segunda-feira, 13 de junho de 2016

ornamental sagrado

de volta ao vão da escada ,hilda. o tempo é aquele tempo do sem tempo e o Nome escorrendo. Vida, você dizia. o porco-menino dorme e acorda comigo, minúsculo como um inseto. prerrogativo como aqueles que tem asas. ouvindo ouvindo ouvido o silêncio porque eles não sabem falar português.
o que é que é mesmo falar português, quando um milhão de punhos cerrados em tu não te moves de ti? o que é que pode ser um teto de escada esparramada existência. cruz pra baixo, escada pra baixo. para onde é que se caminha debaixo das coisas? esses vãos, sabe, estes vãos me fazem lembrar dentro-fora. e eu não sei aonde começou este de repente. este susto dentro do que escrevo. susto porque não é sequer infinito. o que é que eu faço com você na minha vida? com isso que é nome e cola-se ao que é sentimento. eu poderia olhar olhar tudo como se visse a primeira vez, mas algo em mim escolhe o que é Meu. e porque seria meu aqueles par de olhos rasgados, costurando literaturas. por que este vão? podíamos então entrar numa nuvem e flutuosas chovermos? porque não escolho chover? abraçar outro. disseram outro dia numa dança cigana, que cigano só cola vidro com cigana vermelha. vidro de vida vermelha não cola azul. mas e se eu surrealista, obra inacabada, reatalhada errada. eu Exú, trancosa do certo, e se eu escolher ainda assim o meu errado. o meu torto. o que seria então o vão disso que é somente a plataforma das estações espaciais.
hilda...eu estive na dimensão do silêncio. do possível. te encontrei de novo na linha que nunca nos separou, porque é a linha da vida. eu estou viva. você está viva como, aí? me conta o que torna o vão cada vez mais vasto. desperta-me o que for fora, como dentro. torna-me. ornamental sagrado. transofrma-se Contato. eu não quero ser priscila ou andreza. torna-me caminho do meu caminho. este caminho meu que não é meu nem de ninguém. torna-me a estrutura disso que pode um dia ser Nome. eu sei, hilda, que o que pedi não foi mais pra você. foi a força. sabe a força? porcos e meninas me enxugam a alma. e poderia ser também que eu te abrace num destes vãos, mas e também deixo claro, é só você que não é. vida no vão das palavras e escadas. escancarada na janela com todos os palavrões. é a senhora D que me abraça como se fosse você. e talvez eu tenha de sentir o corte dos degraus. estas pontas finíssimas em cada pé, para que o sangue marque os meus passos. é hora de voltar, eu sei. sinto o gosto do sangue nos mus pés. volto. mas agradeço a vastidão. é solitário o abismo sem você, também por isso te escrevo. eu preciso do contato com alguém morto. peço desculpas já por te citar nisso que em mim também carrega alguma morte. cito você com respeito e amor. vou tatuar no pulso a tua vinda, eu já disse?

eu só queria pedir permissão
e de alguma forma
te contar como também você me vive

esta é a única coragem
no pulso da vida
uma tatuagem sagrada
ponte entre nós

e sabes que eu não morreria
sem ponte?

confesso que serás muito bem-vinda
de novo
a carne

te faço amor
pulso a pulsar

porque no
meu peito tem outra,
mas é tatuagem sem coragem ainda.


Nenhum comentário:

Postar um comentário