quarta-feira, 27 de julho de 2016

marsala bordô

é da tua boca
que escorro

cristalina você
gi
     rosa
azul

o que fazer
com esse desejo de?

vermelha toda
tocada
olhos, boca
cílios

você azul

nossos vestidos escorrendo também
dos meus dedos molhados
de nós

e esse agora
nas barras
enlaçadas

você eu
vestidas de incêndios trocados

bordô aberto
voar de marsalas
pétalas roxas nas pernas

bolas de fogo azul [você]
na espera

de apagar minhas tempestades
num copo de boca
vermelha


[por e para gi sousa]

tempo

as caixas
são interessantes
assim
vazias

cura

porque somos péssimos
ciclos e silêncios
isso aquilo de respeito

então vou rasgar teu peito
vou dançar até fodermos
vou pegar sua língua de onde você me deixou

e você vai escrever
você vai nascer

shekinah

tudo antes como nada

eu teamo
e teamo
só que agora com
tumeamas no meio

desprendimento

e os passos giram
o que é apenas giro
e infinito

proteção dos obscuros humanos

as luzes soltas
das nuvens

a escuridão
da terra

tudo é caminho
amor
possível

e às vezes não dói
mais
e nada

segunda-feira, 25 de julho de 2016

fabricando invisíveis

é também sem querer
qualquer querer,
que se ama

passagem de ida

não tenho hábito
de dar vida
aos mortos

nunca gostei de mexer com eles assim
vivos
intactos

eu gosto do que me rasga os olhos no agora
daquele possível que possa me tocar a mão
e eu tocá-lo o rosto
ou os impossíveis

longe é sempre longe

e a gente fica mais
 perto de si

e é quando percebemos
que também fomos embora
das malas de nós

sobre presença e ausência

gosto disso que foge
como olhos que desviam
sorriso ao meio
não entregue

isso que fica por vim
eu gosto

não gosto do que some
do que não é

mas respeito e
também escrevo
e sei que nesse quando
é sobre mim
não é mais
outro

feito flor

o seu nome
desmanchado sobre o nome das coisas
sem altura

algoz
o tempo sobre o seu nome mudo

escorrendo sobre o silencio
indo embora
feito um morto

indo embora
feito muda

sonho

acho que te abracei
e também
morri
isso

abismo

uma mania de viver os mortos. viver mais que a própria vida. não viver o luto, porque demais vivendo a morte em vida. e por que, meu deus, esta obsessão. este abstrato tomando contato do nome das coisas? onde começou isso naquele que começou primeira a desmembrar os braços do mundo. abrir as pernas do sem nome. quem inventou de meter um filho nisso que não é. essas palavras todas soltas louca, a comunicar a magnanima altura disso que não é. e porque essas chaves soltas nos meus olhos. essa loucura de porta nas pessoas. nos sorrisos. nos sofás. nas geladeiras. nas tvs dividindo a gente em pensamentos. os filmes nos aconchegando para aquilo que é beijo e terno e amor. e porque isso que não é mais amor comendo a boca da gente num depois. boca entalada de espinhos e palavras soltando os sem nexos do amor que não é mais amor porque há

há algo no meio
sem nome
abstrato como o seu nome
que não é mais seu

grande ou
etrusco,

indecifrável voz
que comunica o silêncio
porque é esta a sua cor
nenhuma

processo

então enfio
meus dedos nos seus olhos

diz o que você sentiria se
todos os não seis penetrando
a fina existencia
disso que existe olho

machucando gradativamente
os absurdos disso que é olhar
disso que é já
não ver

diz se é possível viver isso
sem a dor que se manifesta
diz se seremos grandes
inteiros
depois de algum depois

sem antes ter morrido também
a morte destas vidas

diz
e eu mato quanto for
para que enfim
vida

evolucionista

a vida pode ser isso
cristais queimados de tempo
ametistas
trovões
metais

e um sopro de adeus
nos mostrando o horizonte

o novo sempre vence


corte

será que a vida é isso
de cuidado
ao cortarem
nossos pulsos?

vent're

faço amor com o vento
ele me trai

se sua pele me atravessa a fundura
sem vestes
e todo lugar
                  ele
                         um sexo

porque ainda me eleva
se estamos separados?

selvagem ou nulo
amante escolhido
na brasa infinita de si

eu antiga,
ele sempre

esquecimento:
um sexo de flores se abrindo

invisíveis latencias

ventania das nossas vidas
este dentro dele

rasgadura de nós
este agora de foras
meus

           distancia finita

corpo aberto
o inacabado
o vivo
o profano disso que nos atravessando também a pele
porque o amor não tem nome
nem gente

porque vento é dentro

amor,
porque é dentro
porque somos
vent
       res

ela

cuspindo a vida
me olho
e vejo
você infinita

renascimento [com - brooke shaden]

