quinta-feira, 22 de junho de 2017

estrangeiro

poema bate a porta
pede pra entrar

abro a janela

ele entra mesmo assim,

descansa tuas asas
passo um café
esfarelo alguns beijos
y ele bica

poema tem medo de amor
y sempre quanso quase
ele vai embora,
só que pela porta

eu agradeço mais um dia de fé
mas não espero
sua volta,
 mesmo ele voltando

o poema sabe
a minha poesia
só não sei porque volta


incendio surrealista

então eu desabo o vinho
tinto
sobre a mesa

mergulho geometricas folhas de nós
principalmente meus desejos em branco em que falei de amor
sob vermelhos
y uns mares de azul (salgado) de você
anzol
trapezistas
janelas abertas de frutos do mar
você: esse furto de mar

espero que dissolva
as palavras em borrados
de nadas
espero que nasçam muitas cores
[não vou ficar aqui na superfície para ver]

mergulho!

quadro exposto de imagem
cubista
onde se pode deixar
uma bela história emoldurada
y ir embora

triangular,
só minhas pontas doem agora,

congelo infinita
sob o cosmos
sem esperar secar..

nota: esse quadro nasceu de um incendio! ou esse incendio nasceu de um quadro
mudo

madrugada II

pássaros sabem o voo
não o voar!

temporal de inverno

porque todas as vezes que falei teamo
na verdade não sei o que é

não se pode amar y continuar escrevendo
 pensamentos

quando escrevo, não é no amor que estou
é na ideia

y escrevo teamo
porque estou te chamando
para o que em mim é amar

em você,
surrealismos
dobras no nariz
sons metálicos
poesia
um ventre desenhadas serpentes
y um dragão cuspindo fogo dos olhos

essa tempestade que só se me anuncia
essas gotas que enchem a boca
do meu desejo de amar
essa alma sensível ao outro
essa alma sensível a si

eu nunca soube o amor
y sinto que posso ser
com você

depois desse temporal de inverno
do desejo


noite longa

inverno,
primeiro despertar
desta noite longa.

trocou voos com o desejo, passarinha?
chamou-o de aberto
daí fechou os olhos
y abriu as asas pra dentro:
sem amor

mais uma noite em que não se reconhece

mastigou alguns vazios
de libedade
guardou as asas
y dormiu com apenas algumas doses de desejo para comer depois

esse desejo que pinga do corpo
esse desejo suor
carne
espinho
ferradura
arraias de sons miúdos
traqueias furadas
ouvindo o próprio som de quase morte

som sonífero que toca os ouvidos
y só os ouvidos y algumas concretudes do pensamento

que não perfura a própria voz
que não silencia silencios
barulhosos
que não traz sons de galáxias antigas de sorrisos
mas traz o som da vida
pacatos desejos

era isso
 apenas a superfície de gelo
ancorada no desejo (hilda)

y porque não acreditava no amor,
começou acreditar em pássaros
essa ideia
y só ideia
de liberdade

porque a verdadeira liberdade, se existe,
está em algum lugar
de Amar,






domingo, 18 de junho de 2017

espera

lambeu minhas costas
passou a linha colorida
de fios dourados
beijou minha boca

depois limpou os dentes
com a linha
y foi dormir

o bico dos meus seios
flutuam
endurecidos de desejos


efemeridad

também é função do nome
a liberdade da altura

um eu carbonizado
faz amor com o céu
em cinzas

só o amor
nos livra do passado
y da ânsia pelo Todo

meu nome é Poesia
y eu vivo a
Nadar