terça-feira, 3 de julho de 2018

plano de fuga

é sempre precoce
escolher
viver
num cárcere

sobre você

a língua acessa
a alma do acaso

você disse três ou quatro palavras
antes de dormir

a espada celestial
acompanha seu desejo

agora em mim
essas uvas,
cachos bronzeados

seus cabelos ao vento em sonho
o suor

seu sorriso me invade
pelas pernas

o corpo dos meus silêncios
goza feliz
a tua vinda

porque é a tua vinda
que se faz
quando permites
a minha chegada

porque é minha vida,
a Sua

quinta-feira, 3 de maio de 2018

o amor em fome

sento ao teu lado
enlaço meus dedos nos
teus
       dedos
que eu já comi

fruta fresca
uva
unha

dedos que já comi dedos

que
já comi serpenteando
que já comi de quatro
que já comi sentada
deitada
que já comi no bar
no banheiro do bar
na sua cama
no corredor
no banheiro

que já comi pura
nas impurezas de mim

e que também bebi quando podia

sobre a boca,
ainda essa fome Amor
e seus avessos

observações no escuro

paralelo aos encontros,
há o sonho

comendo a vida da gente
de magia

quarta-feira, 2 de maio de 2018

a poesia do sonho

é sempre assim a cobra
se
arrastando sobre o meu sexo.

de veneno, só
o gozo que se me escorre
entre

as pernas loucas trêmulas

terra sobre terra
ela avança mais um
cem

metro

e as métricas todas se confundem em teamo

poesia agora
enrolada às canelas

sobe un poco más
e se enrosca na minha cintura
y morde
y morde
y morde

porque essa não é história de veneno
ou morte
de luz ou escuridão

essa é a história de uma tatuagem antiga
uma história de passagem

travessia de mim,
que faz
amor


quinta-feira, 19 de abril de 2018

segunda-feira, 16 de abril de 2018

ao amor desse tempo

honro-te com minha boca
com todos os possíveis
dos meus lábios

com o silêncio do meu ventre,
as mãos a passarinhar pelo salão do teu corpo
boca,

honro-te
com meus dedos
dentro-fora
fora-dentro
                    tateando absurdos.

honro-te
com a cicatriz muda das minhas costas
ou a aridez das minhas palavras

honro-te com a presença constante
das minhas ausências
magnetismos de tempestades
quebradiças
ao chão do teu tempo

honro-te o que em mim
é agora
e queima:
você