[brooke shaden]

sexta-feira, 22 de julho de 2016

VIDA

também é bruta
a vida

e isso não tem nada a ver com morte

espírito da vida

desde que a vida
botou a boca
no meu poema

que eu vivo com a língua girosa
fora de mim,
pra ela

lambidas e beijos
olhos abertos e fechados

desejo

desde que a vida é vida,
um isso sem
fôlego

armada até a ponta
de gozo

escrevendo subidas e descidas
de ficção
ou não

quinta-feira, 21 de julho de 2016

poesia e poesia

ela me abraçou
e disse que eu podia não
fazer nada

ou fazer tudo

eu escolhi a segunda opção
e silenciei também

abraço na poesia
é silêncio e teamo

contamentos

a gente fala que não, porque é também parte do nosso desejo isso de não ir embora. mas estamos indo faz tanto tempo. sempre estamos indo embora de nós. e a vida é esta eterna despedida, com o aceno do dia. com as manhãs cravadas de infinitos. a vida é esta tatuagem aberta, inscrita nos olhos e na boca. essa escrituração cheia de sons e que não tem nome, por isso vida. então que não há janelas ou portas nisso que é vida. não há nada além do que se escolhe olhar. e tem gente que escolhe ver os pássaros, ou o passar das dores. tem gente que também escolhe apenas ir embora e deixar as bagagens soltas, onde uma hora as encontra e as dói. tem gente que trata a vida, sabe? e isso de tratar é de todo mundo. porque não olhamos que estamos morrendo. olhamos o que tem vida. e o que tem vida dói. dói porque a vida é este parto eterno. é como se existir fosse fazer parte de um encanto, onde a terra nos dá e nós damos ela. é um sexo selvagem, mas gostoso. é um amor suave, mas invisível. é um contar próximo, mas distante. e não querer saber mais é ir. e ir é viver, sabe.

nós falamos o temp todo o que devemos fazer para curar. mas a cura. a cura mesmo ela está no que não vemos. tudo quanto olhamos já está machucado com o nosso olhar. e para que não doessemos sóis, a gente abandona. abandona o que em nós é nosso e só nosso. e é também por isso que nos perdemos.

outro dia eu soube que nunca saberia onde o meu caminho me levaria. quando eu olhei isso e sorri, foi que eu vi que estava curada. eu nunca tinha olhado pra isso que brilha cada ponta das folhas das árvores. isso que se manifesta quando eu ou alguém me sorri. isso que é outro. escarlate. eu nunca vi tanto sangue brilhoso correndo floreado de girassóis por nossos caminhos. e é também porque andei meditando que as dores se transmutaram em cores.  e essas cores que também vejo nas palavras nunca nunca nunca conseguirei explicar o que é. nunca conseguirei explicar a alegria com que fui tocada pela vida. a alegria com que pude me afundar na morte e sair viva. porque eu fui lá. eu subi num prédio. e eu estava bem. mas eu subi. e lembro que me joguei de lá uma vez para nunca mais. era uma lugar cheio de estátuas. por isso também eu queria me juntar a elas. mas esta vida não. esta vida tava marcada desde os 14.

isso não importa
mais

eu estou contato, porque a gente é bonito por se contar, sabem? e tudo quanto a gente afunda, tudo quanto a gente infinita
é eterno

o amor É

embarcação

quando a gente se olha de fora
é que a gente enxerga o
Outro

inacessível que os outros nos são
como os outros de nós..
mas dá para abraçar

porque tudo tudo tudo
é este fundo

poema sem vinculo ou sem definição

é como se todos os leques se abrissem
dos meus punhos

e então
num poema
eu voasse

fórmulas de chamas
que já foram crematória
para poemas

e já não é mais
nada
só é

a louka

porque aquele desejo de me vir
é meu

uma ficção qualquer

era assim, uma ficçãozinha por dia. o vestido vermelho se arrastando sobre o meu rosto, contando os caminhos, desfazendo ele todo, em mim, derramando na minha boca o desejo

o desejo
o desejo de

me vir

para M. V.

