda na parede fina. emudece. liqu'feita os olhos. emoldura as lacunas. dá até medo.

mas desejo..

estou amando o seu no meu

encantamento

porque é de sorrisos
que me encanto

de novo
e de novo
e de
novo

o eterno quase

tem gente que traz uns espaços pra gente dançar. barriga-palco. língua. costas ar, pra gente movimentar as danças indianas. tem gente que tem uns paços de poços passos nossos e a gente até navega sem saber nadar. porque também o outro sabe isso que a gente nunca saberá quanto nós. tem coisa que só o outro É. eu quanto outra fui.. ventania tempestada alagadora. funda do mais fundo céu que todas as asas podiam alcançar até de encontro outra coisa que não céu. que não seu mais. que não meu você. outra coisa isso de olhos fechados. outro amor. outra matéria. magmáticos. superfáticos. galáticos como primeiros e últimos, sem nunca NADA. e sempre acompanhado disso que é sorriso fincado e ido. disso que é mistério refletido no amor que não foi dado, porque sempre sempre sempre de outro. sempre não encontrado. sempre perdido. porque perder-se é o caminho do amor. e quando encontrado, encontrar outro mais e mais do mesmo que ele foi e que ele é. sendo. sem ar. derramado nele mesmo. nunca mesmo que o alcanço. então jogo o lenço da montanha de nós, nos cubro, nos beijo. nos expulso como um destino-expulsão. porque amor precisa chegar. e ele chega assim sem chegar nunca. caminhando no que a gente arrepia. no que a gente quer. no que a gente profana. no que a gente chora. no que a gente abraça beija de língua e sem. mas com os lábios inteiros e a mordida dele. as unhas lascadas dele. as pernas as coxas compressas do desejo.

amor
o que nunca finda no corpo
nunca encontro

por isso também a gente nesse em si
abraçando agoras
como se abraçando
o que um dia foi quase...

no arrepio profundo

ele - a cor

te abraço

e como se em mim
você se derramasse em mil linhas
azuis
você se derrama
em mil e uma linhas vermelhas

o chuveiro
as horas
a limpeza
tuas costas

obrigada por ser
o meu mais encantado outro
e despertar meu voos na tua pele

a cor morena
dos vermelhos
que te chamei

agora

você disse dois
por isso este agora também seu

o todo quanto sou
quanto és em mim
[duas]
[dois]
[UM]

três amores
mãos
pés
olhos

coxas
alma di
             vidi
                da

porque pode ser
que nunca mais este enlaçado disso que é dois
sendo qutro
esse agora de pra sempre
e pode ser para sempre de nunca mais

paradoxos mirabolizados
na vontade de
ficar
na sua vontade que eu fique
nesta vontade de não se ir embora
disso que agora é
nós
espalhados sobre o transe das ondas azuis

este abraço que teamo
este sorriso que me beijas
pedaços de sons ao meio

nossos olhos pertencidos
tragadores de invisíveis

nós dois
atuações mudas
plainando na dança que não se vê aqui
que só se vê lá onde nos encontramos
hoje

pode ser que também um filho
e pode ser que sejamos nós
filhos
de fé

porque é aqui agora
que você me queima
um sol
na garganta

é aqui agora que o fogo
não é mais vermelho ou azul

é aqui o amarelo

deserto solar

língua
geniosa
que me bate
a língua

me toma
e me arranca
as mais fundas palavras
salivadas
suadas

eu não sei onde elas ficam
mas às vezes tem gente que tem

e me fincam
eu gosto
da língua que corta

eu sangro
e gozo

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Todo

eu vivo assim
os dois lados da janela

onde tudo
é sempre
dentro
como fora
e fora
como dentro

sobre o que se esconde depois do olhar do olho encontro

todos os dias olhava pela janela. os ares escorridos. os pássaros. os movimentos.

jogava a semente dos voos:
migalhas de pão

e assim a vida. toda a sutileza ventaniosa no seu olho direito. ao esquerdo, cabiam-lhe as faltas. o todo infinito curvado na lágrima. o olho esquerdo é o problema diria o ginecologista. se ele soubesse do sexo dos olhos. essas infâmias se abrindo em pernas. pintos e bocetas do mundo gozando lágrimas. se soubesse o quanto dói fazer o amor com o olho esquerdo, talvez sim vivêssemos piscando pra ver se estimula essa parte de não ver. essa partitura de flauta tapando os buracos do mundo em piscadas.

piscar o olho esquerdo é ver ele assim, sucu.l.e.n.t.o como suculentas marginais de novembro. é como entrar nas costas disso que é nada, ver o todo. abraçar o todo qu o todo é, como o nada todo que ele é. e não caber.

de não caber é e'feito o olho esquerdo.
pássaro nenhum voa.
luz nenhuma luna.

aberta
a gota da vida

última
inteira

próxima de ser enfim
a sua
          primeira

languida
como os pássaros que pensam
voo

exposta a partícula
que nos liga ao infinito: dor transmutada em sorriso
direito

com uma flor amarela no sorriso
do olho direito

deformidades do agora
que você não entra
mais

porque não entro.

ele se conta

olhar. fundo. inteiro
um quanto dois

sumindo enquanto eu o
conto...

asas

para onde vão
os pés
meu pai?

contato íntimo

é amor que você quer?
é amor que você é

é dança que você sente?
é esse infinito que você é

é de viver que você precisa?
você está vivo

respiração

as luzes da cidade
os passos
os sorrisos ao telefone
as maos sobre o bolso
os dedos sobre o celular
os olhos puxando
sugando

esta energia que
está
no amor

que está no ar