ela nascia nos meus poros
íntimos corpus

e por isso também
me fazia dançar
como um poema

terça-feira, 19 de julho de 2016

cercado

quanto buracos ainda
para ceder,
meu deus

até que enfim
abismo

violência

é num de
repente
que a gente é rasgado
de vida

flor do céu

florescemos
de quedas

pássaro ou panta
não importa

somos isso de raiz da nossa altura
e das nossas profundas terras

eu não sei
mas corro o risco de perder-me:
voadora de nadas

mas não volto
ao começo

não volto
nunca pra mim
porque Eu é colo

e eu não gosto disso
que é
eu gosto do que se aproxima

viva

movimenta a minha língua
na sua

sexo é bom
ao vivo

e há cores

àquele que vem

rasga a minha pele
transfigura meu rosto
em sorriso ou lágrima
faz morada nos meus olhos
ninho e nascimento

transcenda
isso que é
asa


o amor é um cacto [sobre isso que é sair para ver o mundo de dentro]


segunda-feira, 18 de julho de 2016

quando fui tomada de poesia

um corpo
aprisionado no voo

ninguém perde ninguém,
senão a si mesmo, bailarina azul

é rígido o coque
expondo reto o rosto
o nome
as curvas tão sendo
isso que é

e o sem nome no meio

mas também é de tu não te moves de ti
isso de rodopiar os sorrisos e as lágrimas

é isso também da hilda
no meio da vida
e isso que é dela, morte
eu vida..

amando separadas
porque é por amor que se escreve versos

e assim, tocada num só toque
sem nome também:
poesia

beijo com a língua
esse poema

lonjuras

sinto os meus vestidos
todos sem barra

tropeçante de esquinas
tiro a roupa para o absurdo
Sem-Nome

faço o amor
caio entre isso que me segura e não é
queda

iluminação

apavoradas certezas
desfeitas da rotina

oculto é o nome
que me mora
Eu
onde você não entra

por isso também este adeus
necessário

por isso também você
sem mim

codinome absurdo

a gente se perde nos diálogos que a nossa mente quer fazer. também não é mais a nossa mente, é o que sentimos. também por isso a necessidade de escrever. o invisível sempre posto diante do que não é. e a gente tecendo sentidos.

onde se prende a fala
noutra
face?

sem nominar
absurdo?

desejo

coberto de tecido fino
agora isso que já não é
mais

isso que já foi desejo e fome
que já foi vermelho e azul

sejas feliz
nesta vida
                 também


sobre o que se fala

nunca senti este agora
se esticando em mim
anunciando agoras

turbilhão de nuvens
flutuosas asas
por dentro

águas e cristais
esta ausência

morada de epifanias
esta ausência

é chovendo que me vivo
é jorrando isso que já nem é mais corpo
isso que é dança quebrando no chão
reconstruindo os bueiros da minha fala

já não te quero tanto nem muito
e porque não

sequer sei se te
                quero mais

um dia eu disse que amor
amor amor amor amor amor

e ele sumiu porque eu disse

organs

I am sorry, this is always how it goes
the wind blows loudest when you've got your eyes closed
but I never changed a single color that I breath
so you could have tried to take a closer look at me

I am tired of punching in the wind
I am tired of letting it all in
and I should eat you up and spit you right out
I should not care but I don't know how

so I take off my face
because it reminds me of how it all went wrong
and I pull out my tongue
because it reminds me of how it all went wrong

I am sorry for the trouble, I suppose
my blood runs red but my body feels so cold
I guess I could swim for days in the salty sea
but in the end the waves will discolour me

so I take off my face
because it reminds me of how it all went wrong
and I pull out my tongue
because it reminds me of how it all went wrong
and I cough up my lungs
because they remind me of how it all went wrong
but I leave in my heart
because I don't want to stay in the dark

so I take off my face
because it reminds me of how it all went wrong
and I pull out my tongue
because it reminds me of how it all went wrong
and I cough up my lungs
because they remind me of how it all went wrong
but I leave in my heart
because I don't want to stay in the dark

sexta-feira, 15 de julho de 2016

sobre o que é mesmo abandono

abandonados também
o azul que era tão dela

um dourado me rasga
prateando
de vermelho
meus amarelos

quanto cor,
meu deus

quanta cor
meu a
           deus

arte

e porque você
pintaria o que você me vê

eu nunca
mandaria
uma fotografia

gosto disso que não é e que sempre vai estar no ar

nossas cores dançando
os subjetivos
de todo o humano que pode haver
numa pincelada
madura


está barato ser caro

é com as pontas dos pés
que entrego-lhe
a palavra vem
aos ouvidos

assim declamando a tinta do vento
a tinta do mais alto do meu corpo
quanto corpo
humano
frágil

decaídas roupas
nua

pronta para receber também
isso que me aterra em teu corpo
isso que me chama
isso que é vermelho e não sabemos
e não sabemos
e não sabemos

e você toca o que nunca nunca voaria de você

dois olhos parados a te olhar
e te pintando,
porque é assim que eu vejo a liberdade
corpos impossíveis
um turbilhão de existires no meio
e o Nome

o nome que é sempre outro
in
significante biforme
e teamos escorridos

porque amor não é de asas
é de liquidez

quinta-feira, 14 de julho de 2016

dirty paws - of monsters and men

jumping up and down the floor
my head is an animal
and once there was an animal
it had a son that mowed the lawn
the son was an ok guy
they had a pet dragonfly
the dragonfly it ran away
but it came back with a story to say

her dirty paws and furry coat
she ran down the forest slope
the forest of talking trees
they used to sing about the birds and the bees

the bees had declared a war
the sky wasn't big enough for them all
the birds, they got help from below
from dirty paws and the creatures of snow

and for a while things were cold
they were scared down in their holes
the forest that once was green
was colored black by those killing machines
but she and her furry friends
took down the queen bee and her men
and that's how the story goes
the story of the beast with those four dirty paws

terça-feira, 12 de julho de 2016

crystals - of monsters and men

perdido nos céus de ouro pulverizado
pego em nuvens de cordas prateadas
banhado pelas esperanças vazias
enquanto eu caio
caindo rapidamente no chão
eu sei que vou murchar
então descasque a pele
porque nada
cresce quando está escuro
apesar de todos os meus medos
eu posso ver tudo tão claramente
eu vejo tudo tão claramente

cubra seus olhos cristalinos
e sinta os tons que
estremecem sua espinha

cubra seus olhos cristalinos
e deixe suas cores sangrarem
e se misturarem com as minhas

fazendo ondas num campo de areia negra
sinta a dança salgada nas minhas mãos cruas
coxas coloridas de carvão
me sinto tão fria e minha pele
se sente tão fina como papel
eu sei que vou enfraquecer
então descasque a casca
porque nada
cresce quando está escuro
apesar de todos os meus medos
eu posso ver tudo tão claramente
eu vejo tudo tão claramente

cubra seus olhos cristalinos
e sinta os tons que
estremecem sua espinha
cubra seus olhos cristalinos
e deixe suas cores sangrarem
e se misturarem com as minhas

mas eu estou bem
eu vejo através da pele
eu perdoo o que tem dentro
porque eu estou nessa casa
eu estou nesse lar todo o meu tempo

cubra seus olhos cristalinos
e sinta os tons que
estremecem sua espinha
cubra seus olhos cristalinos
e deixe suas cores sangrarem
e se misturarem com as minhas.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

eterno vir

mas é claro que nos perderíamos no meio do caminho

é mais gostoso assim

corpo

olho para a lua
e não enxergo
isso que é
lua

normalidade

os vestidos
estão mais leves
depois que você
se foi

voltarás melhor,
e não teremos mais
o peso dos nossos versos

também desejo que logo surja
isso que te corte

já tem me surgido outras cicatrizes

somos assim.

logo seremos normais,
eu sei.

domingo, 10 de julho de 2016

voos

às vezes me assusto com isso. "curar". sabem, eu não quero curar mais nada. agora eu vou viver, essa é a cura que me quer cura, agora. um beijo.

de volta

hoje fui na janela e molhei isso que segura ela: as cortinas vermelhas. pinguei uma colônia de alfazema. daqui, sinto o cheiro leve que vem deles. fiquei feliz por não fazer mais nada além disso, hoje.

e que bom poder sentir os aromas... às vezes a gente não sente nada, e diz que tá sentindo amor. vai entender. é que a gente sente que nasceu pronto para fazer amor com as feridas. a isso então a gente tava dando o nome de amor. deus me livre abraçar minhas feridas e ama-las. eu quero é que elas se fodam. ou que se curem logo, nunca tive muito paciência com elas assim toda feridas. prefiro movimentar os entornos. eu sei, às vezes a gente esquece. eu hein.. coisa loka a gente néh?

ai ai.. eu já estou catalogando, mania minha de ter lua em virgem.. então isso de sofrer, é humano. não fujo não. também não desafeto. o feto, sabe, o feto machuca quando sai de lá de dentro. então é isso, vou nascer essas dores.. mas, ah, eu vou reclamar sim, até elas não terem mais nome, até que pelas bordas nasçam sinais, cravos, espinhas e eu me doa outra..

caprica que sou, abandono a casca. a casa. nada quero com nenhum nome meu. eu sinto nas palavras, nas coisas que não são, aonde Você me chamou.

obrigada. agora é também com você, isso de amar. eu sarei, tô amando.

saturnada

sou regida por saturno
então eu já chorava faz tempo

outros braços me acolheram
a gente sabe que não poderia ser você
a gente sabe que nunca seria você
o meu abraço solto

hoje consigo sorrir
porque sorrir é um conseguimento

a isso que Vem
estou aqui também

só me dói [e é em mim]
não querer mais tanto
saber se estás bem

eu só espero. e que fique..

cena

um hospedeiro
que dança
porque é solitário
porque gosta
e só isso que ele
gosta mais
me vive

eu faço café,
coloco as meias,
compro filmes e estouro pipocas

ele me beija por entre as cobertas
e vai embora
eu também vou

amor

eu não vou negar que tenho medo. eu tenho muitas coragens. muitas mesmo, mas hoje, hoje eu senti que eu vim para ser do mundo. por isso a solidão não me dói mais. também já amei corpos, gentes, e as amo. mas também por isso nunca namorei. eu só amei sério. também, como poderia deixar de amar aqueles olhos verdes gigantes me olhando sorrindo? nunca né. ou aquelas coxas dele..

mas tem algo, sabe. algo nisso que se manifesta quando estou sozinha. e tenho estado muito sozinha, desde que nasci. depois eu vi que eu é que escolhia isso de, quando o outro ali por mim, para mim, eu lá, olhando as gaivotas na janela. ou tentando ver os furos da janela. ou olhando aquilo que eram olhos e que tinha mais, derramados em mim. as geometrias sempre me encantaram e eu não queria entender. eu só queria olhar para aquilo que estava sem Ser. então era isso, eu circular, e alguns triângulos e retângulos tentando se encaixar nisso que é abraço, eu mesma tentando abraçar meu eu no outro. então que às vezes dava, eu abraço, eu jogo a perna, as coxas, até a boca às vezes, porque eu também quero. mas, ai, deus me livre domingos marcados de alguém. sábados noturnos com bocas prontas demais. foi quando eu falei baixinho: te amo abandono. também é aqui neste lugar que eu me reinvento. e caralho, é isso que eu faço melhor: rein vento..

foi aí que eu entendi. e também é por isso que fico tranquila quanto a hoje, quanto ao sol, quanto as mãos do outro. eles podem atravessar todos os espaços das minhas saias. eu gosto, eu falo que gosto. eu rio que gosto. eu também atravesso tantas saias.. são saídas. furtos do meu real.  eu gosto.

mas entendi. o mundo é que eu quero devorar. isso de bocas sangrando vermelhos nas noites. isso de pássaros engaiolados. isso de voz. isso de Vez. isso de era. isso de estar. isso de sonho. foi então que eu entendi (eu acho, vou repetir isso para eu entender). eu entendi': as nuvens, isso tudo que voa sem se dar conta. essas raízes cumprindo as flores. eu estou cumprindo um sopro. e me atentei ao vento. lá no meu nascimento eu me atentei ao vento, porque era onde eu nunca me atentaria. então ele me tentou. veio forte e derramou sobre o meu coração, que era frágil, todas as ventanias. eu me apaixonei por muito tempo pelo vento. e eu tenho marcas no joelho de pra sempre desse amor.

devo contar que fiz amor com ele, e ele me pegava, dava uns giros por dentro da calcinha, subia e descia arrepiando meus pelos. se acortinava nos seios, arranhava-me as costas com isso que eu não sei dele, e eu gozava. amava o amor que nos amávamos. hoje, amando, não sei dizer. às vezes todas as coisas caem do de cima que elas estão, no meu quarto, nos lugares onde vou e nunca sei quem fez isso ou aquilo que não está feito. acendo vela, ela apaga. queria o vento ser só ele em mim. eu não cedi, porque também com ele eu aprendi a não deixar. então eu nunca deixo. antes que me coloquem o nome priscila, eu já Andrezo. depois[...]

e o vento levou também algumas penas numa dessas noites que ele me tomou e eu gemi ele. penas contadas, da geometria que eu gostava. penas penduradas. e desde o momento que arranquei das minhas asas eu disse que elas eram de destino voo. que elas são de destino sem destino. também por isso deixei-as com uma amiga que sabe ser isso, que sabe ir.

agora. foi muito rápido, acabamos de dançar, ele pegou na minha cintura. por dentro da blusa. fez dança xamânica nos meus lábios, adentrou. e eu só sentei e vim contar. logo ele volta. eu tô nisso que o vento quer e me leva e às vezes eu fecho os olhos e chamo. ele sempre vem. mas gosto mais quando ele chega.

reza

quando eu pedi um abraço
você veio
atravessado de outro

eu lá toda molhada rodeada de chuveiro
e rezas firmes de entrega

tu,
Persona
alavancado nas lágrimas
ora infantis, ora jovens

é isso que ela dizia:
"amor de corpo e alma"
e não está somente em vocês

é isso que está em mim
de corpo e alma
é isso que eu sou
e os tantos que me amam por isso

não é você
nem ninguém

eu fecho os olhos
e nem sempre eu peço

ontem eu agradeci,
pedi um abraço, porque este é o meu selo

sou eu, meu coração, minhas mãos,
meus olhos que estão sempre olhando outro
nunca aquilo que É

então é isso

já não me desgasto mais
nisso que é infinito

aflito é mesmo o coração que se demora no que é

eu não finjo
choro
          e salto

sopro

eu estava tentando voltar
algumas liberdades

mas nunca soube
isso que ninguém sabe o que é

isso de livrerdades

sábado, 9 de julho de 2016

e este é o tempo que ela foge: nenhum

então era isso.. sabe há quanto tempo ela tenta fugir? vou dizer. se ela quisesse dançar nua no meio da fogueira, ninguém nunca a impediria. e se ela quisesse saltar das varandas, como fazia, sobretudo na casa do vizinho, ela ia vestida de vermelho e era toda ela cigana de 8 anos, pulando os cabelos no ar. era princípio dos seus sonhos de infância também, isso de morar janelas e varandas, então que ela jogava farelos de pão para que dançassem com ela aquilo que ela nunca soube.

mas ela toda ida foi experimentando isso de entrar em tudo o que sentia. às vezes precisa nem ver e já estava toda lá. nunca lhe disseram isso de não no tempo esse que era dela. e em casa é que ela mais vivia. o lugar que não era mais esse dentro todo liberdade que seus pássaros pais lhe deram de presente de nascimento. ela era de fora, como dentro antes tudo era este salto.

ainda não entende isso de filha de pássaros, se lhe espinhavam borboletas pelo corpo. ela sempre caia em tudo o que não existia. outro dia abriu a boca e uma borboleta azul fugiu. outra vez, piscou e duas pequenas dançaram nos cílios. e era isso que ela sabia ver: os espaços entre os voos. era criança de liberdade. então que era ela o revés da liberdade: nascida com um bilhão de borboletas nos olhos, hoje vive com algumas entaladas na garganta, comendo seu ar. outra colada à iris, viajante em circulo, presa nos dentes e no ventre de onde não terá filhos.

outro dia contou que te mora uma amarela e vermelha, absurda, insiste na morada de seu ouvidos. disseram que vive se mexendo por dentro do pulso uma outra que se pode ver a forma, e um dos lados estão gastos e parecem conchas.

ela deixa tudo isso voar seu corpo, sem pestanejar, diz que faz cócegas onde ela sempre precisou de carinho. apesar de trabalhar nos voos o revés de tudo quanto já voou, também não é que não podia, é que não tinha corpo mais de absurdo

por isso me pediu que contasse em prosa, porque a poesia não sustentaria esta queda. na adolescência foi mais difícil, nunca soube o que era dela ou de alguém, sempre estourava-se em borboletas no banheiro, as calcinhas também chovendo borboletinhas. nos seios, saídas dos bicos, bicando, e ela gostando, mas sem saber.

soube depois
que
     borboleta é koysa de estômago,

até que.. ao revés, começou a desconstruir suas liberdades. hoje as borboletas demais caladas por dentro.

então que é fácil ver as faixas de seus olhos,e dizem que algumas borboletas, alojadas nos pés, ainda voam ela toda, sem que ela queira. uma amarelinha borboleta, madura, seguiu o caminhos das notas de violão, dentro da boca do saxofonista. sua mãe nunca foi de lhe tirar de alturas. então que mesmo depois ela toda adulta, as borboletas espalhadas em sua liberdade, lembrou-a de procurar o vento. quando encontrou, já sabia. ela já sabia que não sabia o que o vento diz e dançou.

"é o tempo que tenta o infinito. eu fujo disso que tem lua. que tem o que é. porque eu vim das alturas. e do chão, só reconheço quedas. logo as borboletas de dentro do meu corpo me fazem amor e eu levanto. Não sou da Terra"

e esse é o tempo que ela foge: outros mundos. dizem que paralelo, existe uma nave, e ela é a rainha do fogo com asas de borboletas vermelhas e o corpo todo ainda crisálida. eu acredito. porque foi o tempo que me pediu para contar.

Nota: mas foi também aos poucos que ela ficava sem borboleta. sem si. eles olhavam e queria ela toda borboletuosa na cama, na sala, na varanda. e ela ia. ás vezes acontecia de morrer 9 de uma vez. e uma branca no meio das pernas, sempre voltava e se contraía para dentro do que era dentro. tem gente que só tem amor em alturas

jardim botânico de mim

um silêncio
de pernas abertas
me desfolha

eu que não era flor

voei

borboleta-de-mim
voei, das pétalas
como penas

mesmo Toda.            Asa

para sempre isso
de perdida ao vento
de Nome voo

quarta-feira, 6 de julho de 2016

planícies

é que também me foi preparado
um espaço de solidão
onde, só,
danço contigo

violeta vadia
aplumada
pétalas nonsenses
costurando ilusões
sem
linha

assim

ela nunca disse que seria novo
este amor que está vindo
pelas margens
do que desconheço

a este amor,
devo contar que o ciúme
é a doença da minha alma
que nada poderá me matar
a não ser ele

e eu já quis fugir disso que é sujo
disso que é desordem
disso que é carne
disso que é irracional
da minha ordem

não finjo candura

não tem jeito
não tem
jeito não tem
jeito

és meu não

terra e ar

um amor que me afunde
na terra de nós

um amor
que nos voe

companhia

meus pés
todos
em penas vermelhas
                                  voam

solidão é coisa de céu

terça-feira, 5 de julho de 2016

giros

eu fico presa ao vento
e parece liberdade
mas na verdade
ah, na verdade, t.b.
eu quero algo que congele esse infinito
esses nadas que ficam girando
nos meus sentidos

e já pensou naquelas telas todas
girosas?

sabe, eu tenho um movimento circular nas mãos

vi quando, circular, veio a bailarina azul,
circular, veio o erê
circular veio todos os 11 anos do meu quadro vivo...

circular, porque tem dança no meu corpo, sabe
ela disse,

minha cigana nunca nunca
para

sorrindo

ela disse que eu vou viver
um amor de feiteceiros

"de corpo e alma", t.b.

você sabe o que é corpo?

alma a gente não sabe mesmo

símbolo t.b.

somos uma tinta
que não existe
poema?

retrato

é claro que eu mandaria
meu poema de pernas abertas
meu sexo de flores
orvalhando o amor sem consumo

na floração das margaridas
todo amarelo é absurdo
e o meu sol tem o tamanho
do seu vermelho

então eu te mando meu retrato
experimento do fazer-amor que te tenho

solto o cabelo,
te entrego meu pescoço
e você me arranca uma fala

essa é a foto que te quero,
borrada disso que é nosso
entregue, escarpada de infinitos

te dou-me isso
que não existe

e você me retrata
um futuro

reflexos

queria saber
isso que eu não sei
de pintar abraços
numa tela preta

resposta

você pintou com os dedos
isso de teamo
em mim?

terra

sabe como é o som
das suas ondas?

amarelo

e eu estou espumando estrelas nas pernas
estou esperando o sol da sua tela
eu espero isso que me queima

e enquanto eu sentir isso
vou te escrever também amor
cinzas tonalizadas de azul

ontem comprei uma tela
branca como o meu desejo
e te conto em vermelho
os versos que você me causa

obrigada.

faz tempo que não sei chover
brancuras nas telas vermelhas
dos seus amarelos

segunda-feira, 4 de julho de 2016

destino II

sinto o gosto da boca
nas asas

agora

saltamos!

...

destino

sinto o gosto
das asas
na boca

margem

ocoso
é o sonho que transborda
disso que eu não sei
e continuo vivendo

apontamentos

agora que estou costurando meu pulso de cortes, ele está vivo. e sabe, eu posso ter tido as atitudes mais vis, porque também sou feita dessa matéria que apodrece. feito uma fruta roxa espremida de si mesma, sem aguentar caroços. caroço é o coração da fruta, sabe? e apodrece se a gente não trabalha na boca do outro. eu trabalho na sua boca a minha fala. e é também por isso que quero que vá embora. sabe o que eu quero? eu quero dar. hoje acordei com vontade de dar. acho que vou aceitar um convite. é assim: as bocas do mundo me devoram. e eu quero a sua boca. vai entender. a matéria que também me apodrece, me nasce, me violeta. sucumbo. nada pode contra isso que é. e sabe.. quanto mais eu tento te encontrar, mais eu sei que nos encontraremos nisso que não é encontro. porque enquanto eu estiver com você no meu amor, nada sairá um fio sequer, do lugar de onde o amor vem. então eu posso mesmo dizer que você vai embora,eu posso implorar até, mas não sou eu que amo, entende? é o amor que ama, isso que vem de você. sim, de você. algo que nunca saberemos, porque afirmamos amar. e eu sei, nossa, como sei que vou te amar quando eu não te amar mais. é ali que vou te amar. algumas forças me acompanham, como a força das ágatas. elas se rendem a si mesmas. como serpente listrada do mar, eu nunca nunca nunca serei eu, como nunca serei esse amor, se eu falar nele. então é isso. não vou mais falar. eu já disse que as janelas dos meus olhos dão no infinito? e que depois do infinito existe uma cortina de cetim que dá no coração? então, depois do infinito tem mais, e é isso que não podemos tocar que nos une. e sabe, eu falo de você como se você fosse mesmo você. acho estranho. preciso ir antes que eu me encerre. continuo,

talvez no poema
caiba
uma caixa de mim
negra como noite sem lua
e espaço para tudo
que te alimenta
a fome

sem sede é que cedemos
ao infnito,
sem nada é que ele é

e o meu lugar
é o sem-lugar
onde você mora

domingo, 3 de julho de 2016

cura

as flores estão bem
embora
pétala por pétala
desabando do corpo

desfolhar
florescer outra
mais de si
antiga ou melhor
não importa
se o suspiro do outro não está sob a tua pele
não importa
cair
levantar-se
abrir o que for profundo
limpar o que não é
como antes nada
ser tudo
como antes

nada ser tudo

elementais

eu fecho os olhos para não ver e ver tudo. e vejo sentindo no que me separa desta vida. e o sentido é destino algum, e um par de asas no meio. sabe, as coisas fortes sempre me entram pelos olhos e saem pela boca. e boca de pássaro é asa. eu já disse isso outro dia: boca de pássaro é asa. e o elemento sagrado dos pássaros está nisso que é só partida. nisso que é ficar vivo. nisso de não escolher voar, quando sentido o pouso. também por isso deixo ela lá sendo aquela que ela é quando está lá onde escolhe estar: voando. longe. é também por isso que não brigo mais comigo por não ser amada aqui nesta vida. sabe, eu sou muito exigente. exijo além das palavras. e eu sabia que o amor que tá vindo, esse amor, ele vai se comunicar diferente. ele vai entrar como nunca antes algo entrou: porque ele já vai estar dentro. e eu não vou saber por onde ele veio. só vou saber as portas as janelas as asas todas abertas.  então eu não vou mais amar coxas ou bocas ou olhos, ou mesmo a voz não me será mais preciso. porque demais dentro isso tudo. e isso nem é porque sou exigente mais. foi dito que algo em mim já não aceita mais algumas coisas em mim. então não é mais sobre você ou sobre ninguém. é sobre mim. e nem é mais sobre mim, é sobre isso que as imagens da vida dos meus elementos representam. isso de dentro-fora.
então você assim desse jeito, você vai passar, eu sei que vai. como tantos já passaram. outro dia tive o melhor beijo da minha vida. mas foi dito, foi dito que beijo não é amor. e não é. abri os olhos e vi que não sentia nada que os nadas dele me dizia. então era ali que eu descobriria que teria de ficar sozinha. sozinha, que para não magoar mais ninguém. não é que eu não amo ou não desejo, é que eu não quero. algo superior de mim não quer, e eu respeito. eu disse que ficaria para sempre comigo mesma se fosse preciso, para sentir de novo o que eu senti quando abri os meus olhos depois que te beijei. porque também somente com você eu consegui abrir os olhos e ainda me sentir de olhos fechados. e durou muito tempo. muito muito muito tempo. porque também era seu isso. era seu os meus nadas. então por isso eu falei tanto de faltas. mas você nunca falou disso. nunca falou em palavras. eu também não.
e fica no ar, pétalas ou cristais, ou penas, fica no ar, isso de nunca mais.

doçuras

e porque eu queria tudo,
me foi dado nada

agora que nada quero,
me deram tudo
e um sorriso
que ainda não sei o que fazer quando lembro
e sorrio

andreza

é Priscila
a cor do azul
são mais amarelas
hoje

ao amor que vem

veio de um lugar onde nos distanciava meia hora. meio século de sorrisos. e que sorriso! me trouxe a primeira palavra de uma conversa que duraria as nossas vidas: "desculpa, você é maravilhosa. encantadora"

saberá ele que ele é que estava na ação de ser maravilhoso e encantador? será que ele sabe que isso pra mim é mais importante que qualquer pensamento dos tantos póstumos de mim. meus pensamentos estavam todos mortos. e ele veio ali.. vivo, como um dragão ao revés. soltou os fogos do encanto.. e eu artifício.

eu ouvi. ontem. ontem eu ouvi que eu vou ter que contar pra ele que ele é o amor.

e quem sabe aonde está aqueles giros que A Sete Saias me falou... aquilo de amor de corpo e alma. ela sabia o meu Corpo. ela sabia.

brasa

e porque veio silfos
todo o paraíso era isso

silfos
e também amor

nada pode ser o que não é
como uma pedra não foge dela mesma

estou seguindo
estou amando ainda
você

mas já não amo 
mais

como antes

[la piel que habito]

que caiba um nome
abstrato
ou infinito

que a segure um mínimo de tempo
saturnica
ou sagrada

poema
ou filosofia

um nome
borrado no corpo
da vida